ANIMAIS NOTURNOS (2016), de Tom Ford é um filme muito incômodo.

Mas é muito mais do que isto.

É um filme cinematograficamente brilhante em sua narrativa fragmentada em pelo menos duas linhas temporais diferentes e um plano ficcional com intensa relação temática e formal com o que se passa (ou não) no plano real dos personagens, tem cenas absolutamente antológicas tanto pelo roteiro magnífico de suas falas quanto pela perfeição completa da atuação de seus protagonistas como o jantar entre mãe e filha com Laura Linney e Amy Adams e tem uma direção tão talentosa quanto determinada em seus objetivos de provocar, constranger e incomodar o espectador.

E o que dizer de Jake Gyllenhaall, em papel duplo? Que show de interpretação!

A riqueza de aspectos a serem observados, refletidos e comentados em um filme desta complexidade evoca os melhores trabalhos de David Lynch, a quem ANIMAIS NOTURNOS lembra em diversos de seus trechos, como por exemplo nos créditos inicias com as cheerleaders com obesidade mórbida ou a luta da estrada ao melhor estilo VELUDO AZUL.

O tema do idealismo versus dinheiro é apenas um dos muito ricos aspectos que o cineasta traz para reflexão e discussão de seus personagens e, por tabela, espectadores. Como a vingança, frieza das relações, inclusão, sensibilidade, etc.

ANIMAIS NOTURNOS certamente não é um filme para qualquer público, mas quem conseguir entrar no enigma proposto por Tom Ford certamente vai sair deste filme noir muito gratificado por uma das melhores experiências cinematográficas de 2016.

Tom Ford’s (2016) NOCTURNAL ANIMALS is a very uncomfortable movie.

But it is much more than this.

It is a cinematographically brilliant film in its fragmented narrative in at least two different timelines and a fictional level with intense thematic and formal relation with what happens (or not) in the real life of the characters, has scenes absolutely anthological both by the magnificent script of its speeches and the complete perfection of the performance of its protagonists like in the dinner scene between mother and daughter with Laura Linney and Amy Adams and has a direction as talented as determined in its objectives to provoke, embarrass and annoy the viewer.

And what about Jake Gyllenhaall, in a double role? What an interpretation show!

The richness of aspects to be observed, reflected and commented on in a film of this complexity evokes the best works of David Lynch, whom NOCTURNAL ANIMALS recalls in several of his excerpts, as for example in the initial credits with cheerleaders with morbid obesity or in the fight on the road in best BLUE VELVET style.

The theme of idealism versus money is just one of the very rich aspects that the filmmaker brings to the reflection and discussion of his characters and, of course, spectators. Like revenge, coldness of relationships, inclusion, sensitivity, etc.

NOCTURNAL ANIMALS certainly is not a movie for any audience, but whoever gets into the riddle proposed by Tom Ford will surely leave this movie noir very gratified by one of the best cinematic experiences of 2016.