O CONTO: Ótimo Filme Baseado em Fatos Reais Sobre Abusos Infantis é um Soco no Estômago

Jennifer Fox é uma escritora e documentarista norte-americana que, em sua infância, sofreu abusos sexuais de seu treinador, sob a complacência da Professora de Equitação que era amante dele. Aos treze anos, na escola, ela escreveu uma redação – supostamente fictícia – onde contou seu drama.

Agora, depois de décadas, ela resolveu levar a sua história para o cinema. O filme se chama O CONTO, produção da HBO, dipsonível no NOW, AMAZON PRIME e ITUNES, estrelada pela excelente Laura Dern (BIG LITTLE LIES). A contundência do tema e do filme – primorosamente produzido e narrado – é tremenda, deixando o espectador várias vezes perplexo com o que assiste na tela.

Escrito e dirigido pela pessoa que sofreu os abusos, o filme tem uma veracidade quase documental, embora os recursos narrativos escolhidos pela diretora sejam nada menos que soberbos. Apenas para citar um exemplo, a protagonista se lembrava um pouco dos fatos achando que ocorreram quando ela tinha 15 anos. Aparece uma menina com cerca de 15 anos a interpretá-la. A mãe dela (extraordinário papel da excepcional Ellen Burstyn) corrige que ela tinha apenas 13 anos. Muda a atriz que a interpreta quando menina por uma mais jovem.

O elenco ainda tem outros atores e atrizes excelentes. O abusador é feito por Jason Ritter (GOLIATH) quando jovem e por John Heard (ESQUECERAM DE MIM) quando maduro. A ótima atriz francesa Elizabeth Debicki (BITTERSWEET) faz Mrs. G., a professora de equitação que participa e apoia os abusos e estupros. Quando mais velha, a personagem é vivida pela também ótima Frances Conroy.

O filme coloca um aviso que as cenas de sexo com menores foram feitas com a paticipação de uma dublê maior de idade cujo rosto nunca é mostrado. Nem isto tira o impacto excruciante das cenas, de uma violência e crueldade raramente vistas em um filme.

Laura Dern é a alma do filme. Ela vai construindo o mosaico de sua memória, descobrindo velhas cartas, fotografias e falando com as pessoas para relembrar o episódio mais forte e marcante de sua vida, motivo de muitos dos traumas que ela carrega na idade adulta.

O CONTO certamente não é um filme que se vê com facilidade. Mas a excelência de sua realização e a importância da denúncia que traz o fazem obrigatório para quem se preocupa com temas como este, vitais na nossa época como eram na do filme.

Jennifer Fox is an American writer and documentary filmmaker who in her childhood was sexually abused and raped by her sports coach, under the omission of her riding teacher. At thirteen at school, she wrote a supposedly fictional essay where she told her drama.


Now, after decades, she has decided to take her story to the movies. The film is called THE TALE, produced by HBO, available now, AMAZON PRIME and ITUNES, starring the excellent Laura Dern (BIG LITTLE LIES). The sharpness of the theme and the movie – exquisitely produced and narrated – is tremendous, often leaving the viewer perplexed by what he watches on screen.

Written and directed by the abused victim, the film has almost a documentary veracity, although the narrative features chosen by the director are nothing short of superb. Just to cite one example, the protagonist remembered a little of the facts that occurred when she was 15 years old. A girl about 15 years old plays her. Her mother (extraordinary role of the exceptional Ellen Burstyn) corrects that she was only 13 years old. Changes the actress who plays her as a girl for a younger girl.

The cast still has other excellent actors and actresses. The abuser is made by Jason Ritter (GOLIATH) when young and John Heard (HOME ALONE) when mature. Great French actress Elizabeth Debicki (BITTERSWEET) plays Mrs. G., the riding teacher who participates in and supports abuses and rapes. When older, the character is lived by also great Frances Conroy.

The movie puts a warning that the sex scenes with minors were made with the participation of an older stuntman whose face is never shown. Nor does it take the excruciating impact of the scenes, from violence and cruelty rarely seen in a movie.

Laura Dern is the soul of the movie. She builds the mosaic of her memory, discovering old letters, photographs and talking to people to remember the strongest and most remarkable episode of her life, the reason for many of the traumas she carries in adulthood.

THE TALE for sure is not a movie you can easily see. But the excellence of its accomplishment and the importance of the denunciation it brings make it mandatory for those who are concerned with themes like this, vital in our time as they were in the movie

BETTER THAN US: Série de Ficção Científica Russa é Longa, Monótona e Perde Boas Possibilidades

A NETFLIX colocou em seu cartel de séries a produção russa em 16 capítulos (primeira e segunda temporadas) BETTER THAN US (LUCHSHE, CHEM LYUDI), narrando as peripécias de vários personagens em torno de um robô de alta tecnologia que não respeita os dogmas de não matar humanos.

