OBJETOS CORTANTES, série da HBO que foi ao ar em 2018, disponível no NOW e no HBO to GO, é outro momento antológico do canal na história da televisão. A mini série é baseada em outro romance da escritora americana Gillian Flynn, responsável pela criação das histórias de GAROTA EXEMPLAR, AS VIÚVAS e LUGARES ESCUROS.

Na direção da série o cineasta canadense Jean-Marc Vallée (que já tinha mostrado um talento diferenciado como diretor de CLUBE DE COMPRAS DALLAS) e está na produção de LITTLE BIG LIES, também da HBO, dá um show de competência e conhecimento cinematográfico.

A ótima atriz americana nascida na Itália Amy Adams (aos 45 anos já tem 6 indicações ao Oscar incluindo os excelentes A CHEGADA, DÚVIDA e TRAPAÇA) faz a protagonista, a sulista jornalista Camille Preaker que fugiu de sua cidade natal após uma tentativa de suicídio e trabalha em um jornal de St. Louis. Ele vive traumatizada com os fatos de sua infância, adolescência e vida adulta sendo alcoólatra e viciada em automutilação.

A origem de seus traumas é a mãe dominadora e abusiva Adora Crelin, assustadora criação da atriz Patricia Clarkson (indicada ao Oscar e vencedora do Emmy e do Globo de Ouro). Entre tantas mães dominadoras da história do cinema, a Adora de Clarkson ganha um lugar na prateleira de cima. Brilhantemente escrita e dirigida a atriz tem seu melhor papel, o que rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante Drama. Impositiva, manipuladora, dominadora e verbal e fisicamente abusiva ela não somente impõe suas vontades a toda a família (o marido omisso as filhas passivas e a criada) como, em face do poder econômico e político, a todos na cidade. Patricia Clarkson já se destacou em séries como A SETE PALMOS e HOUSE OF CARDS e filmes como VICKY CRISTINA BARCELONA, BOA NOITE BOA SORTE e A ESPERA DE UM MILAGRE).

Para complicar as coisa a jornalista Camille é enviada à sua cidade natal de WIND GAP (2.000 habitantes) para fazer matérias investigativas sobre o assassinato de uma jovem e o desaparecimento de outra ocorrido em poucas semanas. Lá ela vai conhecer o detetive de Kansas City Richard Willis (tão desconcertado quanto ela pela maldade das pessoas da cidade e sem conhecer seu passado) interpretado pelo ator Chris Messina, de NEWSROOM.

Orbitando entre eles estão personagens maravilhosos como o Xerife Bill Vickery (Matt Craven), a solitária e fofoqueira Jackie O’Neill (Elizabeth Perkins), o padrasto misterioso allan Crelin (Henry Czerny de MISSÃO IMPOSSÍVEL), a meio-irmã maluquete Amma (a atriz australiana Eliza Scanien mesclando fragilidade e sensualidade), o editor Frank Curry (o maravilhoso ator Miguel Sandoval de PERIGO REAL E IMEDIATO) e os suspeitos John Keene (Taylor John Smith) e Chris (David Sullivan). No quadro festas de adolescentes regradas a bebidas, drogas e transgressões, segredos, olhares e sussurros, velhas mansões sulistas e um matadouro de porcos que dita a única atividade econômica do local.

A quantidade de temas abordados (pedofilia, abusos, serial killers, drogas, suicídos, abandono, auto mutilação, traumas familiares, carência…) e a densidade de suas cenas nos oito episódios fazem de OBJETOS CORTANTES mais uma série top de linha da HBO. Depois de TRUE DETECTIVE, THE NIGHT OF e LITTLE BIG LIES, estes SHARP OBJECTS tem um merecido lugar.

A solução final da trama é absolutamente surpreendente e desconcertante, embora totalmente inserida no contexto dramático (quase trágico) da narrativa. As cenas pós-créditos têm papel essencial na compreensão da real identidade do culpado. Cinema (ou televisão) de primeira qualidade. Coisa de artista nota dez.

SHARP OBJECTS, HBO series that aired in 2018, available on the NOW and HBO to GO, is another anthological moment in television history. The mini series is based on another novel by the American writer Gillian Flynn, responsible for creating the stories of GONE GIRL, WIDOWS and DARK PLACES.

As the director of the series, the Canadian filmmaker Jean-Marc Vallée (who had already shown a distinguished talent as director of DALLAS BUYERS CLUB) and is in the production of LITTLE BIG LIES, also of HBO, gives a show of competence and cinematographic knowledge

The great American actress born in Italy Amy Adams (at age 45 she already has 6 nominations for the Oscars including the excellent THE ARRIVAL, DOUBT and AMERICAN HUSTLE) is the protagonist, as the southern journalist Camille Preaker who fled her hometown after an attempt of suicide and works in a St. Louis newspaper. She lives traumatized by the facts of childhood, adolescence and adult life being an alcoholic and addicted to self-mutilation.

The origin of her traumas is the dominating and abusive mother Adora Crelin, the daunting creation of actress Patricia Clarkson (Oscar nominee and Emmy and Golden Globe winner). Among so many tiranic mothers in movie history, Clarkson’s Adora takes a place on the top shelf. Brilliantly written and directed the actress has her best role, which earned the Golden Globe for Best Supporting Actress Drama. Impossible, manipulative, domineering, and verbally and physically abusive, she not only imposes her will on the whole family (the passive husband, daughters and the maid) and, in the face of economic and political power, everyone in the city. Patricia Clarkson has already stood out in such series as SIX FEET UNDER and HOUSE OF CARDS and films like VICKY CRISTINA BARCELONA, GOOD NIGHT GOOD LUCK and THE GREEN MILE.

To increase the problems, the journalist Camille is sent to her hometown of WIND GAP (2,000 inhabitants) to do investigative material on the murder of one young woman and the disappearance of another one occurred in a few weeks. There she will meet Kansas City detective Richard Willis (as baffled as she by the evil of the town and without knowing the past) played by NEWSROOM actor Chris Messina.

Orbiting between them are wonderful characters like Sheriff Bill Vickery (Matt Craven), the solitary and gossipy Jackie O’Neill (Elizabeth Perkins), the mysterious stepfather Allan Crelin (Henry Czerny of MISSION IMPOSSIBLE), the crazy half-sister Amma (the Australian actress Eliza Scanien wonderfully merging fragility and sensuality), the editor Frank Curry (the excellent actor Miguel Sandoval of CLEAR AND PRESENT DANGER) and the suspects John Keene (Taylor John Smith) and Chris (David Sullivan). And there are nocturnal parties of adolescents ruled by drinks, drugs and transgressions, secrets, looks and whispers, old southern mansions and a slaughterhouse of pigs that dictate the unique economic activity of the place.

The number of themes covered (pedophilia, hipocondrya, abuses, serial killers, drugs, suicide, abandonment, self-mutilation, family traumas …) and the density of their scenes in the eight episodes make of SHARP OBJECTS a top series of the HBO line. After TRUE DETECTIVE, THE NIGHT OF and LITTLE BIG LIES, these SHARP OBJECTS have a well deserved place.

The final solution to the plot is absolutely startling and disconcerting, though it is totally embedded in the dramatic (almost tragic) context of the narrative. Post-credit scenes play a key role in understanding the real identity of the culprit. Cinema (or television) of the highest quality. A masterpiece made by a great artist.