IMPULSO ASSASSINO: Thriller Canadense Amontoa Clichês sobre Serial Killer e Perde Bom Argumento

IMPULSO ASSASSINO (WILLED TO KILL), thriller canadense de 2012, dirigido pelo cinesta Phillipe Gagnon (natural de Quebec) é um filme que coleciona os clichês sobre serial killers que fascinam o cinema há tantos anos.

Temos a policial linda e obcecada na caça de um assassino em série, os traumas do passado (ele denunciou o pai assassino anos atrás), o parceiro querido (um ex-namorado por quem a protagonista ainda é apaixonada mas que vai casar outra vez com uma menina que está grávida), um psiquiatra do departamento de polícia que parece esconder mais fatos do que revelar, um namorado novo que rapidamente se inscreve entre os suspeitos, os telefonemas do assassino para a policial, em cenas que não mostram seu rosto e assim por diante.

Você deve ter reconhecido nestes fatos, partes originalmente contantes de roteiros de clássicos do gênero, como INSTINTO SELVAGEM, COPYCAT, SEVEN, OS SETE PECADOS CAPITAIS, O SILÊNCIO DOS INOCENTES, o menos votado SEM VESTÍGIOS e muitos outros títulos do gênero.

A figura do serial killer fascina a literatura policial e o cinema desde sempre, iniciando com o personagem de Jack o Estripador, que já apareceu em centenas de filmes e séries.

O diretor Gagnon, figurinha constante de telefilmes canadenses traz como protagonista a linda americana Sarah Jane Morris, de BROTHERS AND SISTERS, SETE VIDAS e COYOTE UGLY. Ela dá vida à policial Karyn Michell, obstinada em capturar o assassino em série conhecido como Hades, que mata suas vítimas com um tiro à queima roupa e lhes grava um símbolo com uma faca.

O que era um argumento um tanto batido mas interessante, vira uma coleção de lugares comuns, onde os suspeitos vão caindo um a um até se revelar o grande vilão em um suposto twist final que o espectador mais acostumados ao gênero já descobriu bem antes.

IMPULSO ASSASSINO (disponível no AMAZON PRIME) poderia ter sido um belo thriller. Ficou pelo caminho.

WILLED TO KILL, Canadian thriller (2012), directed by Phillipe Gagnon (born in Quebec) is a film that collects the clichés about serial killers that have fascinated cinema for so many years.

We have the beautiful and obsessed police officer on the hunt for a serial killer, the traumas of her past (she denounced the killer father years ago), the beloved partner (an ex-boyfriend whom the protagonist is still passionate about but who is going to marry again with a girl who is pregnant), a police department psychiatrist who seems to hide more facts than revealing, a new boyfriend who quickly enrolls himself among the suspects, phone calls from the killer to the cop, in scenes that do not show his face, and so on.

You must have recognized in these facts, parts originally scripted of classics of the genre, such as BASIC INSTINCT, COPYCAT, SEVEN, SILENCE OF THE LAMBS, the least voted UNTREACEBLE and many other titles of the genre.

The serial killer has fascinated literature and filmmaking ever since, beginning with the character of Jack the Ripper, who has appeared in hundreds of films and series.

Director Gagnon, a leading Canadian television moviemaker, brings Sarah Jane Morris(BROTHERS AND SISTERS, SEVEN LIVES and COYOTE UGLY) as his main actress. She gives life to police officer Karyn Michell, intent on capturing the serial killer known as Hades, who kills her victims with a bullet and burns a symbol with a knife.

What was a rather beaten but interesting argument, it turns out to be a collection of common places where the suspects are falling one by one until it turns out to be the great villain in a supposed final twist that the spectator more accustomed to the genre already discovered well before.

WILLED TO KILL (available on AMAZON PRIME) could have been an excellent thriller. It stayed by the way.

O ÚLTIMO SUSPIRO: Distopia Canadense Mostra Bruma Misteriosa Cobrindo Paris

O ÚLTIMO SUSPIRO, do cineasta canadense Daniel Roby tem um ponto de partida para lá de instigante: após um terremoto, uma bruma misteriosa sai do solo Parisiense e cobra boa parte da cidade. Para piorar muito a situação, os humanos não conseguem respirar nela e morrem feito enxame de abelhas.

Isto obriga quem quer sobreviver a subir para os pontos mais altos da cidade e dos prédios ou usar máscars de oxigênio para poder respirar.