Tudo na realidade é pretexto para exibir lindas mulheres russas “interpretando” robôs, normalmente em trajes sumários ou em situações insinuantes de erotismo. A suposta trama que refletiria sobre os riscos da automação parece perdida em uma história muito mal amarrada.

O personagem principal, por exemplo, é um médico legista interpretado por Kirill Karó, que em determinado momento vira uma espécie de James Bond, saindo a fazer investigações, participando de perseguições e tiroteios e matando pessoas em maior quantidade do que examina no necrotério.

A beldade principal é a modelo russa Paulina Andreeva, que faz a robô assassina Arisa, capaz de se auto programar. Ela foi ilegalmente importada da China pelo ambicioso industrial russo Toropov (Aleksander Ustyugov), sedento por aumentar os lucros de sua empresa CRONOS.

Em meio a espionagem, ganância, traições, corrupção e robôs assassinos, ainda há o cado de divórcio litigioso do protagonista, com a discussão com a ex-esposa sobre a guarda dos filhos, já que ela pretende se mudar para va Austrália. E ainda uma organização terrorista chamada “The Liquidators” que prega a guerra armada contra os robôs.

É muita confusão e abordagens superficiais em uma série só. O resultado é completamente irregular criando monotonia e tédio para o espectador que se arriscar a ver os 16 episódios.

BETTER THAN US poderia ter sido uma boa série da ficção científica, ao estilo WESTWORLD da HBO. Não soube aproveitar a oportunidade.

NETFLIX has released in its series cartel a Russian production in 16 chapters (first and second seasons) BETTER THAN US (LUCHSHE, CHEM LYUDI), narrating the adventures of various characters around a high-tech robot that does not respect the dogmas of not killing humans.

Everything is really a pretext for showing beautiful Russian women “playing” robots, usually in brief attire or insinuating erotic situations. The supposed plot that would reflect on the risks of automation seems lost in a very badly tied story.

The main character, for example, is a coroner played by Kirill Karó, who at one point becomes a kind of James Bond, going out to investigate, participating in chases and shootings, and killing more people than he examines in the morgue.

The main beauty is the Russian model Paulina Andreeva, who makes the killer robot Arisa, capable of self-programming. It was illegally imported from China by ambitious Russian industrialist Toropov (Aleksander Ustyugov), eager to boost profits from his company CRONOS.

Amid spying, greed, betrayal, corruption and murderous robots, there is still the protagonist’s contentious divorce quarrel, with the discussion with his ex-wife about child custody as she intends to move to Australia. . And yet a terrorist organization called “The Liquidators” that preaches the armed war against the robots.

It’s a lot of confusion and shallow approaches in one series. The result is completely irregular creating monotony and boredom for the viewer who risks seeing the 16 episodes.

BETTER THAN US could have been a good HBO WESTWORLD-style science fiction series. I didn’t take the opportunity.

CORPOS ARDENTES: Obra Prima do Policial Noir Feita há 38 Anos Atrás Marcou a Estréia Genial de Lawrence Kasdan como Diretor

CORPOS ARDENTES, de Lawrence Kasdan é uma obre prima do gênero policial noir. A revisão do filme, 38 anos depois de feito segue impactante, principalmente tendo-se em conta que era a estreia do jovem Kasdan (então com 32 anos) na direção.

Uma história perfeita (o roteiro de autoria do próprio Kasdan), atores excepcionais (William Hurt perfeito, Kathleen Turner no auge de sua beleza, Ten Danson genial como o Promotor, Mickey Rourke, Richard Crenna), uma trilha sonora deslumbrante de John Barry (dos melhores scores dos anos 80), uma fotografia quente construíram um filme genial, que a gente não cansa de ver ou rever.

Talvez a maior nota do filme até sua metade seja a extrema sensualidade de suas cenas e diálogos, conduzindo a relação entre o advogado Ned Racine e Matty Walker para uma paixão avassaladora que os levará ao crime.

Há muitas cenas antológicas em CORPOS ARDENTES: o palhaço no carro vermelho, o travelling da câmera na cena em que os amantes decidem cometr o crime, a alternância das cenas com ruídos ambientes e a trilha sonora inspiradíssima.

O gênero do policial noir gerou inúmeras obras primas no cinema. Apenas para citar alguns, temos Relíquia Macabra, A Marca da Maldade, à Beira do Abismo, Gilda, O Terceiro Homem. CORPOS ARDENTES é um legítimo herdeiro destas inesquecíveis obras do cinema.

