DAVID LYNCH: Seu Cinema Único e Inovador Sempre Estará Presente

Na primeira vez que fui a Nova Iorque, deparei com uma sessão da meia noite em um pequeno cinema do Bairro do Village, onde seria exibido, à meia noite, o filme VELUDO AZUL, do cineasta David Lynch. Bem agasalhado, fui até lá. Quando cheguei já havia uma pequena fila de fãs fiéis aguardando a abertura da sala. De repente, meia dúzia de carros de Polícia chegam no local, os policiais descem correndo uma entrada de Metrô, e saem de lá com um rapaz algemado que prontamente é levado dali. Todos nos olhamos entre assustados e pensando que a cena parecia parte antecipada do filme.

Saí do cinema, duas horas depois, absolutamente hipnotizado por BLUE VELVET. O thriller de Lynch era simplesmente perfeito. Mistério, suspense, erotismo, violência, tudo na medida exata. Passou a ser um dos meus cineastas favoritos.

Essa paixão somente se reforçou com o tempo. TWIN PEAKS, exibida aos domingos à noite na TV GLOBO, é até hoje a melhor série de TV que já vi. A riqueza de detalhes da trama iniciada com a pergunta “Quem matou Laura Palmer?” me encanta mesmo 36 anos depois.

Lynch dirigiu 109 filmes, muitos experimentais, curtas ou médias que certamente nunca teremos a chance de assistir.

Mas MULHOLLAND DR, CORAÇÃO SELVAGEM e O HOMEM ELEFANTE têm lugar cativo em meu coração.

David Lynch, o inovador roteirista, cineasta e produtor cinematográfico morreu ontem aos 78 anos.

A orelha amputada, Isabella Rosselini nua correndo pela rua como Dorothy Vallens e o vilão Frank Booth (Dennis Hooper maravilhoso) se chapando com uma máscara de oxigênio são eternos.

Como os diálogos do agente do FBI, Dale Cooper, contando à secretária Diane que encontrou a fatia de torta de cereja perfeita na cantina da pequena TWIN PEAKS.

Foi-se um gênio. Ficamos com sua obra rica e permanente.

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