Esta inexplicada catástrofe natural apanha o casal recém separado Mathieu e Ana em meio a uma crise pelo estado de saúde da filha Sarah, presa em uma bolha hospitalar em face de sua baixa imunidade. Eles são o ator francês Romain Duris (O ALBERGUE ESPANHOL) e a bela atriz Ucraniana Olga Kurilenko (que já foi Bond Girl em QUANTUM OF SOLACE). A menina é a jovem ascendente belga Fantine Arduim.

A angústia pela subida lenta e constante da nuvem mortal e as poucas opções de sobrevivência despertam o melhor e o pior dos seres humanos, variando da solidariedade disposta a qualquert sacrifício até a ganância e a violência sem limites.

Esta alegoria distópica canadense consegue não somente atrair o espectador para o desenrolar da história, como criar uma alegoria sobre saúde e doença realmente criativa no desfecho de sua narrativa.

O ÚLTIMO SUSPIRO está disponível no HULU, AMAZON PRIME e YOUTUBE. Deve aparecer nos demais serviços de streaming muito breve. Passou nos cinemas brasileiros mas não teve o destaque que merece.

DANS LA BRUME (JUST A BREATH AWAY), by Canadian filmmaker Daniel Roby has a starting point beyond very instigating: after an earthquake, a mysterious mist leaves the Parisian soil and covers much of the city. To make matters worse, humans can not breathe in it and die as a swarm of bees.

This natural disaster forces those who want to survive to climb to the highest points of the city and buildings or use oxygen masks to breathe.

This unplanned natural catastrophe catches the newly separated couple Mathieu and Ana in the midst of a crisis due to the state of health of their daughter Sarah, trapped in a hospital bubble because of her low immunity. They are the French actor Romain Duris (ALBERGUE ESPANHOL) and the beautiful Ukrainian actress Olga Kurilenko (who was once Bond Girl in QUANTUM OF SOLACE). The girl is the young Belgian rising Fantine Arduim.

The anguish of the slow and steady rise of the deadly cloud and the few survival options awaken the best and the worst of human beings, ranging from willingness to sacrifice to unlimited greed and violence.

This Canadian dystopian allegory succeeds in attracting the viewer to the unfolding of history, as well as creating an metaphor about health and illness really creative in the outcome of his narrative.

JUST A BREATH AWAY is available on HULU, AMAZON PRIME and YOUTUBE. It should appear in other streaming services very soon. It was released in the Brazilian theaters but it did not have the highlight that it deserves.

SPINNING MAN: Filme Policial Questiona a Verdade e a Mentira

SPINNING MAN, filme policial que o cineasta sueco Simon Kaijser dirigiu em 2018 veio direto para o streaming, estando à disposição no NOW da NET. Como centenas de filmes médios (tanto em recursos de produção quanto em resultados criativos e de bilheteria), a forma de lança-lo mundialmente foi nos serviços domésticos de streaming, evitando que permanecesse inédito.

Um professor de filosofia que tem vários casos de envolvimentos amorosos com alunas é acusado de ter participado do desaparecimento de uma jovem na pequena cidade litorânea para onde se mudou com a família depois do último escândalo que resultou em seu afastamento da escola anterior onde lecionava.

O policial que passa a lhe atormentar a vida, vivido muito bem por Pierce Brosnan é um misto do Tenente Columbo, personagem imortal da televisão do ator Peter Falk e a Detetive Andrea Cornell (ótima personagem de Juliette Lewis nas duas temporadas da série VERDADES E MENTIRAS). Meticuloso, reflexivo e torturante para o suspeito, ele cerca sua vítima com aparições inesperadas, perguntas aparentemente despretensiosas e muita investigação sobre o passado de seu alvo.

O acusado é o ator inglês Guy Pierce, protagonista de ótimos filmes como L.A. CONFIDENTIAL e AMNÉSIA. As dúvidas que o próprio personagem tem sobre os fatos ocorridos e a teia de mentiras em que ele se envolve para tentar escapar ao cerco dão espaço para um ótimo questionamento sobre o que é verdade e o que é apenas uma percepção sobre o que efetivamente ocorreu.

Ainda é destaque do elenco a sempre interessante Minnie Driver, também britânica e indicada ao Oscar por GÊNIO INDOMÁVEL. Embora sua carreira não esteja mais no crescimento que já teve, ela é sempre uma nota a ser feita.

