Nas décadas de 70 e 80, havia um cinema de rua em Porto Alegre, chamado Cine Bristol. Ficava na Avenida Osvaldo Aranha e integrava o complexo do Cinema Baltimore, sendo a sala menor. Em determinado momento, a administração das salas resolveu alterar a programação, iniciando uma serie de ciclos de filmes por temas. Chamou o critico de cinema Tuio Becker para fazer a programação. Algum tempo depois, Tuio foi substituído pelo Romeu Grimaldi, Diretor da Cinemateca Paulo Amorim. O Bristol fez historia em Porto Alegre, com seus ciclos de cinema trazendo filmes antigos, reunidos por diretores, atores ou temas e também por suas sessões da meia noite, quase sempre lotadas e que formavam filas monumentais de jovens fanáticos por cinema incrivelmente ansiosos pelo que estavam por ver na tela.

Nosso grupo do Clube de Cinema de Porto Alegre frequentava o Bristol regularmente.

Certa vez houve um ciclo com sete filmes de terror, um por dia. Combinamos de ver todos os filmes.

Na sessão de PAGUE PARA ENTRAR, REZE PARA SAIR (THE FUNHOUSE, 1981), de Tobe Hooper, vi que um espectador estava tão assustado com o perigo que a mocinha corria em certa cena, que estava afundado na cadeira, com os dedos das duas mãos entrelaçados e erguidos sobre a cabeça, em uma espécie de prece para que ela não fosse decapitada pelo vilão.

Achei a cena da plateia tão mais interessante que a da tela, que chamei a atenção de uma de nossas amigas. Ela resolveu se inclinar e sussurra no ouvido do Otto Guerra para que ele também olhasse o espectador assustado.

No momento em que ela sussurrou “Otto” no ouvido dele, ele deu um pulo na cadeira e um grito alto, de verdadeiro terror, assustando todos os espectadores do cinema.

Ficamos rindo da situação ate o final do filme.

Perguntado no final do filme, sobre o que havia ocorrido, Otto sentenciou: “Você prestando atenção no filme. Vem uma alma de outro mundo sussurrar algo no seu ouvido. E ainda por cima sabe o seu nome!”.