HEBE, A ESTRELA DO BRASIL: Andrea Beltrão Dá Show Recriando Ícone da TV Brasileira em Parte (Pequena) de Sua História

HEBE, A ESTRELA DO BRASIL, do cineasta Maurício Farias (cineasta carioca responsável por O CORONEL E O LOBISOMEM e programas de humor da TV Globo) tem como grande atração o extraordinário trabalho da atriz Andrea Beltrão (esposa do diretor) recirando a figura mítica da história da TV Brasileira, Hebe Camargo.

Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani foi a maior apresentadora da TV Brasileira, tendo apresentado seu programa (um precursor dos talk shows, sempre caracterizado por entrevistas no famoso sofá e números musicais feitos ao vivo para um auditório apaixonado de fãs) por mais de quarenta anos na TV Bandeirantes e SBT. Iniciou sua carreira como atriz e cantora na Rádio Tupi, na década de 40. Morreu em 2012.

O filme de Maurício Farias é todo calcado em uma parte da história da apresentadora (entre a saída dela da TV Bandeirantes até o início da carreira no SBT. Hebe se declarava como uma pessoa de direita (ficou marcada pelo apoio permanente a Paulo Maluf, Prefeito e Governador de São Paulo múltiplas vezes) defensora de causas sociais de minorias gays e trabalhadores, críticas forte aos políticos do Congresso Nacional e ataques constantes à corrupção e à crise econômica grave que o País atravessava. Era, desta forma, uma pessoa a frente do seu tempo, tendo coragem de avançar, criticar e progredir em seus programas mesmo com a vigência forte da censura dos meios de comunicação.

Andrea Beltrão, reconhecidamente uma grande atriz, faz aqui seu melhor trabalho, recriando uma figura presente na memória de todos sendo emotiva, detalhista, contundente e jamais caindo na armadilha de ser um estereótipo da figura pública que interpreta.

O filme é corajoso em mostrar em detalhes a violência por ciúmes da relação da apresentadora com seu Marido Lelio Ravagnani (com quem ela foi casada entre 1971 e 2000, data da morte dele), outro bom trabalho de Marco Ricca. Também expõe em detalhes a briga de Hebe Camargo com os Deputados constituintes em 1988, o que motivou um processo penal contra ela. Outro fato digno de nota é que o filme, ambora seja produção da Globo Filmes (e vá ter 14 episódios em uma minissérie na Globo) expõe as seguidas manifestações de Hebe que odiava a Rede Globo e jamais trabalharia na emissora.

No elenco, ainda estão Danton Mello (o sobrinho e empresário), Gabriel Braga Nunes (o primeiro marido e pai de seu filho), Caio Horovicz (Marcelo, o filho), Danilo Grangheia (Walter Clark), Otávio Augusto (Chacrinha), Claudia Missura (Nair Bello), Karine Teles (Lolita Rodrigues), Daniel Boaventura (Silvio Santos), Ivo Muller (Carlucho), Stella Miranda (Dercy Gonçalves), Renata Bastos (Roberta Close) e Felipe Rocha (Roberto Carlos).

Dois pontos negativos podem ser mencionados: o filme é bem restrito no período da vida de Hebe que enfoca, apenas uma década de uma vida de mais de sete décadas e 40 anos de trabalho em televisão. Na minha opinião isto restringe a visão da grandeza que Hebe tem na história da TV Brasileira. O segundo ponto é que o início do filme custa a engrenar, passando uma sensação de lentidão e monotonia.

De qualquer sorte, HEBE, A ESTRELA DO BRASIL, pelo capricho de sua produção, pela competência de seu roteiro, montagem, direção e acabamento formal (a cena final é brilhante e emocionante) e, sobretudo pela interpretação de andrea Beltrão vale muito a pena ser visto e curtido como um registro poderoso e emotivo de uma pa’gina relevante da história de nossa televisão e de nosso País.

HEBE, by filmmaker Mauricio Farias (carioca filmmaker responsible for THE COLONEL AND THE WEREWOLF and various TV Globo comic shows) is attractive by the extraordinary work of actress Andrea Beltrão (the director’s wife) reciting the mythical figure in the history of Brazilian TV, Hebe Camargo.

Hebe Maria Monteiro de Camargo Ravagnani was the biggest presenter of Brazilian TV, having presented her program (a precursor of talk shows, always characterized by interviews on the famous couch and live music numbers for a passionate audience of fans) for more than forty years on TV Bandeirantes and SBT. She began her career as an actress and singer on Radio Tupi in the 40’s. She died in 2012.

Mauricio Farias’s film is all based on a part of the presenter’s story (between her departure from TV Bandeirantes until the beginning of her career at SBT). Hebe declared herself as a right-wing person (she was marked by her permanent support for Paulo Maluf, Mayor and Governor of São Paulo multiple times) defender of social causes of gay minorities and workers, strong criticism of the politicians of the National Congress and constant attacks on corruption and the severe economic crisis that the country was going through. Ahead of their time, having the courage to advance, criticize and make progress in their programs despite the strong censorship of the media.

Andrea Beltrão, admittedly a great actress, does her best work here, recreating a figure present in everyone’s memory by being emotional, detailed, forceful and never falling into the trap of being a stereotype of the public figure she plays.

The film is brave in showing in detail the jealous violence of the presenter’s relationship with her Husband Lelio Ravagnani (with whom she was married between 1971 and 2000, the date of his death), another good work by Marco Ricca. It also sets out in detail Hebe Camargo’s fight with the constituent deputies in 1988, which prompted a criminal case against her. Another noteworthy fact is that the film, although it is a Globo Filmes production (and will have 14 episodes in a Globo miniseries), exposes the ensuing manifestations of Hebe who hated Rede Globo and would never work at the network.

In the cast are still Danton Mello (the nephew and businessman), Gabriel Braga Nunes (the first husband and father of his son), Caio Horovicz (Marcelo the son), Danilo Grangheia (Walter Clark), Otavio Augusto (Chacrinha), Claudia Missura (Nair Bello), Karine Teles (Lolita Rodrigues), Daniel Boaventura (Silvio Santos), Ivo Muller (Carlucho), Stella Miranda (Dercy Gonçalves), Renata Bastos (Roberta Close) and Felipe Rocha (Roberto Carlos) .

Two negatives small points can be mentioned: the film is very restricted in Hebe’s life span that focuses on just a decade of a life of more than seven decades and 40 years of television work. In my opinion this restricts Hebe’s greatness in the history of Brazilian TV. The second point is that the beginning of the film is hard to mesh, with a feeling of slowness and monotony.

Anyway, HEBE, THE MOVIE, for the whim of its production, for the competence of its script, editing, directing and formal finishing (the final scene is brilliant and exciting) and, above all for the interpretation of Andrea Beltrão worth a lot to be seen and enjoyed as a powerful and emotional record of a relevant page in the history of our television and our country.

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