SPINNIG MAN não consegue alçar vôos mais altos, mas como entretenimento atinge no alvo seu objetivo de criar uma história policial atraente, com reflexões filosóficas ainda mais criativas que mantém sem dificuldade a atenção do espectador.

SPINNING MAN, the thirller made by the Swedish film director Simon Kaijser in 2018, went straight to streaming, being available on NET’s NOW. As hundreds of medium-length films (both in production resources and in creative and box office results), the way to launch it worldwide was in the domestic streaming services, preventing it from remaining unreleased.

A philosophy teacher who has several cases of love affairs with students is accused of having participated in the disappearance of a young woman in the small coastal town where he moved with his family after the last scandal that resulted in leaving the previous school where he taught.

Pierce Brosnan’s life-long cop is a combination of Lieutenant Columbo, the immortal character of actor Peter Falk in television and Detective Andrea Cornell (Juliette Lewis’s great character in the two seasons of the series SECRETS AND LIES). Meticulous, thoughtful and torturous to the suspect, he surrounds his victim with unexpected appearances, seemingly unpretentious questions, and much investigation into the past of his target.

The accused is the English actor Guy Pierce, protagonist of great films like L.A. CONFIDENTIAL and MEMENTO. The character’s own doubts about the events and the web of lies in which he is involved in trying to escape the siege give room for a great questioning about what is true and what is only a perception about what actually occurred.

Another highlight of the cast is the always interesting Minnie Driver, also British and nominated for the Oscar by GOOD WILL HUNTING. Although her career is no longer in the growth once had, it is always a note to be made.

SPINNIG MAN can not lift higher flights, but as entertainment reaches its goal of creating an attractive mistery story with even more creative philosophical reflections that keep the viewer’s attention easily.

JOHN WICK 3 – PARABELLUM: Milhares de Mortes, Muitas Lutas e Algumas (Poucas) Coisas Boas

O primeiro filme de John Wick – até pela novidade – trazia muitos elementos de interesse sobre a história de um assassino profissional que abandonou a profissão. Quando a esposa e o cachorro são mortos, ele volta às armas e revela fazer parte de uma organização completamente louca de assassinos e contratos para matar pessoas.

O ineditismo do argumento e as muitas nuances enlouquecidas do filme (como o Hotel Continental onde os assassinos se hospedavam mas dentro do qual não podiam matar ninguém) fizeram do opus one um filme ótimo de se ver.

A continuação teve como atrativo principal a quebra das regras por John Wick e as ditas consequências de seus atos.

Esperava-se muito deste capítulo terceiro, já que o sucesso dos dois anteriores garantiu recursos de produção acima da média.

JOHN WICK 3 – PARABELLUM ainda mantém algumas coisas boas dos dois anteriores (como o Hotel Continental e o trio central Keanu Reeves, Lance Reddick e Ian McShane), acrescentou presença relevantes no elenco original (Halle Berry e a ótima Asia Kate Dillon, Angelica Houston e Lawrence Fishburne) mas falhou no roteiro fraco e com uma história que cabia em trinta minutos de filme.

Com o resultado, o diretor especialista em lutas marciais Chad Stahelski estica o filme com uma dúzia de cenas de lutas, milhares de assassinatos e diversas perseguições. Curiosamente, os melhores momentos do filme estão justamente nos intervalos das cenas de ação, quando é dado aos personagens proferir as falas do roteiro.

O filme, em muitos momentos, parece um videogame. Como já deixaram a porta aberta para John Wick 4, espera-se que o próximo venha com mais filme e menos tiroteio.

John Wick’s first film – even for the novelty – brought many elements of interest in the story of a professional murderer who left the profession. When his wife and dog are killed, he goes back to arms and reveals himself to be part of a completely crazy organization of killers and contracts to kill people.

The novelty of the plot and the many crazed nuances of the film (such as the Continental Hotel where the killers were staying but within which they could not kill anyone) made opus one a great movie to see.

The main attraction of the second film was the breaking of the rules by John Wick and the consequences of his actions.

Much more great things was expected of this third chapter as the success of the previous two guaranteed production resources above average.

JOHN WICK 3 – PARABELLUM still retains some good things from the previous two (such as the Continental Hotel and central trio Keanu Reeves, Lance Reddick and Ian McShane), added significant presence in the original cast (Halle Berry and the great Asia Kate Dillon , Angelica Houston and Lawrence Fishburne) but failed in the weak script and with a story that fit in thirty minutes of film.