Impecavelmente bem criado e realizado, CORPOS ARDENTES deve ser visto e revisto por quem ama um filme de excelência.

BODY HEAT, by Lawrence Kasdan is a masterpiece of the police noir genre. The review of the film, 38 years after it is made, remains impactful, especially given that it was the debut of young Kasdan (then 32) in the direction.

A perfect story (Kasdan’s own script), exceptional actors (William Hurt perfect, Kathleen Turner at the height of her beauty, a genius Ted Danson as the D.A., Mickey Rourke, Richard Crenna), a stunning soundtrack by John Barry (one of the best scores of the 80s), a hot photograph built a great movie that we never get tired of seeing or reviewing.

Perhaps the film’s highest note is the extreme sensuality of its scenes and dialogues, driving the relationship between attorney Ned Racine and Matty Walker to an overwhelming passion that will lead them to crime.

There are many anthological scenes in BODY HEAT: the clown in the red car, the camera travelling in the scene where lovers decide to commit crime, the alternation of scenes with ambient noises, and the highly inspired soundtrack.

The genre of police noir has generated numerous masterpieces in the cinema. Just to name a few, we have THE MALTESE FALCON, TOUCH OF EVIL, THE BIG SLEEP, GILDA, THE THIRD MAN. BODY HEAT is a legitimate heir to these unforgettable works of cinema.

Impeccably well created and realized, BODY HEAT should be seen and reviewed by anyone who loves a movie of excellence.

MARSHALL – IGUALDADE E JUSTIÇA: Filme Baseado na História do Primeiro Juiz Negro da Suprema Corte Americana Retrata a Emocionante Luta Pelos Direitos Civis

MARSHALL – IGUALDADE E JUSTIÇA, do cineasta americano Reginald Hudlin narra a história real do advogado Thurgood Marshall que de representante da NAACP na luta pelos direitos civis, veio a se tornar o primeiro negro Juiz da Suprema Corte Americana. O filme está disponível no AMAZON PRIME VIDEO e no ITUNES.

Trata-se de uma história inspiradora e emocionante, trazendo um caso verídico onde o então advogado teve que assumir a defesa de um homem negro acusado de estuprar uma mulher rica e branca na cidade de Bridgeport, Connecticut.

Impedido pelo Juiz de falar na corte, ele tem que se valer do advogado branco e judeu Sam Friedman, a princípio constrangido e preocupado com as consequências do caso para sua carreira e depois um árduo batalhador pelos direitos civis.

O ótimo elenco é liderado pelo ascendente Chadwick Boseman (o Pantera Negra da MARVEL), outra vez excelente, aqui em um papel cheio de nuances de interpretação que vão da raiva e indignação ao reconhecimento e a gratidão. Seu colega de defesa é o também excelente Josh Gad (da nova versão de ASSSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE e A BELA E A FERA, live action da Disney onde foi Le Fou). A dupla vai enfrentar poucas e boas para trazer aos jurados a verdade sobre a aucsação que pesa sobre seu cliente Joseph Spell (Sterling K. Brown, de THIS IS US e PANTERA NEGRA).

A acusadora é a sempre correta Kate Hudson (COMO PERDER UM HOMEM EM DEZ DIAS). O Promotor Público acusador é Dan Stevens (a Fera de A BELA E A FERA) e o Magistrado que preside o caso, o maravilhoso ator James Cromwell (L.A.CONFIDENTIAL).

Com uma história real maravilhosa como esta e com um elenco deste quilate, MARSHALL só poderia ser um filme de excelência. Inteligente, bem feito, emocionante, contundente, o filme mexe profundamente com o espectador, retratando as injustiças de uma era nem tão distante.

MARSHALL é um filme que se recomenda para todos os que entendem como os valores relacionados com a diversidade e inclusão hoje, como nas décadas passadas são essenciais para um mundo melhor.

MARSHALL, by American filmmaker Reginald Hudlin tells the real story of lawyer Thurgood Marshall, who as a representative of the NAACP in the fight for civil rights, became the first black judge of the American Supreme Court. The movie is available on AMAZON PRIME VIDEO and ITUNES.

This is an inspiring and thrilling story, bringing a true case where the lawyer had to take up the defense of a black man accused of raping a rich white woman in the city of Bridgeport, Connecticut.

Prevented by the Judge from speaking at court, he has to make the defense of his client through the white and Jewish lawyer Sam Friedman, at first embarrassed and concerned about the consequences of the case for his career and later on a hard-fought civil rights fighter.

