Para mim, é o filme do ano.
HAMNET, da cineasta chinesa de 44 anos, Chloe Zhao é um filme grandioso.
A vida pessoal do mito William Shakespeare é cercada de mistérios. Sabe-se que ele foi casado com Agnes, teve três filhos e pouco conviveu com ela, mercê de estar quase todo tempo acompanhando as turnês da companhia teatral que apresentava ao mundo suas peças geniais.
Agnes viveu no interior da Inglaterra, reclusa e anônima. O grande fato da vida dela foi morte do filho HAMNET, supostamente pela peste.
Pode-se imaginar o impacto devastador do fato nela e na relação dela com o já distante genial dramaturgo.
O que até então, ninguém supunha, era o efeito em Shakespeare, genialmente exposto pelo filme de Zhao.
O incrível é que todos os atores estão excepcionais. Paul Mescal faz um Will (assim é chamado todo tempo) absolutamente primoroso. Emily Watson – como sempre – arrebenta. O menino James Lintern é um show à parte.
Mas nada se compara à Jessie Buckley. Sua Agnes é antológica. Cada expressão, cada esgar de olhos, cada grito, cada contração facial ou corporal transmite a dor daquela mãe enlutada para o espectador, com cem por cento de assertividade.
O luto já foi muitas vezes filmado por grandes cineastas. Zhao se inscreve entre eles com um filme maravilhoso. Preparem os lenços. E a alma.
Acho que raras vezes o cinema foi tão maravilhoso como na parte final de HAMNET. A encenação de HAMLET que fecha o filme é um primor de cinema. Zhao atingiu o máximo de sua arte.
Impossível não se emocionar.
HAMNET merece todos os elogios. Está à altura de William Shakespeare. Com louvor.