De Onde Saiu Tanta Gente?

Uma das coisas que aprendi em 18 anos como Presidente do Clube de Cinema é que o público que vai aparecer em uma sessão de cinema, salvo raras certezas, é sempre um mistério.

O maior público do período em que estive no Clube de Cinema foi na abertura da V Mostra Internacional de Porto Alegre. Programamos o filme da artista Laurie Anderson, HOME OF THE BRAVE, em uma sessão das 22 horas, no Cine Avenida, que tinha perto de 200 lugares.

Apareceram para ver o filme mais de duas mil pessoas. A sessão lotou instantaneamente. Fizemos uma segunda sessão a meia noite e outra as duas da manhã. Todas lotadas. Reprogramamos o filme para o sábado seguinte e foram outras duas sessões completamente lotadas. Lembro ainda que fechadas as sessões, apareciam conhecidos meus implorando por ingressos impossíveis.

Já contei aqui que em outra oportunidade, quando o Clube de Cinema exibiu os curtas do Festival de Obberhausen, junto com o Instituto Goethe, na sala de cinema do SENAC, o público dos três dias de exibição lotaria mais de dez vezes o espaço disponível. Uma verdadeiras loucura.

Mas a história mais incrível foi um ciclo de cinema operário que fizemos no Instituto Goethe, com filmes alemães e brasileiros. Em uma das sessões noturnas foi programada a reprise do belo filme de João Batista de Andrade O HOMEM QUE VIROU SUCO, com José Dumont, como um nordestino que vem para São Paulo tenta a vida.

Nunca vi tanta gente! O saguão do Instituto Goethe parecia uma entrada de Grenal. Eram milhares de espectadores querendo entrar na sala que tinha pouco mais de 100 lugares. Foi quase assustador.

O público apaixonado por cinema tem segredos insondáveis.

One of the things I’ve learned in 18 years as President of the Cinema Club is that the audience that will appear at a movie session, although rare certainties, is always a mystery.

The biggest audience during the period I was at Clube de Cinema was at the opening of the V Mostra Internacional de Porto Alegre. We programmed artist Laurie Anderson‘s HOME OF THE BRAVE at a 10 pm show at Cine Avenida, which had close to 200 seats.

More than two thousand people showed up to see the film. The show filled up instantly. We had a second show at midnight and another at two in the morning. All full. We rescheduled the movie for the following Saturday and two more shows were completely sold out. I also remember that when the shows were closed, acquaintances of mine appeared begging for impossible tickets.

I’ve already told you here that on another occasion, when the Film Club screened the Obberhausen Festival’s short films, together with the Goethe Institute, in the SENAC movie theater, the audience for the three days of screening would fill out more than ten times the available space. A real madness.

But the most incredible story was a working class cinema cycle we did at the Goethe Institute, with German and Brazilian films. One of the evening sessions was scheduled to reprise the beautiful film by João Batista de Andrade, THE MAN WHO BECAME JUICE, with José Dumont, as a northeastern person who comes to São Paulo tries to make a living.

I’ve never seen so many people! The lobby of the Goethe Institute looked like a big soccer game entrance. There were thousands of spectators wanting to enter the room that had just over 100 seats. It was almost scary.

The movie-loving audience has unfathomable secrets.

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