A gaúcha Laura Medeiros é formada em cinema pela New York Film Academy e mora em Los Angeles onde trabalha direto na indústria cinematográfica. Filha do meu brother Marcelo Medeiros me enviou a lista dos melhores filmes que ela viu em 2025. Um fecho de ouro para os leitores do CINEMARCO em matéria de melhores de 2025.
Eis a lista da Laura Medeiros:
6) Superman
Em um cenário cada vez mais saturado de super-heróis com tramas mirabolantes e universos compartilhados inconsequentes, é quase refrescante assistir a um filme que retorna às origens do gênero e nos lembra o que realmente faz um bom herói: a capacidade de nos inspirar a ser pessoas melhores. Embora não seja perfeito, Superman, de James Gunn, é um sopro de esperança no mundo em que vivemos tão tomado por ódio e preconceitos. Ele nos recorda que a função do herói vai além de enfrentar ameaças intergalácticas — trata-se de refletir sobre o que nos torna humanos. Lembre-se, kindness is the real punk rock.
5) Weapons (A Hora do Mal)
2025 foi um ano excelente para o terror — Pecadores, Juntos, Faça Ela Voltar… todos fortes candidatos a listas de melhores do ano. Mas, para mim, Weapons foi um fenômeno único.
Preciso admitir: eu adoro essa nova onda de terror que sabe integrar humor ao roteiro sem perder a sensação de urgência, medo e tensão. A estrutura narrativa dividida em capítulos entre diferentes pontos de vista foi uma surpresa deliciosa, colocando o público dentro do quebra-cabeça enquanto tentamos desvendar o mistério das crianças desaparecidas.
E, para coroar, somos apresentados a uma nova vilã que certamente deixará sua marca no gênero — eu simplesmente amei a Tia Gladys.
4) KPOP Demon Hunters
Sem nenhuma vergonha, admito: este foi o filme pelo qual mais fiquei obcecada neste ano (e isso vindo de alguém que nem é fã de K-pop!). Como grande entusiasta de animação e admiradora da Sony Animation — especialmente após sua maestria com o Aranhaverso — posso dizer que KPOP Demon Hunters é simplesmente fenomenal do início ao fim. Apesar da premissa simples, o filme brilha nos personagens, na ação, na cinematografia e, principalmente, nas músicas. A amizade entre as protagonistas é contagiante, e os conflitos internos de Rumi são extremamente relacionáveis, permitindo que qualquer pessoa — especialmente meninas e mulheres — se veja nas personagens. Um filme fantástico, que faz jus ao seu sucesso sem precedentes. Estou na torcida por Melhor Animação e Melhor Canção Original no Oscar!
3) Hamnet
Não imaginei que Hamnet entraria na minha lista de favoritos. Embora admire filmes de drama slow burn no sentido técnico e artístico, eles raramente me fisgam pessoalmente. Então fui pega de surpresa ao perceber o quanto me envolvi com a nova obra de Chloé Zhao (Oscar por Nomadland). É um filme de emoções intensas, porém apresentado com leveza. A conexão e a química entre os personagens estão entre as melhores do ano — Jesse Buckley é uma força da natureza e merece estar na campanha do Oscar. Os momentos de tensão, apesar do ritmo calmo, estão entre os mais impactantes de 2025, e o desfecho emocional é entregue com uma sensibilidade rara no cinema contemporâneo.
E aviso: não há Kleenex suficiente no mundo para conter as lágrimas.
2) Uma Batalha Após a Outra
Como alguém que prefere as comédias de Paul Thomas Anderson aos seus dramas, já chego dizendo que este é meu principal concorrente ao topo do ano. Um filme extremamente atual, que trata assuntos sérios com a dose exata de humor e absurdo que merecemos enquanto sociedade. Justamente para refletir: a que ponto chegamos?!
Com um elenco cheio de personalidade e um roteiro que entrega cena envolvente após cena envolvente, é impossível não se divertir. Quem não sofreu junto com o personagem do DiCaprio tentando lembrar sua senha secreta dos tempos de guerrilha? Sean Penn está delicioso como um vilão sem qualquer chance de redenção, enquanto Benicio Del Toro brilha com a serenidade sábia de sensei. Simplesmente um filmaço.
1) A Meia Irmã Feia
Ok, ok… você deve estar pensando: que raio de filme é esse?
Pois bem — quem me conhece sabe que terror é meu gênero favorito. E este ano, um pequeno filme indie norueguês que silenciosamente ganhou força nos festivais se tornou, disparado, meu preferido. A Meia Irmã Feia reconta a história clássica da Cinderella pela perspectiva de Elvira, uma das irmãs meias, que deseja desesperadamente casar-se com o príncipe e está disposta a tomar medidas drásticas — e perigosas — para conseguir o que quer.
Como fã de terror e de contos de fadas, essa foi a combinação perfeita para mim: roteiro inteligente, personagens envolventes e uma premissa que, infelizmente, permanece muito atual. Em um mundo que exige perfeição das mulheres, até onde estamos dispostas a nos podar para caber nos moldes impostos pela sociedade?
Para os fans de The Substance, fica essa dica
Nota: ainda falta ver “O Agente Secreto” e “Marty Supreme” – dois filmes que prometem muito !