As a result, martial arts director Chad Stahelski stretches out the film with a dozen scenes of fights, thousands of murders and various persecutions. Curiously, the best moments of the film are just in the intervals of the action scenes, when the characters are allowed to say the lines of the script.

The movie, at several times, looks like a video game. As they have already left the door open for John Wick 4, the next one is expected to come with more film and less shooting.

CASAL IMPROVÁVEL: Comédia Romântica Investe Contra o Preconceito e a Velha Política

CASAL IMPROVÁVEL, de Jonathan Levine (MEU NAMORADO É UM ZUMBI) é um ótimo filme. Ele se baseia em um excelente roteiro escrito por Dan Sterling e Chris Hannah. Misturando política, liberdade de expressão, valores e amor, o filme aposta alto ao narrar a história da Secretária de Estado dos EUA que pretende ser a primeira Presidente mulher da história daquele país.

Depois de enorme dificuldade em conseguir o suporte do atual Presidente (Bob Odenkirk, de TRUE BLOOD em um personagem bem divertido de um ex-ator de televisão que foi para a política e agora quer se lançar no cinema), ela recebe pesquisas que indicam que a maior dificuldade em sua imagem é a falta de humor em suas falas.

Decide então contratar para a equipe um ex-crush dos tempos de escola, um jornalista de esquerda, anarquista e liberal com forte resistência aos métodos do sistema.

A volta da antiga paixão faz os dois se envolverem cada vez mais em um relacionamento profissional e amoroso com muito pouca chance de dar certo.

Cada dificuldade do trabalho dela e/ou da relação impacta os dois protagonistas.

Charlize Theron (Oscar de Melhor Atriz em MONSTER) consegue fazer otimamente seu papel principal, atuando bem e mostrando-se cada vez mais linda. Seth Rogen (uma das pessoas mais criativas da atualidade em Hollywood) por sua vez, segue fazendo seu eterno papel de adulto com jeito de adolescente. O que, diga-se de passagem, faz com grande talento e graça raramente vistas no cinema atual.

O filme investe contra todos os tipos de preconceitos acertando em cheio o alvo. As soluções finais do roteiro parecem demasiadamente ingênuas ou cor de rosa, mas o filme é, sem duvida, tão bem feito e escrito quanto divertido de se assistir.

LONG SHOT, by Jonathan Levine (WARM BODIES) is a great movie. It is based on an excellent script written by Dan Sterling and Chris Hannah. Blending politics, freedom of expression, values ​​and love, the film bets high on telling the story of the US Secretary of State who claims to be the first female President in that country’s history.

After enormous difficulty in getting support from the current President (Bob Odenkirk, from TRUE BLOOD in a very entertaining character of a former television actor who went to politics and now wants to launch himself in the movies), she receives one research which indicate that the greatest difficulty about her public image is the lack of humor in her speeches.

She then decides to hire an ex-school crush, a leftist, anarchist and liberal journalist with strong resistance to system methods. The return of the old passion makes them more and more involved in a professional and loving relationship with very little chance of success.

Each difficulty of her work and / or relationship impacts the two protagonists.

Charlize Theron (Oscar for Best Actress in MONSTER) is able to do her best role optimally, acting well and becoming more and more beautiful. Seth Rogen (one of the most creative people in Hollywood today), in his turn, continues to play his eternal role as an grown teenager. What, by the way, makes great talent and grace rarely seen in current cinema.

The film invests against all sorts of prejudices by hitting the target in full. The final workings of the script look too naïve or pink, but the film is undoubtedly as well done and written as it is fun to watch.

TODOS JÁ SABEM: Elenco Espetacular e História Complexa com Vários Temas Importantes Valorizam Filme Lento

TODOS JÁ SABEM, do cineasta iraniano Asghar Farhadi é um drama familiar, com toques de policial, que narra a história do sequestro de uma adolescente em uma pequena comunidade agrícola espanhola, onde tinha ido com a mãe para o casamento de uma parente.

Há dois destaques positivos evidentes no filme: o primeiro é a reunião de três dos mais incensados atores da atualidade. Javier Bardem, Penelope Cruz e Ricardo Darín estão entre aqueles atores mais valorizados justamente pela extrema qualidade de seus trabalhos cinematográficos, sempre em altíssimo nível.

