OS DOIS PAPAS: Fernando Meirelles Mostra o Lado Humano dos Papas em um Filme Superlativo com Atores Maravilhosos

Fernando Meirelles é um cineasta brasileiro que conquistou um lugar especial no cenário internacional dos filmes autorais, de forma justa e consistente. Aos 64 anos, este arquiteto formado na USP já coleciona em seu currículo de diretor de cinema alguns filmes de primeira linha, como sua obra prima CIDADE DE DEUS (2002), indicado para 4 Oscars e ganhador de 74 prêmios internacionais. O JARDINEIRO FIEL é outro título memorável de Meirelles.

Agora a NETFLIX lança outro grande filme dirigido pelo talentoso cineasta: OS DOIS PAPAS. Fui obrigado a ver a versão dublada em espanhol (provavelmente alguém na NETFLIX resolveu que para o mercado latino o melhor seria distribuir a versão em espanhol), o que retirou muito do filme. Acho que a multiplicidade de idiomas falados pelos dois Papas retratados no filme, nas vozes (excepcionais) de Anthony Hopkins e Jonathan Pryce deve ser das melhores coisas do filme.

OS DOIS PAPAS narra o episódio no qual, falecido o Papa João Paulo II, a Igreja se deparou com duas opções: o conservador alemão Cardeal Ratzinger e o progressista argentino Bergoglio. A escolha óbvia prevaleceu foi eleito Papa Bento XVI o mais tradicional e reacionário deles.

A Igreja regrediu e se afastou ainda mais de seus fiéis, omitindo-se na questão da pedofilia, permitindo escândalos financeiros no Banco do Vaticano e adotando posições afastadas da realidade social contra o casamento de padres, métodos contraceptivos, aborto e homossexualismo.

Enquanto isto, na Argentina, o Cardeal Bergoglio seguia sua obra social, cada vez mais popular entre outras coisas por sua (humana) paixão pelo San Lorenzo, time de futebol.

Como os dois Papas (tão diferentes) se conhecem, se entendem e criam a sucessão e a modernização da Igreja é o cenário ideal para Fernando Meirelles exercer sua arte trazendo um filme humano, emocionante, poderoso, contundente e provocativo. O espectador vai conhecer detalhes (reais ou ficcionais) desta sucessão vista de dentro, como jamais antes.

Anthony Hopkins (perfeito como sempre mostrando uma fragilidade física impressionante) e Jonatha Price (excelente ator de BRAZIL O FILME) fazem dois trabalhos de interpretação que deviam ser aulas para atores tamanho o número de nuances e alternâncias que os dois apresentam na tela.

O essencial do filme de Meirelles é que até os papas são humanos: eles têm dúvidas, hesitações, medos, arrependimentos, fracassos, como todos nós. E mais que isto, apesar dos sapatos vermelhos, mantos impecáveis, anéis e joalherias milionárias, mansões suntuosas, equipes de serviçais, carros Mercedes e helicópteros, eles viverão e morrerão como todos os humanos.

Na realidade, eles são pessoas que assistem futebol, se emocionam e se arrependem do que fizeram ou não fizeram na vida. Como qualquer mortal.

OS DOIS PAPAS é um filme obrigatório para quem quer entender o papel da Igreja em nosso tempo. E traz junto muitas reflexões sobre esta época contraditória, violenta e de crise social permanente em que vivemos. Mais um excepcional trabalho de Fernando Meirelles.

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