The great cast is led by the once-excellent rising Chadwick Boseman (the MARVEL Black Panther), here in a role full of nuances of interpretation ranging from anger and indignation to recognition and gratitude. His defense colleague is also excellent Josh Gad (from the new version of MURDER ON THE ORIENT EXPRESS and BEAUTY AND THE BEAST, Disney’s live action where he was the carachter Le Fou). The pair will face a great fight to bring jurors the truth about the accusation on their client Joseph Spell (Sterling K. Brown of THIS IS US and Black Panther).

The accuser is the always correct Kate Hudson (HOW TO LOSE A MAN IN TEN DAYS). The prosecuting prosecutor is Dan Stevens (The Beast of BEAUTY AND THE BEAST) and the presiding Magistrate, the wonderful actor James Cromwell (L.A.CONFIDENTIAL).

With a wonderful real story like this and a cast of this level, MARSHALL could only be a movie of excellence. Clever, well-done, thrilling, blunt, the movie stirs the viewer deeply, portraying the injustices of a not so distant era.

Marshall is a film that is recommended to all who understand how values ​​related to diversity and inclusion today, as in past decades are essential for a better world.

EMMANUELLE: Filmes Clássicos do Erotismo Soft Voltam na BAND

Em 1974, um filme medíocre dirigido por um cineasta francês de talento duvidoso e com um elenco desconhecido sacudiu o mundo. EMMANUELLE, baseado no livro da escritora Emmanuelle Arsan – assim como os livros que venderam milhões de cópias – foi um sucesso mundial atraindo milhões de espectadores.

A protagonista era uma atriz holandesa até então absolutamente desconhecida, Sylvia Kristel, 22 anos, assumiu a tarefa de viver a desinibida esposa de um diplomata francês transferido para trabalhar em Bangkok. Iniciando pela antológica cena de sexo no avião (que marcou história) e embalada pela música melosa de Pierre Bachelet (balada que correu o mundo) e passando por inúmeras cenas de sexo, nudez total, lesbianismo e exibicionismo.

A ruindade do elenco e a superficialidade da história e da abordagem do cineasta ficavam em segundo plano diante da estupefação internacional com o filme. O filme era um soft pornô, assim definido o tipo de filme de nudez total feminina mas sem exibir sexo explícito e/ou nudez frontal masculina.

O sucesso foi tamanho que no ano seguinte, a mesma equipe fez EMANUELLE 2: A ANTIVIRGEM, exatamente com a mesma abordagem. Os filmes foram se sucedendo. Chegou a ter 12 filmes! A holandesa Sylvia Kristel , além da franquia Emmanuelle fez muitos filmes em Hollywood, inclusive uma versão de O AMANTE DE LADY CHATERLEY e uma comédia com o Agente 86, Maxwell Smart, A BOMBA QUE DESNUDA.

Os filmes da série EMMANUELLE por muito tempo foram exibidos nas madrugadas da TV Bandeirantes, sempre com altas audiências. Por incrível que pareça, EMMANUELLE 2 volta a ser exibida nesta semana no Band. Vai parecer um filme adolescente e ingênuo perto do que se vê hoje nas novelas, séries e internet.

In 1974, a mediocre film directed by a French filmmaker (Just Jaeckin) of dubious talent and an unknown cast shook the world. EMMANUELLE, based on writer Emmanuelle Arsan‘s book – as well sold millions of copies – was a worldwide success attracting millions of viewers.

The protagonist was a previously unknown Dutch actress, Sylvia Kristel, 22, took on the task of living the uninhibited wife of a French diplomat transferred to work in Bangkok. Starting with the anthological plane sex scene (which marked history) and rocked by the melodious music of Pierre Bachelet (world-wide ballad) and going through countless sex scenes, total nudity, lesbianism and exhibitionism.

The badness of the cast and the superficiality of the filmmaker’s story and approach were in the background in the face of international astonishment at the film. The movie was soft porn, so defined the type of full female nudity movie but without showing explicit sex and / or male frontal nudity.

Success was so great that the following year, the same team did EMANUELLE 2: L’ANTIVIERGE, with exactly the same approach. The movies were succeeding each other. It even had 12 movies! Dutch Sylvia Kristel, in addition to the Emmanuelle franchise, has made many Hollywood films, including a version of LADY CHATERLEY’S LOVER and a comedy with Agent 86, Maxwell Smart, THE NAKED BOMB.

Movies from the EMMANUELLE series have long been screened at dawn on TV Bandeirantes, always with high audiences. Amazingly, EMMANUELLE 2 will be airing again this week at the Band TV. It will look like a naive teen movie close to what you see today in soap operas, series and the internet.