Javier Bardem, vencedor do Oscar de Melhor ator por ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ, dos irmãos Coen, já venceu 101 prêmios internacionais de interpretação. Segue sendo um dos maiores atores do cinema espanhol de todos os tempos.

Penélope Cruz, atriz madrilenha top de linha já teve grandes atuações com o ícone Pedro Almodóvar e com Woody Allen no excelente VICKY CRISTINA BARCELONA, cuja atuação lhe valeu um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Já venceu outros 55 prêmios de interpretação.

Ricardo Darin, ator argentino de filmes excelentes como O SEGREDO DOS SEUS OLHOS, de Juan Campanella, O FILHO DA NOIVA e UM CONTO CHINÊS vem fazendo carreira internacional de grande e merecido sucesso.

O elenco de TODOS JÁ SABEM ainda traz jovens atores e atrizes de alta qualidade como Barbara Lennie (como Bea esposa do personagem Paco), Inma Cuesta (Anna), Elvira Minguez e Carla Campra.

O segundo ponto p[ositivo de escol são os temas que o filme aborda: desfilam os segredos familiares, amores e rancores antigos, fidelidade, paternidade, problemas fundiários, disputas trabalhistas, rusgas entre famílias, todos aparecem no enredo policial que pontua a narrativa, sem ser a maior preocupação do cineasta.

Asghar Farhadi é hoje dos mais valorizados diretores de cinema do mercado de filmes de arte, sendo o responsável pelos premiados A SEPARAÇÃO e O APARTAMENTO.

TODOS JÁ SABEM é um filme lento e longo. Mas a categoria ímpar dos atores e a relevância indiscutível dos temas abordados garantem o interesse crescente até o final. O filme de Farhadi é profundamente humano e emotivo. Trata-se de cinema autoral de grande qualidade.

TODOS LO SABEN (EVERYBODY KNOWS), by Iranian filmmaker Asghar Farhadi is a family drama with touches of thriller, which tells the story of the kidnapping of a teenager in a small Spanish farming community, where she had gone with his mother for the marriage of a relative .

There are two positive highlights evident in the film: the first is the reunion of three of the most incensed actors of our time. Javier Bardem, Penelope Cruz and Ricardo Darín are among those actors most valued by the extreme quality of their cinematographic works, always at the highest level.

Javier Bardem, winner of the Oscar for Best Actor for NO COUNTRY FOR OLD MEN, by the Coen brothers, has already won 101 international awards. He continues being one of the greatest actors of the Spanish cinema of all the times.

Penélope Cruz, Madrid top actress has had great performances with the icon Pedro Almodóvar and Woody Allen in the excellent VICKY CRISTINA BARCELONA, whose performance earned her an Oscar for Best Supporting Actress. She has won another 55 interpreting awards.

Ricardo Darin, an Argentine actor with excellent films such as Juan Campanella‘s THE SECRET OF YOUR EYES, THE SON OF THE BRIDE and A CHINESE TALE has been making an international career of great and deserved success.

The cast of EVERYBODY KNOWS still brings young, high-quality actors and actresses like Barbara Lennie (like Paco’s wife Bea), Inma Cuesta (Anna), Elvira Minguez and Carla Campra.

The second point are the themes the film focus: family secrets, old loves and grudges, loyalty, fatherhood, land problems, labor disputes, family raids, all appear in the police plot that punctuates the narrative, without being the filmmaker’s biggest concern.

Asghar Farhadi is today one of the most valued filmmakers in the art film market, being responsible for the award winning A SEPARATION and THE APARTMENT.

EVERYBODY KNOWS is a long, slow movie. But the unique category of actors and the undisputed relevance of the topics covered ensure the growing interest until the end. Farhadi’s film is deeply human and emotional. This is high-quality author cinema.

TRÊS SEGUNDOS: Filme Russo Narra a Vitória do Time de Basquete da URSS sobre os EUA nos Jogos Olímpicos de Munique 1972

Em um vôo longo, escolher filmes desconhecidos para passar o tempo pode ser uma alternativa para combater o tédio. Em um recente vôo internacional, me deparei com o filme TRÊS SEGUNDOS (GOING VERTICAL), do cineasta russo Anton Mergedichev sobre a dramática vitória da Seleção Soviética de Basquete na Olimpíada de 1972, em Munique.

