A FAVORITA, de Yorgos Lanthimos (cineasta grego autor de O LAGOSTA e O SEGREDO DO CERVO SAGRADO) é um filme incômodo, difícil mas realizado de forma criativa, inteligente e cinematograficamente brilhante.

A história de duas mulheres disputando o posto de favorita da Rainha Anne leva a um duelo de estratégias, confrontos e enfrentamentos surpreendentes, cruéis, destrutivos e impossíveis de não se acompanhar com absoluta hipnose por parte do espectador.

Muito da atratividade do filme vem da excelência do trio central de atrizes, iniciando pela extraordinária Olivia Colman vencedora do BAFTA e de múltiplos prêmios de interpretação por sua atuação neste A FAVORITA. Olivia já fez outros trabalhos excepcionais, como o papel principal da notável série de TV BROADCHURCH. Aqui, no entanto, ela faz um personagem superlativo, desafiador, despreendido e incrivelmente fascinante.

Disputando a posição de A FAVORITA estão a sempre ótima Rachel Weisz (Oscar de Melhor Atriz por O JARDINEIRO FIEL), como a incrível Lady Sarah e a ascendente Emma Stone (oscar de Melhor Atriz por LA LA LAND), vivendo a ambiciosa Abigail. Os duelos verbais e cênicos das duas são antológicos, ajudados muito pelos diálogos brilhantes do roteiro, como “Eu só sei que sua carruagem está esperando e minha criada está subindo com algo chamado abacaxi.”

Aliás, a criatividade ímpar do roteiro inicia pelos entretítulos e pelos créditos iniciais e finais do filme, simplesmente geniais.

Não há como não mencionar, ainda, a brilhante trilha sonora, sempre sublinhando situações chave do enredo, de modo pouco usual, mas sempre propositivo. E a música SKYLINE PIGEON, cantada por Elton John, ao final do filme é simplesmente deslumbrante.

A FAVORITA é, por todos estes motivos, um filme superior que, embora incômodo e muitas vezes difícil de se ver, merece várias idas ao cinema.

THE FAVOURITE, by Yorgos Lanthimos (Greek filmmaker, author of THE LOBSTER and THE KILLING OF SACRED DEER) is a troublesome film, sometimes very difficult to see but accomplished creatively, cleverly and cinematographically brilliant.

The story of two women vying for Queen Anne’s favorite post leads to a duel of surprising, cruel, destructive strategies, clashes, and confrontations that are impossible to keep up with absolute hypnosis on the part of the viewer.

Much of the film’s appeal comes from the excellence of the central trio of actresses, beginning with the extraordinary BAFTA-winning Olivia Colman and multiple acting awards for her performance in this THE FAVOURITE. Olivia has done other exceptional work, such as the lead role of the notable TV series BROADCHURCH. Here, however, she makes a superlative, challenging, unprecedented and incredibly fascinating character.

Figthing for the FAVORITE’s position are the always great Rachel Weisz (Oscar for Best Actress for THE CONSTANT GARDENER), such as the incredible Lady Sarah and the rising Emma Stone (Oscar for Best Actress for LA LA LAND), living the ambitious Abigail.The verbal and scenic duels of the two are anthological, greatly aided by the brilliant dialogues of the script, such as “I just know that your carriage is waiting and my maid is coming up with something called pineapple.”

Incidentally, the unique creativity of the script begins with the middle titles and the initial and final credits of the movie, simply ingenius.

There is no way to not mention the brilliant soundtrack, always underlining key situations in the plot, in an unusual way, but always propositive. And the song SKYLINE PIGEON, sung by Elton John, at the end of the film is simply stunning.

THE FAVOURITE is, for all these reasons, a superior film that, although uncomfortable and often difficult to see, deserves a lot going to the movies.