A ESPOSA, de Bjorn Runge não consegue ser um grande filme, embora o ponto de partida do argumento fosse empolgante e a dupla central de atores (Glen Close e Jonathan Price) ser absolutamente talentosa e fascinante em sua arte de representar.

Na minha opinião, o maior problema do filme é seu roteiro. A história da mulher talentosa e sensível que opta por ficar em segundo plano para um marido narcisista e despido de qualquer senso ético tem muitos problemas.

Não há, no filme, salvo em uma fala isolada do filho problemático do casal, um momento de questionamento sobre a total falta de ética do esquema acordado entre os cônjuges. Mesmo assim, o enfoque é de vilanização do marido autocrata e absolvição (senão vitimização) da esposa.

Ora, se ela era a pessoa mais inteligente, brilhante, criativa e sintonizada com as emoções e realidades do mundo (ao ponto de ser brilhante), como exclui-la de culpa na fraude perpetrada?

Outro ponto em que o filme fraqueja fortemente é que, em pelo menos um terço de sua duração os personagens centrais, enquanto jovens, são encarnados por atores tão abaixo de Glen Close e Jonathan Price que fica difícil ao espectador ver partes essenciais da história interpretados por atores tão fracos. A queda de nível do filme nestas cenas é quase inaceitável.

O que ameaça segurar o filme é realmente o trabalho superlativo de Glen Close (embora todos os problemas que o roteiro lhe impõe) e Jonathan Price, perfeito em sua egolatria vazia.

O cineasta sueco Bjorn Runge não se saiu bem em seu primeiro trabalho internacional de projeção. Teve, sem dúvida o mérito de deixar Glen Close e Jonathan Price brilharem em boa parte do filme, deslumbrando o espectador com seus talentos, mas falhou ao não tentar corrigir as graves falhas de sua história.

Bjorn Runge‘s THE WIFE is not a great movie, although the starting point of the plot was exciting and the central pair of actors (Glen Close and Jonathan Price) are absolutely talented and fascinating in their acting art.

In my opinion, the film’s biggest problem is its script. The story of the talented and sensitive woman who chooses to stay in the background for a narcissistic and stripped of any ethical sense husband has many problems.

There is no question in the film, except in an isolated speech of the couple’s problematic son, about the total lack of ethics of the arrangement agreed between the spouses. Even so, the focus is on the vilanization of the autocrat’s husband and absolution (if not victimization) of the wife.

If she was the most intelligent, brilliant, creative and attuned to the emotions and realities of the world (to the point of being brilliant), how could she be excluded from guilt in the fraud perpetrated?


Another pivotal weeak point for the film is that in at least a third of its duration the central characters as young people are embodied by actors so far below Glen Close and Jonathan Price that it is difficult for the viewer to see essential parts of the story played by so weak actors. The downfall of the film in these scenes is almost unacceptable.

What threatens to hold the film is really the superlative work of Glen Close (though all the problems that the script imposes for her) and Jonathan Price, perfect in his empty egotism.

Swedish filmmaker Bjorn Runge did not do well in his first international work. He undoubtedly has the merit of letting Glen Close and Jonathan Price shine in much of the film, dazzling the viewer with their talents, but failed to address the serious shortcomings of his story.