O atentado terrorista da Organização Setembro Negro contra atletas israelenses naquela Olimpíada entrou para a história como a nota principal do evento.

Mas no campo esportivo o fato mais memorável foi a primeira vitória de uma seleção de basquete que não a americana. A conquista da Seleção da U.R.S.S. teve toques dramáticos inesquecíveis e polêmicos, na mesma medida.

Houve três finais de jogo, em vista de haver três segundos faltando no relógio quando do primeiro final, com a vitória americana. No segundo final, onde outra vez prevaleceu a Seleção Americana, o cronômetro apresentou defeito. Em um terceiro e épico final, a Seleção soviética fez uma jogada incrível que terminou com a cesta do jogador Belov, selando o triunfo.

O filme de Mergedichev enfoca temas bastante atuais e interessantes, como a interferência do Governo nos esportes, a política nos Jogos Olímpicos e a formação de um time unido como única chance de vitória.

O problema é que tudo é feito de forma muito esquemática e plena de estereótipos, quase como em um telefilme padrão. Os bons são bons e os maus são maus, todos facilmente identificados.

Tirando este grave esquematismo do filme, a história sustenta o interesse do espectador. Ainda mais de quem gosta muito de basquete, este inacreditável e imprevisível esporte.

On a long flight, choosing unfamiliar movies to pass the time can be an alternative to combat boredom. On a recent international flight, I came across the film GOING VERTICAL, by Russian filmmaker Anton Mergedichev about the dramatic victory of the Soviet Basketball Team at the 1972 Munich Olympics.

The terrorist attack against Israeli athletes in that Olympics went down in history as the main note of the event.

But on the sports field the most memorable event was the first win of a basketball team other than the American. The achievement of the U.R.S.S. had dramatic touches unforgettable and controversial to the same extent.

There were three game finals, given that there were three seconds left on the clock when the first final, with the American victory. In the second final, where the American Team prevailed again, the stopwatch was defective. In a third and epic final, the Soviet team made an incredible play that ended with Belov’s basket sealing the win.

Mergedichev’s film focuses on current and interesting themes, such as government interference in sports, politics at the Olympics and the formation of a united team as the only chance for victory.

The problem is that everything is done in a very schematic and full of stereotypes, almost like in a standard telefilm. The good ones are good and the bad ones are bad, all easily identified.

Taking away this serious schematic of the film, the story sustains the interest of the viewer. Even more of those who love basketball, this incredible and unpredictable sport.

AQUAMAN: Entre Aventura de Super Herói e Desfile de Escola de Samba

AQUAMAN, de James Wan – como todos os filmes da DC Comics – oscila entre uma narrativa de super herói e um exagero na concepção visual e utilização de efeitos especiais que, em determinados momentos, faz o filme parecer um desfile de Escola de Samba na Marquês de Sapucaí.

Tudo é meio delirante, over e demasiadamente artificial. Os trajes brilhosos e multi coloridos, as explosões gigantescas, os monstros de tamanho descomunal, tudo leva a um distanciamento do espectador mais acostumado, por exemplo, com os filmes da concorrente MARVEL.

Claro que a produção do filme é impecável, o elenco recheado de atores e atrizes talentosos e história super atraente de ser acompanhada com atenção.

No caso de AQUAMAN, acho que os dois destaques maiores do elenco são femininos. Nicole Kidman, como Atlanna mais uma vez mostra seu talento e beleza superlativos. Esta atriz havaiana (muitos pensam que ela é australiana em face de sua carreira ter iniciado na Austrália), a cada trabalho, mostra mais competência em tipos variados. É dos maiores talentos do cinema atual.

Outra presença significativa é da texana Amber Heard, de MAGIC MIKE e A GAROTA DINAMARQUESA. Linda como poucas e cheia de talento, Amber vive a Princesa Mera, típica heroína moderna, decidida, ousada e lutadora.

O protagonista AQUAMAN, é vivido pelo também havaiana Jason Momoa, reconhecidamente um ator de filmes de ação em busca de afirmação. O filme do Rei da Atlantis é um avanço em sua carreira.

O sempre ótimo Willem Dafoe, Patrick Wilson e Dolph Lundgren completam o elenco.

AQUAMAN está longe de se inscrever entre os melhores filmes de super heróis. Mas também fica distante dos piores exemplares do gênero. É um filme de aventura que se assiste com atenção e interesse até o final, apesar dos excessos visuais cometidos.

