A NETFLIX está exibindo o filme EMILIA PEREZ, produção mexicana dirigida pelo cineasta francês Jacques Audiard (O PROFETA).
O filme vem fazendo furor no circuito internacional de festivais, tendo sido destaque em Cannes e Toronto.
Trata-se de um musical (quase uma ópera pop) sobre um líder sanguinário de um dos maiores cartéis de drogas mexicano que contrata uma advogada para, a peso de outro, viabilizar sua transformação de homem em mulher.
O papel é feito – com entrega impressionante – pela atriz transgênero Karla Sofia Gascón, conquistando prêmios em todo mundo e ameaçando abrir uma nova discussão no próximo Oscar sobre gênero e categorias.
Para mim, o melhor trabalho do filme é de Zoe Saldanha, uma atriz nascida em new Jersey, filha de porto-riquenho e dominicana, que tem feito carreira em Hollywood, tendo em filmes (AVATAR e COLOMBIANA) com em séries de grande sucesso (LIONESS).
A advogada Rita Moro Castro, encarregada de viabilizar a transformação do violento Manitas Del Monte na afetuosa Emilia Perez, é um excelente personagem. Apaixonada, solitária, competente, proativa, comprometida, não hesita em cumprir o que assumiu. E ainda proporciona alguns dos melhores números musicais do filme.
Selena Gomez tem o terceiro papel do filme, também se saindo muito bem.
Muitas críticas tem lembrado Pedro Almodovar como a inspiração direta de Audiard. Acho que o cinema de Almodovar usualmente tem um tom mais leve. Aqui, o fato da trama passar no México, em meio a uma pobreza e uma violência sem freios, me deu uma sensação muito mais densa e pesada que o cinema do ilustre cineasta espanhol.
De qualquer sorte, EMILIA PEREZ é um filme surpreendente. Consegue prender o espectador à tela sem um momento de tédio.
As carências da produção deixam algumas sequelas em cenas que poderiam ser melhor acabadas.
Mas EMILIA PEREZ diz a que veio. Merece ser visto.