TRAILERS: Uma atração antes do filme e uma arte pouco valorizada

Certa vez, quando eu era Presidente do Clube de Cinema de Porto Alegre, o Gerente local da Columbia, Roberto Plotecia me ofereceu exibir antes de uma das sessões do Clube de Cinema um rolo de trailers das próximas atrações cinematográficas da Columbia. Eram mais de 20 trailers dos filmes que viriam pela frente. Enquanto eu vibrava a cada novo trailer exibido, fui notando um sentimento de desagrado em boa parte dos espectadores achando a quantidade exagerada.

Aqui no Brasil, raramente um cinema exibe mais do que três ou quatro trailers antes do filme. Nos Estados Unidos – como os horários de sessões são mais espaçados devido ao maior número de salas – é comum se ver dez ou doze trailers antes do filme.

Os trailers até estão na moda, sendo anunciadas com antecedência (e estardalhaço de mídia) a primeira veiculação de um trailer de um filme muito aguardado tipo STAR WARS ou VINGADORES.

Fazer um bom trailer é uma arte. Deve-se mostrar o suficiente para despertar no espectador o forte desejo de ver o filme que vai entrar em cartaz daqui algum tempo, mas não se pode mostrar qualquer cena essencial da trama que conduza a um spoiler.

Com sempre gostei muito de ver trailers, lembro de alguns maravilhosos que marcaram época, como o de TUBARÃO (filme lançado no Brasil seis meses depois dos EUA), o de STAR WARS e o de CAÇADORES DA ARCA PERDIDA.

Hoje, olhando trailers clássicos de décadas passadas se vê com clareza como a linguagem do marketing cinematográfico evoluiu e como a ideia de fazer propaganda de um filme mudou completamente nestes muitos anos de cinema.

O canal de TV E! Entertainment chegou a ter, por anos a fio, um programa chamado COMING ATTRACTIONS, com trailers dos próximos sucessos das telas. O YOUTUBE tem vários canais dedicados a trailers. Hoje existe até um app chamado TRAILERS, contendo apenas os previews dos futuros filmes. Mas existem também os trailers fake, maliciosa ou inocentemente feitos por fãs de cinema pelo mundo.

Once, when I was President of the Porto Alegre Film Club, local Columbia Manager Roberto Plotecia offered to show me before one of the Film Club sessions a roll of trailers for Columbia’s upcoming movie attractions. There were more than 20 movie trailers to come. As I vibrated with each new trailer, I noticed a feeling of displeasure in most viewers finding the amount exaggerated.

Here in Brazil, rarely does a movie theater show more than three or four trailers before the movie. In the United States – as session times are more widely spaced due to the larger number of screens – it’s common to see ten or twelve trailers before the movie.

Trailers are nowadays in vogue, announcing in advance (and with media hype) the first release of a long-awaited STAR WARS or Avengers movie trailer.

Making a good trailer is an art. It should be shown enough to arouse in the viewer the strong desire to see the movie that will go on in a while, but no inclusion of any essential scene of the plot leading to a spoiler.

I’ve always been very fond of watching trailers; I remember some of the marvelous previews, like JAWS (movie released in Brazil six months after the US), STAR WARS, and RAIDERS OF THE LOST ARK.

Today, looking at classic trailers from decades past, you can clearly see how the language of film marketing has evolved and how the idea of ​​advertising a movie has changed completely in these many years of cinema.

The TV channel E! Entertainment used to have, for years, a program called COMING ATTRACTIONS, with trailers of upcoming screen hits. YOUTUBE has several channels dedicated to trailers. Today there is even an app called TRAILERS, containing only previews of future movies. But there are also fake trailers, maliciously or innocently made by movie fans around the world.

EW Lista os Dez Maiores Personagens By Quentin Tarantino

A EW fez uma matéria listando os dez melhores personagens dos filmes de Quentin Tarantino. Deu o seguinte:

  1. Beatriz Kiddo (Uma Thurman em KILL BILL);
  2. Jules Winfield (Samuel L.Jackson em PULP FICTION);
  3. Vincent Vega (John Travolta em PULP FICTION);
  4. Mia Wallace (Uma Thurman em PULP FICTION);
  5. Hans Landa (Christoph Waltz em BASTARDOS INGLÓRIOS);
  6. Django Freeman (Jamie Foxx em DJANGO LIVRE);
  7. Aldo Raine (Brad Pitt em BASTARDOS INGLÓRIOS);
  8. Bill (David Carradine em KILL BILL);
  9. Jackie Brown (Pam Grier em JACKIE BROWN);
  10. Marcelus Wallace (Ving Rhames em PULP FICTION)