James Wan‘s AQUAMAN – like all DC Comics films – ranges from a superhero narrative to an exaggeration in the visual design and use of special effects that, at certain moments, makes the movie look like a Carnival Show in the Marquês de Sapucaí.

Everything is kind of crazy, overly artificial. The bright and multi-colored costumes, the giant explosions, the monsters of enormous size, all lead to a distancing of the more familiar spectator, for example, with the films of competitor MARVEL.

Of course the production of the film is flawless, the cast stuffed with talented actors and actresses and super appealing story to be followed closely.

In the case of AQUAMAN, I think the two biggest highlights of the cast are female. Nicole Kidman, as Atlanna once again shows her superlative talent and beauty. This Hawaiian actress (many think she is Australian once her career having started in Australia), with each job, shows more competence in varied types. It is one of the greatest talents of current cinema.

Another significant presence is Amber Heard from MAGIC MIKE and the DANISH GIRL. Beautiful as few and full of talent, Amber lives the Princess Mera, typical modern heroine, determined, bold and fighter.

The protagonist AQUAMAN, is lived by the also Hawaiian Jason Momoa, admittedly an action movie actor in search of affirmation. The King of Atlantis movie is a breakthrough in his career.

Always great Willem Dafoe, Patrick Wilson and Dolph Lundgren complete the cast.

AQUAMAN is far from being among the best super hero movies. But it is also far from the worst of the kind. It is an adventure film that is watched with attention and interest until the end, despite the visual excesses committed.

TOLKIEN: Cinebiografia do Autor de O SENHOR DOS ANÉIS é Tradicional, Lenta e com Poucas Cenas Emocionantes

TOLKIEN, do cineasta Finlandês Dome Karukoski é uma cinebiografia do extraordinário autor da trilogia O SENHOR DOS ANÉIS, J.R.R.Tolkien. Focando a vida de um autor que primou por uma criatividade única em suas narrativas fantásticas, era justo se esperar que o filme também se desse o direito de ser livre, criativo e fantasioso.

Ao contrário, trata-se de uma biografia bastante conservadora, tanto em sua forma narrativa quanto nas imagens que propõe para contar a história da vida difícil do jovem Tolkien.

São raras as cenas em que o diretor se permitiu “viajar”no universo de Tolkien, sendo deslumbrantes estas cenas nos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, onde o soldado Tolkien via horrores que lhe remetiam a imagens depois utilizadas nas histórias imortais de seus livros.

O elenco é um dos pontos altos do filme, sendo ótimos tanto os jovens como os veteranos. Nicolas Hoult (ator inglês visto em MAD MAX, X-MEN DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO e ABOUT A BOY) vive John Raymond Tolkien com categoria, vigor e emoção, a bela Lily Collins (jovem atriz inglesa de SEM SAÍDA e O ÚLTIMO MAGNATA) faz o amor da vida de Tolkien Edith Bratt, Colm Meaney, Derek Jacobi, Craig Robert, Laura Donnelly, Pam Ferris, Owen Teale e Patrick Gibson compõem um cast de ótimo nível.

Fazer uma cinebiografia é uma tarefa difícil e arriscada. TOLKIEN contava com um ótimo personagem para mostrar, principalmente por ser quase desconhecida a vida do excepcional autor de O SENHOR DOS ANÉIS.

O filme não se sai mal, sendo bastante interessante de ser assistido, mas poderia ter sido muito mais ousado, criativo e com licenças poéticas. Tudo que sobra nos livros do mestre Tolkien e que raramente foi visto no filme sobre ele.

TOLKIEN by Finnish filmmaker Dome Karukoski is a biopic of the extraordinary author of The Lord of the Rings trilogy, J.R.R. Tolkien. Focusing on the life of an author who excelled by unique creativity in his fantastic narratives, it was only fair to expect that the film would also give itself the right to be free, creative and fanciful.

On the contrary, it is a very conservative biography, both in its narrative form and in the images that it proposes to tell the story of the difficult life of young Tolkien.

There are rare scenes in which the director allowed himself to “travel” in Tolkien’s universe, being dazzling these scenes in the battlefields of World War I, where the soldier Tolkien saw horrors that sent him to images later used in the immortal stories of his books .

