Gosto de dizer que poucos cineastas podem ser identificados se vendo uma cena de seus filmes, como se cada fotograma fosse uma assinatura. Hitchcock, Bergman, Fellini, Tarantino, Brian de Palma, Spielberg (apenas nos seus melhores momentos). Woody Allen, certamente é um membro deste clube.

Personagens, roteiros, cenários e o próprio desenvolvimento dos filmes de Woody Allen são absolutamente únicos e facilmente identificáveis.

Para delírio de seus admiradores e desespero de seus detratores.

CAFÉ SOCIETY, mais recente opus de Allen, por obvio, não trairia isto.

Dramedy (misto de comedia e drama), CAFÉ SOCIETY traz a historia de um jovem nova-iorquino que, ambicioso, se muda para Los Angeles, em busca de sucesso, fama e fortuna.

Obvio que isto proporciona a Woody Allen um vasto campo para observações irônicas sobre as diferenças entre sua amada Nova Iorque e Hollywood(e a vida na Costa Oeste), onde ele nunca se enquadrou muito bem.

A grande novidade do filme (e precisa?) é a fotografia, assinada por um italiano de 78 anos, chamado Vittorio Storaro, ganhador de 3 Oscars (Apocalipse Now, REDS e O Ultimo Imperador), um mágico do ramo. Olhando o currículo de Storaro, vê-se uma lista interminável de filmes belíssimos, desde MALICIA (ah, Laura Antonelli), ULTIMO TANGO EM PARIS, 1900, LA LUNA e O FEITIÇO DE AQUILA. Chega?

A fotografia de CAFÉ SOCIETY é simplesmente deslumbrante.

Para ajudar, Woody Allen ainda colocou na trilha sonora, maravilhosas versões orquestradas de clássicos como THE LADY IS A TRAMP e MANHATTAN.

O elenco de Allen, como sempre é um show a parte. Jesse Eisenberg, Kristin Stewart e Steve Carell (cada vez melhor) fazem papeis excelentes com grande talento.

Mas minha nota favorita do cast é Jeannie Berlin, como Rosie Dorfman, uma extraordinária mãe judia que rouba cada cena. Para quem viu a ótima série da HBO, THE NIGHT OF, Jeannie já tinha se destacado como a implacável Promotora Publica acusadora do jovem Naz.

Em resumo, continuo com meus filmes favoritos de Woody Allen (ANNIE HALL, CRIMES E PECADOS e MATCH POINT), mas este CAFÉ SOCIETY pode ser visto com grande prazer.

Ah, e muita nostalgia pelos amores que a vida fez a gente deixar para trás…

 

I like to say that few filmmakers can be identified only by seeing a scene of his films, as if each frame were a signature. Hitchcock, Bergman, Fellini, Tarantino, Brian De Palma, Spielberg (only at his best). Woody Allen, is certainly a member of this club.

Characters, scripts, scenarios and the own development of Woody Allen films are absolutely unique and easily identifiable.

To the delight of his admirers and the despair of his detractors.

CAFE SOCIETY , the latest Allen opus, of course, would not betray it.

Dramedy (mix of comedy and drama), CAFE SOCIETY brings the story of a young New Yorker who, ambitious, moves to Los Angeles in search of success, fame and fortune.

Obvious that this provides to Woody Allen a vast field for ironic observations on the differences between his beloved New York and Hollywood (and life on the West Coast), where he never framed very well.

The big news of the film (and does it need any?) is the photograph, signed by an Italian 78 years, called Vittorio Storaro, winner of three Oscars (Apocalypse Now, REDS and The Last Emperor), a magic man. Looking on Storaro curriculum, we see a long list of beautiful movies from MALICIA (ah, Laura Antonelli), LAST TANGO IN PARIS, 1900, LA LUNA and LADYHAWK. Enough?

The CAFE SOCIETY photography is simply stunning.

To help, Woody Allen still put on the soundtrack, wonderful orchestral versions of classics like THE LADY IS A TRAMP and MANHATTAN.

Allen cast, as it is always is a show piece. Jesse Eisenberg, Kristin Stewart and Steve Carell (getting better and better) make excellent roles with great talent.

But my favorite note of the cast is Jeannie Berlin, as Rosie Dorfman, an extraordinary Jewish mother who steals every scene. For those who saw the great HBO series THE NIGHT OF, Jeannie had emerged as the relentless DA that accuses  the young Naz.

In summary, I continue with my favorite films of Woody Allen (ANNIE HALL, CRIMES AND MISDERMEANORS and MATCH POINT), but this CAFE SOCIETY can be seen with great pleasure.

Oh, and a lot of nostalgia for the love that life did we leave behind …