Menção Honrosa: Rick Dalton e Cliff Booth (Leonardo di Caprio e Brad Pitt em ERA UMA VEZ…EM HOLLYWOOD)

EW published a story listing the top ten characters in Quentin Tarantino’s movies, as follows:

  1. Beatriz Kiddo (Uma Thurman in KILL BILL);
  2. Jules Winfield (Samuel L.Jackson in PULP FICTION);
  3. Vincent Vega (John Travolta in PULP FICTION) );
  4. Mia Wallace (Uma Thurman in PULP FICTION);
  5. Hans Landa (Christoph Waltz in INGLORIOUS BASTARDS);
  6. Django Freeman (Jamie Foxx in DJANGO UNCHAINED);
  7. Aldo Raine (Brad Pitt in INGLORIOUS BASTARDS);
  8. Bill (David Carradine in KILL BILL);
  9. Jackie Brown (Pam Grier in JACKIE BROWN);
  10. Marcelus Wallace (Ving Rhames in PULP FICTION)

Honorable Mention: Rick Dalton and Cliff Booth (Leonardo di Caprio and Brad Pitt in ONCE UPON A TIME… ON HOLLYWOOD)

BADLA: Bollywood Refilma o Excelente CONTRATIEMPO Cena a Cena

A NETFLIX tem em sua lista de filmes o excelente thriller CONTRATIEMPO, produção espanhola do cineasta Oriol Paulo. O filme narra a história de um milionário jovem empresário que se envolve em um misterioso episódio policial e se vê forçado a contratar um renomado criminalista para preparar seu depoimento às autoridades que estão na iminência de prende-lo.

Agora chega a NETFLIX, o filme BADLA, do cineasta indiano Sujoy Ghosh uma produção Indiana típica de Bollywood, um dos polos cinematográficos mais prolíficos do mundo.

BADLA refilma CONTRATIEMPO cena a cena, fazendo modificações tópicas em sua narrativa. A protagonista acusada do crime, por exemplo é uma mulher, a ótima e linda atriz indiana Taapse Pahnu, como a executiva milionária Naina Seth, que vive o drama de estar momentos antes de ser presa.

O famoso advogado Badhal Gupta é vivido por Amitabh Bachchan. Com eles estão atores e atrizes famosos na Índia, como Amrita Singh, Antonio Aakeel e Tony Luke.

O roteiro do filme original (aqui recriado) é excelente e proporciona diversas cenas extraordinárias entre os dois personagens principais, enquanto dão as várias versões sobre os fatos ocorridos nos meses anteriores ao encontro.

Vale muito a pena ver BADLA. O filme nos dá uma perfeita ideia sobre a fábrica de sonhos de Bollywood. Não atinge o nível de CONTRATIEMPO, um thriller mais maduro e bem elaborado. Mas como filme policial destinado a prender a atenção do espectador e criar suspense, BADLA atinge com excelência seus objetivos.

NETFLIX has in its list of feature films the excellent thriller CONTRATIEMPO, Spanish production by filmmaker Oriol Paulo. The film tells the story of a millionaire young businessman who gets involved in a mysterious police episode and is forced to hire a renowned criminalist to prepare his statement to the authorities who are about to arrest him.

Now comes also in NETFLIX, the film BADLA, by Indian filmmaker Sujoy Ghosh, a typical Bollywood production, one of the most prolific film poles in the world.

BADLA remakes CONTRATIEMPO scene by scene, making topical modifications to its narrative. The protagonist accused of the crime, for example, is a woman, the great and beautiful Indian actress Taapse Pahnu, like the millionaire executive Naina Seth, who lives the drama of being moments before she is arrested.

The famous lawyer Badhal Gupta is lived by Amitabh Bachchan. With them are famous actors and actresses in India such as Amrita Singh, Antonio Aakeel and Tony Luke.

The script for the original movie (recreated here) is excellent and provides several extraordinary scenes between the two main characters, while giving the various versions of the facts that occurred in the months prior to the meeting.

It’s very worth seeing BADLA. The movie gives us a perfect idea about the Bollywood dream factory. It does not reach the level of CONTRATIEMPO, a more mature and elaborate thriller. But as a thriller designed to catch the viewer’s attention and create suspense, BADLA excellently achieves its goals.