The cast is one of the highlights of the film, both young and old are great. Nicolas Hoult (English actor seen in MAD MAX, X-MEN and ABOUT A BOY) lives John Ronald Reuel Tolkien with category, vigor and emotion, a beautiful Lily Collins (young English actress of ABDUCTION and THE LAST TYCOON) makes the love of Tolkien’s life Edith Bratt, Colm Meaney, Derek Jacobi, Craig Robert, Laura Donnelly, Pam Ferris, Owen Teale and Patrick Gibson make up an excellent cast.

Making a biopic is a difficult and risky task. TOLKIEN counted on a great personage to show, mainly for being almost unknown the life of the exceptional author of THE LORD OF THE RINGS.

The film does not go wrong, being quite interesting to watch, but it could have been much bolder, creative and with poetic licenses. All that remains in the books of Master Tolkien and that was rarely seen in the film about him.

VINGADORES: ULTIMATO – O FINAL É APENAS UMA PARTE DA JORNADA

VINGADORES: ULTIMATO, dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo é um final excelente para a franquia que gerou vinte e dois filmes, quase todos com imenso sucesso.

Depois do incrível êxito de VINGADORES: GUERRA INFINITA, tinha ficado muito difícil achar um final adequado para a saga, devido à morte da maioria dos heróis no final do filme anterior. Muito se tinha falado na hipótese da viagem no tempo, mas isto somente acentuava o desafio de manter a criatividade ímpar da série até então.

Há que se dizer que o filme atual é extremamente criativo, inteligente em todas as situações que cria e que, inclusive, reserva um twist de roteiro para derrubar as visões de que seria previsível.

THANOS (Josh Brolin) segue sendo um vilão antológico, daqueles a ser lembrado por muitas e muitas décadas. Quando ele declara aos mocinhos que agora a batalha virou pessoal para ele, sai da frente.

Aliás batalha final deste último capítulo é realmente espetacular, superando todos os riscos de ficar o filme baseado demais em efeitos especiais e explosões. Não que falte isto, mas é feito dentro uma batalha tão épica que oscila entre empolgante (o público se levante e aplaude quando ela inicia) e emocionante (“Ela não está sozinha.”)

Claro que Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Scarlett Johansson e Jeremy Renner são os maiores destaques do filme. Mas são tantos heróis e assuntos que é quase impossível traçar uma preferência.

O maior ponto positivo do filme, surpreendentemente é seu roteiro, onde temas caros ao cinema, como lealdade, capacidade de sacrifício, amizade, amor e família são desafiados e questionados a cada cena. O roteiro se sai maravilhosamente bem em todas as ideias que traça para um final de saga memorável.

Em determinada cena, o Homem de Ferro diz: “O final é apenas uma etapa da jornada.” Este VINGADORES: ULTIMATO é um excepcional final para uma saga inesquecível para os fãs da Marvel e do cinema.

AVENGERS: ENDGAME directed by brothers Anthony and Joe Russo is an excellent ending to the franchise that has generated twenty-two films, almost all with great success.

After the incredible success of AVENGERS: INFINITE WAR, it had been very difficult to find an adequate end to the saga, due to the death of most of the heroes at the end of the previous film. Much had been said about the time travel hypothesis, but this only heightened the challenge of maintaining the series’ unique creativity until then.

It must be said that the current film is extremely creative, intelligent in every situation it creates and even reserves a twist of script to overturn the visions that would be predictable.

THANOS (Josh Brolin) remains an anthological villain, of those to be remembered for many, many decades. When he tells the good guys that the battle has now become personal to him, it is very amazing.

In fact the final battle of this last chapter is really spectacular, overcoming all the risks of getting the film based too much on special effects and explosions. Not that this is missing, but it’s done inside an epic battle that swings between exciting (the audience stands up and applauds when it starts) and exciting (“She’s not alone.”)

Of course Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Scarlett Johansson and Jeremy Renner are the highlights of the film. But there are so many heroes and subjects that it is almost impossible to draw a preference.

The biggest plus of the film, surprisingly is its script, where deep film themes such as loyalty, capacity for sacrifice, friendship, love and family are challenged and questioned at every scene. The script does wonderfully well on all the ideas it traces to a memorable saga ending.

In a certain scene, Iron Man says, “The end is only one stage of the journey.” This AVENGERS; ENDGAME is an exceptional finale for an unforgettable saga for Marvel fans and cinema.