O filme ELIS traz sensações de carinho, alegria e saudade ao espectador, muito mais graças a extraordinária figura de Elis Regina, suas canções e sua história do que propriamente aos méritos do filme.

Alias, acho que se conseguirmos olhar o filme com alguma isenção critica, vamos ver que ele tem muitos defeitos.

Em primeiro lugar caiu na armadilha comum as cinebiografias de querer contar todos os fatos da vida do biografado em pouco mais de uma hora e meia, fazendo com que o roteiro vá aos borbotões, não se aprofundando em nada, perdendo ótimas oportunidades de mergulhar em situações e personagens fascinantes. Sem falar nas omissões.

Depois tem algumas simplificações quase amadoras, como a cena em que Elis, recém-chegada da Europa, descobre quase toda a roupa da “amante” de Ronaldo Bôscoli embaixo da almofada do sofá da sala ou a do interrogatório do militar da “repressão” tão malfeitas que causam vergonha alheia.

Cinematograficamente não pode ser mais conservador. Entra no modelo Globo Filmes, já feito para ser exibido na televisão. Nenhuma cena muito ousada que não possa passar na telinha.

Qual a grande cena do filme? Qual aquela cena que guardaremos na memoria para sempre? Faltou sintonia entre a grande estrela Elis e o cineasta Hugo Prata.

Mas, incrivelmente, a figura de Elis, sua música e sua história fazem com que a gente veja o filme com uma paixão que se renova a cada cena.

Ainda mais que a atriz Andreia Horta realmente faz um tour de force para encarnar Elis de uma forma espetacular. Talvez seja o maior acerto do filme.

Direto ao ponto: acho Elis, a cantora o máximo, gostei muito de ter visto o filme, me emocionei com ele, mas acho que a pimentinha merecia um filme muito mais grandioso.

 

The film ELIS brings feelings of affection, joy and nostalgia to the viewer, much more thanks to the extraordinary figure of Elis Regina, her songs and history than properly from the merits of the film.

I think that if we can look at the movie with some critical exemption, we will see that it has many flaws.

In the first place, the cinebiographies fell into the common trap of wanting to tell all the facts of the life of the subject in a little more than an hour and a half, making the script go to the gurgling, not deeping into anything, missing great opportunities to develop into situations and fascinating characters. Not to mention the several omissions.

Then there are some almost amateurish simplifications, such as the scene in which Elis, recently arrived from Europe, discovers almost all of Ronaldo Bôscoli’s “lover” clothes under the couch in the living room or the interrogation of the military of “repression”. Sloppy ones that cause shame to others.

Cinematographically it can not be more conservative. Enter the model of Globo Filmes, already made to be shown on television. Not one very daring scene that can not get on the small screen.

Which is the gratest scene of the movie? Which scene we will keep in our memories forever? It was a lack of sintony between the great star ELIS and the moviemaker Hugo Prata.

But, incredibly, the figure of Elis, her music and history make us see the film with a passion that is renewed every scene.

Even more than the actress Andreia Horta really does a tour de force to embody Elis in a spectacular way. Maybe it’s the biggest hit of the movie.

Straight to the point: I think Elis, the singer the most, I really enjoyed watching the movie, I was moved by it, but I think the peppermint deserved a much bigger movie.