BOHEMIAN RHAPSODY, do cineasta nova-iorquino Bryan Singer (substituído no final das filmagens por Dexter Fletcher, o que sempre é um mau sinal) é um filme que se assiste com grande atenção e emoção, mais pelas extraordinárias músicas do QUEEN do que pela qualidade do roteiro (surpreendentemente escrito pelo talentoso Anthony McCarten, de A HORA MAIS ESCURA e A TEORIA DE TUDO).

Outro ativo inegável do filme é a atuação superior do ator americano Rami Malek (da premiada série MR. ROBOT), espetacular na recriação do mito Freddie Mercury. Seu trabalho é excepcional, fazendo que, por diversas oportunidades, o espectador deixe de perceber que não está vendo o próprio Freddie Mercury.

O filme, contudo, peca pela superficialidade ao narrar tanto a carreira da Banda QUEEN (que entrou para a história pelo seu alto conteúdo de contestação dos padrões estabelecidos até então), como de seu líder vocal, um verdadeiro vulcão de problemas emocionais, homossexualidade, uso de drogas de toda espécie, egotrips e festas e orgias inacabáveis. 

Tudo isto passa de passagem pela tela, como cenas quase típicas de um trailler do filme. Isto que a versão final do filme tem 134 minutos, tempo mais do que suficiente para aprofundar vários deste tema.

Mas, no final das contas, a ímpar excelências de várias canções do QUEEN, como SOMEBODY TO LOVE, KILLER QUEEN, THE LOVE OF MY LIFE, WE WILL ROCK YOU, UNDER PRESSURE, RADIO GAGA e principalmente WE ARE THE CHAMPIONS. 

As cenas de shows (especialmente as do Estádio de Wembley) são simplesmente espetaculares, um primor do espetáculo cinematográfico.

Cinebiografias de astros e expoentes da música são sempre uma tarefa complicada. Inevitavelmente surge o dilema: poupar a memória do protagonista ou expor a realidade contundente de sua vida e seus problemas?

Neste passo, cito filmes memoráveis, como A ROSA (biografia de Janis Joplin), RAY(Ray Charles), AMADEUS(Mozart), THE DOORS (Jim Morrison) e BIRD(Charlie “Bird”Parker). Foram todos filmes que, para mim, souberam enfrentar esta armadilha com talento superior.

BOHEMIAN RHAPSODY chega perto destes grandes filmes apenas pela música, pela história do QUEEN e pelo trabalho de seu protagonista. Não é pouco, mas poderia ser muito mais.

BOHEMIAN RHAPSODY , by New York filmmaker Bryan Singer (replaced at the end of the film by Dexter Fletcher ), which is always a bad sign) is a film that is watched with great attention and emotion, more for the extraordinary songs of QUEEN than for the quality of the script (surprisingly written by the talented Anthony McCarten from THE DARK HOUR and THE THEORY OF EVERYTHING ).

Another undeniable asset of the film is the superior performance of American actor Rami Malek (of the award-winning series MR ROBOT ), spectacular in re-creating the Freddie Mercury myth . His work is exceptional, causing the viewer to fail to realize that he is not seeing Freddie Mercury himself.

The film, however, is superficial because it recounts the career of the QUEEN Band (which went down in history because of its high content of contestation of the standards established until then), and of its vocal leader, a true volcano of emotional problems , homosexuality, use of drugs of all kinds, egotrips and parties and endless orgies.

All this passes through the screen, like scenes almost typical of a movie trailler. This the final version of the movie that has 134 minutes, more than enough time to deep into several of this theme.

But in the end, the unparalleled excellences of various songs from QUEEN, such as SOMEBODY TO LOVE, KILLER QUEEN, THE LOVE OF MY LIFE, WE WILL ROCK YOU, UNDER PRESSURE, RADIO GAGA and especially WE ARE THE CHAMPIONS guarantee the satisfaction of the viewer.

The scenes of shows (especially those of Wembley Stadium) are simply spectacular, a prime work of the cinematographic spectacle.

Cinebiographies of stars and exponents of music are always a complicated task. Inevitably comes the dilemma: to spare the protagonist’s memory or to expose the overwhelming reality of his life and his problems?

In this step, I cite memorable films such as THE ROSE (biography of Janis Joplin ), RAY(Ray Charles), AMADEUS (Mozart ), THE DOORS (Jim Morrison) and BIRD (Charlie “Bird” Parker).

BOHEMIAN RHAPSODY comes close to these great films only for music, the history of QUEEN and the work of its protagonist. It’s no small thing, but it could be so much more.