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA: Drama de Tribunal Exemplar Segue Moderno e Impecável Após 29 Anos

Scott Turow foi um dos primeiros advogados (John Grisham, Michael Connelly) a explodir no mundo do entretenimento com livros policiais que tem como pano de fundo advogados, justiça, magistrados e dramas de tribunal. Seu ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (para mim até hoje seu melhor trabalho) chegou ao cinema em 1990, pelas mãos do excelente Alan J. Pakula (KLUTESEU PASSADO CONDENA, A TRAMA, TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE e A ESCOLHA DE SOFIA).

O cineasta novaiorquino falecido em 1998 foi um mestre dos filmes com intrigas políticas e dramas rasgados de personagens inesquecíveis. Aqui ele pegou o livro de Turow e fez um filmado. O Promotor Público Assitente Rusty Sabich (Harrison Ford em um dos seus melhores trabalhos) é acusado de assassinar sua colega de Promotoria, a linda e ambiciosa Carolyn Polhemus (excelente papel da atriz italiana Greta Scacchi).

O escândalo eclode em meio à sangrenta campanha de reeleição do Procurador Geral Raymond Horgan (ótimo papel de Brian Dennehy), lutando voto a voto contra o rival Nico della Guardia (Tom Mardirosian). ainda há na história quatro outros personagens memoráveis. A deprimida e misteriosa esposa de Sabich (Bonnie Bedelia), o Juiz Larry Little com um passado nebuloso (Paul Winfield), o excelente advogado de defesa Sandy Stern (maravilhosa interpretação do precocemente falecido Raul Julia) e o detetive Dan Lipranzer (John Spencer).

Neste mosaico de crime, paixões, ciúmes, rivalidades, ambições e sexo, Turow e Pakula conseguiram fazer uma obra prima de entretenimento, emoção e envolvimento, assegurando ao espectador duas horas de puro encantamento.

O filme vai fazer trinta anos em 2020. Segue sendo exemplar como drama de tribunal, inserindo-se na linha dos grandes títulos do gênero, na melhor tradição de TESTEMUNHA DE ACUSAÇÃO, O SOL É PARA TODOS, 12 HOMENS E UMA SENTENÇA, JULGAMENTO EM NUREMBERG e ANATOMIA DE UM ASSASSINATO. Mais modernamente, O VEREDITO, JUSTIÇA PARA TODOS, FILADELFIA, AS DUAS FACES DE UM CRIME, TEMPO DE MATAR e QUESTÃO DE HONRA.

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA é um filme que se recomenda sem restrições para quem curte os ótimos dramas de tribunal.

Scott Turow was one of the first lawyers (John Grisham, Michael Connelly) to explode in the entertainment world with thriller books that are backed by lawyers, justice, judges and court dramas. His PRESUMED INNOCENT (for me his best work to date) came to the movies in 1990, by the hands of the excellent Alan J. Pakula (KLUTE, THE PARALLAX VIEW, ALL THE PRESIDENT’S MEN and SOPHIE’S CHOICE).

The New York filmmaker who died in 1998 was a film master with political intrigue and torn dramas of unforgettable characters. Here he took Turow’s book and filmed it. Assistant Public Prosecutor Rusty Sabich (Harrison Ford in one of his best works) is accused of murdering his beautiful and ambitious Prosecutor colleague Carolyn Polhemus (excellent role of Italian actress Greta Scacchi).

The scandal erupts amid Attorney General Raymond Horgan‘s bloody reelection campaign (great role of Brian Dennehy), fighting vote-by-vote against rival Nico della Guardia (Tom Mardirosian). There are still four other memorable characters in the story. Sabich’s depressed and mysterious wife (Bonnie Bedelia), Judge Larry Little with a hazy past (Paul Winfield), excellent defense attorney Sandy Stern (wonderful work of the late Raul Julia) and detective Dan Lipranzer (John Spencer) .

In this mosaic of crime, passion, jealousy, rivalry, ambition and sex, Turow and Pakula have managed to masterpiece entertainment, excitement and involvement, ensuring the viewer two hours of pure enchantment.

The film will turn thirty years in 2020. It continues to be exemplary as a court drama, fitting in with the great titles of its kind, in the best tradition of WITNESS FOR THE PROSECUTION, TO KILL A MOCKINBIRD, 12 ANGRY MEN, JUDGEMENT AT NUREMBERG and ANATOMY OF A MURDER. Later on, THE VERDICT, AND JUSTICE FOR ALL, PHILADELPHIA, A TIME TO KILL, PRIMAL FEAR and A FEW GOOD MEN.

PRESUMED INNOCENT is a film that is unrestrictedly recommended for those who enjoy the great court room dramas.

