Villeneuve, um dos poucos cineastas que trabalham hoje, para quem a palavra autor não soa como uma afetação não merecida, pode ter ficado um pouco apaixonado demais com a própria criação; as duas horas e 40 minutos, o choque estético e o espanto eventualmente superam a narrativa. Mas como ele não poderia, quando quase todos os fotogramas impecáveis – uma cena de amor surrealista de seis mãos; um holograma cintilante de Elvis, girando os quadris para a eternidade; um replicante “recém-nascido”, liso com líquido amniótico  – são sentidos como um banquete visual tão arrebatador? Mesmo quando suas emoções correm o risco de ser tão cool quanto a sua paleta, 2049 alcança, e acha, algo notável: a elevação do fazer filme de estúdio para a arte superior. A-

Villeneuve, one of the few filmmakers working today for whom the word auteur doesn’t sound like an unearned affectation, may have fallen a little too in love with his own creation; at two hours and 40 minutes, aesthetic shock and awe eventually outpace the narrative. But how could he not, when nearly every impeccably composed shot — a surreal six-handed love scene; a shimmering hologram of Elvis, hip-swiveling into eternity; a “newborn” replicant, slick with amniotic goo — feels like such a ravishing visual feast? Even when its emotions risk running as cool as its palette, 2049 reaches for, and finds, something remarkable: the elevation of mainstream moviemaking to high art. A– (Leah Greenblath)