Embora eu tenha certeza de que sou suspeito para avaliar o filme pela minha amizade de trinta anos com o Zé Pedro, inicio dizendo que PONTO ZERO é um grande filme.

Daqueles que a gente vê cada cena com um interesse maior que a anterior, ansioso pela seguinte, em uma expectativa que somente os ótimos roteiros e os grandes diretores conseguem criar.

O segundo sinal objetivo de que o filme realmente é muito bom é a vontade imediata de vê-lo novamente, assim que os créditos iniciam a rolar pela tela. Coisa de filme inteligente. Deixa muita coisa para a gente pensar.

PONTO ZERO (2015), de José Pedro Goulart é um filme que narra a história de Ênio, um adolescente absolutamente comum, bem parecido com o que todos um dia fomos e com os que existem em todos os apartamentos próximos de nossas residências.

Ele tem brigas na escola, desejos pelas colegas da irmã, traumas de escuro, raiva das brigas do pai com a mãe e tudo de comum da vida de um adolescente.

Até que um dia…

O menino Sandro Aliprandini tem uma atuação realmente impressionante, para dizer o mínimo. Tão expressivo em seus silêncios quanto em suas falas, foi o interprete ideal para Ênio.

Patricia Selonk faz uma mãe sufocantemente real. Eucir de Souza já mostrara seu talento na serie FDP, da HBO e no filme HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO. Aqui, no papel do pai de Ênio, compõe outro personagem sólido e denso.

Gostei particularmente da montagem feita por Federico Brioni. Acho que ela dá um ritmo incrível ao filme. Como diz um grande amigo meu, “coisa de Estados Unidos.”

Aliás, o acabamento formal de PONTO ZERO é impecável, nada ficando a dever a qualquer filme de qualquer nacionalidade.

PONTO ZERO não é um filme para todos os públicos. Mas quem entrar neste filme de cabeça, tenho certeza, sairá muito recompensado.

Ou como disse o menino Sandro na pré-estreia, mudado para melhor.

 

Although I’m sure I’m very suspicious to review this movie because of my friendship of thirty years with Ze Pedro, I would like to start saying that POINT ZERO is a great movie. Like those films that we see every scene with a greater interest than the last, looking forward to the next one, in an expectation that only the great scripts and great directors can create.

The second objective sign that the film really is very good is the immediate desire to see it again, as soon as the credits start to roll across the screen. A smart movie thing. Leaves much for us to think.

POINT ZERO (2015), by Jose Pedro Goulart is a film that tells the story of Enio, an absolutely ordinary teenager, much like the one that all of us were and those who exist in all apartments next to our homes.

He has fights at school, wishes by his sister’s friends, fears of dark places, anger of his father and mother fights and all of the common life of a teenager.

Until one day…

The boy Sandro Aliprandini has a really impressive performance, to say the least. So expressive in their silences and in his speech, he is the ideal interpreter for Enio.

Patricia Selonk makes a suffocatingly real mother. Eucir de Souza had already shown his talent in the FDP series, from HBO. Here, in the father’s role, he composes another solid and dense character.

I particularly liked the editing made by Federico Brioni. I think it gives an incredible rhythm to the film. As a great friend of mine usually says, “a United States quality thing.”

Moreover, the formal finish of POINT ZERO is impeccable, nothing being due to any film of any nationality.

POINT ZERO is not a film for all audiences. But who enter fully in this movie, I’m sure, will be greatly rewarded.

Or as said by the boy Sandro in the premiere, will be changed for the better.