O CIDADÃO ILUSTRE, de Gastón Duprat e Mariano Cohn é mais um filme argentino de ótimo nível que deixa  gente com muitas reflexões sobre o atual cinema brasileiro.

Filmes de recursos paupérrimos (o que faz com que certas cenas sejam mesmo canhestras) e alguns atores constragedoramente ruins, mas que tem a inteligência de usar esta carência, muitas vezes a favor do argumento, disfarçando-a na caipira cidade de Salas, com o que o filme vai em frente com galhardia.

Para o meu gosto, faltou aprofundar muito o assunto Salas e seus personagens, praticamente todos lineraes e monocromáticos, salvo, talvez, o recepcionista do hotel e a antiga namorada Irene, a quem o filme concede trinta segundos para defender sua opção de vida.

De qualque sorte, o talento superior do ator Oscar Martinez (já espetacular em RELATOS SELVAGENS) e o interesse sempre forte mantido pelo roteiro garantem a atenção do espectador em uma comédia dramática em que se ri muito e se fica com o gosto amargo pela  ausência de valores do mundo atual e, inclusive, do personagem central.

A dúvida que fica é sobre o porquê da multiplicidade dos cineastas argentinos que fazem filmes tão baratos e tão bons, em comparação com a quantidade de filmes brasileiros cada vez mais pasteurizados e raramente questionadores da realidade.

 

THE DITINGUISHED CITIZEN, by Gastón Duprat and Mariano Cohn is another excellent Argentinean film that leaves people with many reflections about the current Brazilian cinema.

It is a movie with very poor resources (which makes certain scenes really clumsy) and some embarrassingly bad actors, but who have the intelligence to use this lack, often in favor of the argument, disguising it in the redneck town of Salas, and the film goes ahead with gallantry.

To my taste, there was a lack of deepening of the subject, Salas and his characters, practically all shallow and monochrome, except perhaps the receptionist of the hotel and the old girlfriend Irene, to whom the film concedes thirty seconds to defend her life option.

Besides that, the superior talent of actor Oscar Martinez (already spectacular in WILD TALES) and the interest always strong maintained by the script guarantee the attention of the spectator in a dramatic comedy in which you laugh a lot and take the bitter taste by the absence of values ​​of the current world and even the central character.

The question remains is why the multiplicity of Argentine filmmakers who make films so cheap and so good, compared to the number of Brazilian films increasingly pasteurized and rarely questioning reality.