BLECAUTE: Interminável Série Espanhola Sobre Criminalista com Amnésia Exagera no Número de Temas que Aborda

BLECAUTE (disponível no GLOBOPLAY) é uma série espanhol (também conhecida como SÉ QUIEN ERES ou I KNOW WHO YOU ARE) que traz a história de um notório advogado criminalista de Barcelona que sofre um acidente de carro e acorda com amnésia. Ocorre que no automóvel são encontrados o telefone celular e traços de sangue de sua sobrinha desaparecida.

Eleito desde o início como o principal suspeito por parte da polícia, Ministério Público e imprensa, a vida do advogado Juan Elias (Frances Garrido) entra no centro de um furacão que vai envolver todos a sua volta.

A esposa é uma magistrada acusada de usar métodos pouco republicanos para atingir seus objetivos. A atriz Blanca Portillo (trabalhou com Almodóvar em ABRAÇOS PARTIDOS e VOLVER) faz muito bem seu papel de mãe, esposa e juíza tentando manter as coisas como eram. Uma ex-amante do advogado e hoje integrante de um escritório rival (a jovem Aida Folch, de O ARTISTA E A MODELO) é contratada para Assistente da Acusação pelo pai da desaparecida(Nancho Novo), um rival político do acusado .

Como se isto não bastasse, ainda entram no jogo o sócio corrupto do advogado (Antonio Dechent), uma promotora ambiciosa e sexualmente predadora (Eva Santolaria) e a história da desaparecida sobrinha Ana, papel da jovem premiada atriz ascendente Susana Abaitua.

Há dois problemas claros em BLECAUTE : a excessiva duração (16 episódios de 90 minutos) e o número demasiado de temas que aborda (temos de corrupção judicial a incesto, de tráfico de drogas a disputa política universitária, de desfalque em empresas a homossexualismo, de eutanásia a fake news, de imprensa sensacionalista a vingança por amores não correspondidos). É muita coisa para um seriado só.

O resultado é obviamente uma colcha de retalhos que vai minando a credibilidade da história, principalmente quando o roteiro começa a ter dificuldades em amarrar todas as pontas da história de cada um dos mais de vinte personagens centrais.

O ponto de partida da história (o advogado realmente tem amnésia ou é um criminoso usando a técnica de defesa de dizer que não se lembra de nada como várias vezes aconselhou a clientes) é tão interessante que o espectador segue em frente para saber o final da história.

Se outros méritos não tivesse (e tem vários), BLECAUTE já teria este ponto positivo de ter encontrado uma história atraente e moderna. É para ver com o dedo no botão flash forward do controle remoto, pulando várias cenas repetitivas e monótonas.

I KNOW WHO YOU ARE (available on GLOBOPLAY) is a Spanish series (also known as SÉ QUIEN ERES) that tells the story of a notorious Barcelona criminal lawyer who suffers a car accident and wakes up with amnesia. It turns out that in the car are found the cell phone and traces of blood of his missing niece.

Elected as the prime suspect by the police, prosecutors and the press, the life of lawyer Juan Elias (Frances Garrido) enters the center of a hurricane that will surround everyone around him.

The wife is a magistrate accused of using unrepresentative methods to achieve her goals. Actress Blanca Portillo (worked with Almodóvar on BROKEN EMBRACES and VOLVER) does her role of mother, wife and judge very well trying to keep things as they were. A former lawyer’s mistress and now a member of a rival law firm (young Aida Folch of THE ARTIST AND MODEL) is hired as Assistant to the Prosecution by the father of the missing (Nancho Novo), a political rival of the accused.

As if that were not enough, the lawyer’s corrupt partner (Antonio Dechent), an ambitious and sexually predatory D.A. (Eva Santolaria) and the story of the missing niece Ana, role of the young award-winning upstart actress Susana Abaitua, are still in the game.

There are two clearly problematic issues in I KNOW WHO YOU ARE: the excessive duration (sixteen 90-minute episodes) and the too many issues it addresses (we have from judicial corruption to incest, from drug trafficking to university political dispute, from embezzlement to business to homosexuality, from euthanasia to fake news, from sensational press to revenge for unrequited love). It’s a lot for one show.

The result is obviously a patchwork that undermines the story’s credibility, especially as the script begins to have difficulty tying all the story ends of each of the more than twenty central characters.

The starting point of the story (the lawyer really has amnesia or is a criminal using the defensive technique of saying he doesn’t remember anything as he has repeatedly advised clients) is so interesting that the viewer goes on to know the end of the story.

If other merits had not (and it has several), I KNOW WHO YOU ARE would already have this positive point of having found an attractive and modern story. It’s to see with your finger on the flash forward button on the remote, skipping various repetitive and monotonous scenes.