O seriado REVENGE, de Mike Kelley ressucitou um tipo de série que se assemelha muito às novelas brasileiras. Dramas familiares, título curto e provocante, cenas emotivas, planos de vingança que duram décadas, personagens malévolos, segredos revelados bombasticamente, alguns assassinatos, personagens frios e calculistas, trilha sonora tonitruante e muita cena surpreendente, normalmente no final de cada episódio.

O exemplar clássico do gênero foi DALLAS, que décadas atrás mobilizou o mundo inteiro com a pergunta “quem matou J.R.?”

DILEMA, nova série que o produtor Kelley fez para a NETFLIX segue rigorosamente esta receita. ainda acrescenta algumas pitadas novas de ousadia, como a liberalidade das cenas de homossexualismo, próprias das séries feitas especialmente para os serviços de streaming, supostamente mais adultas.

Renée Zellwegger – a eterna Bridget Jones – cada vez mais plastificada, vive a personagem central Anne Montgomery, uma bilionária que procura uma jovem cientista que desenvolveu um mapeamento genético que pode impactar a indústria farmacêutica em uma startup com uma proposta indecente (como no filme de Adryan Lyne com Robert Redford, Demi Moore e Woody Harrelson décadas atrás): dar 80 milhões de dólares em investimento na empresa se a jovem permitir que o marido passe uma noite a sós com ela.

No filme de Lyne, o preço de uma noite era um milhão de dólares. Hoje – mesmo sendo um investimento – o preço é de US$ 80 milhões. Haja inflação! A proposta que já era melodramática em 1993, soa ainda mais fantasiosa em 2019, onde mesmo em grandes conglomerados financeiros há regras de compliance, auditorias permanentes e conselhos de gestão.

Mas realismo não é, definitivamente, uma das preocupações de DILEMA. Seu foco é muito mais o melodrama da história principal (a relação triangular entre a bilionário Montgomery, a médica Lisa Donovan e seu jovem marido Sean Donovan. DILEMA também investe nas histórias paralelas, repletas de temas atuais, como o casal gay com receio de se expor, a jovem médica negra assediada por seu poderoso chefe, o executivo imigrante em busca de compatibilizar seus valores e o desejo de ascender na vida, e os trumas do passado e sua influência nos comportamentos das pessoas. Outro tema central é a ganância (assunto caro aos melodramas do gênero), que motiva personagens a largar seus princípios por somas e poderes sedutores.

O jovem e bom elenco ajuda muito a segurar os dez capítulos de DILEMA. Jane Levy e Blake Jenner são suficientemente jovens e bonitos para sustentar o casal protagonista. Keith Powers e Samantha Maria Ware estão ótimos como os coadjuvantes cheios de problemas. A latina Daniella Pineda faz uma ótima CFO leal à sócia. E as aparições dos veteranos Louis Hertun e Julian Sands dão um correto ar assustador à história.

Não faltam paixões, traições, sexo, violência, vinganças e estratégias. Coerência e aprofundamento já ficam mais raros. E o espectador descobre o segredo final quase no meio da trama. Em resumo, esta primeira temporada de DILEMA (sim, acho que vem por aí a segunda temporada) tem todas as qualidades de uma produção de orçamento e equipe classe A e todos os defeitos (ou características) de uma novela filmada. Veja se faz sua cabeça.

Mike Kelley‘s series REVENGE has revived a type of series that closely resembles Brazilian soap operas. Family dramas, short, memorable and provocative title, emotional scenes, decades-long revenge plans, malevolent characters, bombshell revealed secrets, some murders, cool, calculating characters, thundering soundtrack, and surprising scenes, usually at the end of each episode.

The classic of the genre is DALLAS, who decades ago mobilized the entire world with the question “who shot J.R.?”

WHAT IF, the new series that producer Kelley made for NETFLIX strictly follows this recipe. It still adds some new topics of boldness, such as the liberality of homosexual scenes, which are usual in series made especially for streaming services, supposedly more adult.

Renée Zellwegger – the eternal Bridget Jones – increasingly plasticized lives the central character Anne Montgomery, a billionaire looking for a young scientist who has developed a genetic mapping that can impact the pharmaceutical industry on a startup with an indecent proposal (as in Adryan Lyne film with Robert Redford, Demi Moore and Woody Harrelson years ago): give $ 80 million in investment in the company if the young woman allows her husband to spend a night alone with her.

In Lyne’s movie, the price of a night was one million dollars. Today – even being an investment – the price is US$ 80 million. What a inflation! The proposal that was already melodramatic in 1993, sounds even more fanciful in 2019, where even in major financial conglomerates there are rules of compliance, permanent audits and management councils.

But realism is definitely not one of WHAT IF‘s concerns. Its focus is much more on the melodrama of the main storyline (the triangular relationship between billionaire Montgomery, Dr. Lisa Donovan and her young husband Sean Donovan.) WHAT IF also invests in parallel stories full of current themes such as the gay couple, the black medical girl besieged by her powerful boss, the immigrant executive seeking to reconcile his values ​​and the desire to ascend in life, and the traumas of the past and their influence on people’s behavior. Greed (typical in melodramas of the genre) motivates characters to drop its principles by sums and seductive powers.

The young and good cast helps a lot to hold the ten chapters of WHAT IF. Jane Levy and Blake Jenner are young enough and beautiful enough to support the protagonist couple. Keith Powers and actress Daniella Pineda are great as the problem-ridden co-stars. Latina Daniella Pineda makes a great loyal CFO to her partner. And the appearances of veterans Louis Hertun and Julian Sands give a correct scary tone to the story.

Passions, betrayals, sex, violence, revenge and strategies are not lacking. Coherence and deepening are already rarer. And the viewer can understand the great secret of the plot almost in the middle of the chapters. In summary, this first season of WHAT IF (yes, I think that it is coming the second season) has all the qualities of a budget production and a top team and all the defects (or characteristics) of a filmed soap opera. See if it makes your head.