Poucos filmes me deram tanta vontade de ver nos últimos anos quanto PARTHENOPE, de Paolo Sorrentino. Talvez porque eu ache A GRANDE BELEZA, um dos filmes mais belos do cinema italiano recente,
Achei PARTHENOPE em um streaming europeu e os seus 137 minutos preencheram uma tarde de domingo de calor abrasivo em Porto Alegre.
O cinema de Paolo Sorrentino está cada vez mais sofisticado e deslumbrante de se ver.
Aqui ele conta a história (ou o mito) de uma mulher belíssima, que recebeu o nome da cidade onde nasceu.
Celeste della Porta , atriz italiana nascida em Monza, encarna PARTHENOPE durante quase todo filme. No trecho final, ela é Stefania Sandrelli, a musa do inesquecível NÓS QUE NOS AMÁVAMOS TANTO, de Ettore Scola.
A beleza ímpar de PARTHENOPE – vestida com mínimos biquinis ou roupas belíssimas assinadas por Saint Laurent – atravessa o filme, iluminando diversas pequenas histórias que são um prato cheio para a câmera de Sorrentino. Aliás, algures já disse que Sorrentino faz da moda um personagem essencial de seu filme. Muito justo.
Juventude, beleza, arte, Igreja, gastronomia, riqueza, erotismo, machismo, nada fica imune ao cinema sorrentiano.
Não há como deixar de mencionar a fotografia assinada por Dario D’Antonio, diretor habituée de Sorrentino. O filme já foi acusado de ser um imenso comercial chique, tal é a beleza das imagens que se sucedem na tela. Há pelo menos duas cenas em que a música assume o papel de protagonista, que são belíssimas. MY WAY, cantada por Frank Sinatra é de chorar muito.
O roteiro – de autoria do próprio Sorrentino – tem frases e diálogos daqueles que agente quer guardar na memória.
Os diálogos de PARTHENOPE com o milionário escritor Devoto Marotte (Gary Oldman antológico) são todos excepcionais. Mais tarde ela e o bispo igualmente dão um show.
O filme entrega tudo o que prometeu. Sorrentino cada vez mais se firma como um dos realizadores modernos italianos.
Seu cinema está cada vez mais afiado (“no final apenas sobre a ironia”), contundente e visualmente perfeito.
Um programaço.