DUNA: David Lynch Fez um Filme de Ficção Científica que é Bem Mais que Isto

O cineasta Canadense Denis Villeneuve (BLADE RUNNER 2049, SICARIO e ARRIVAL) está fazendo uma nova versão de DUNA, o épico interplanetário de ficção científica baseado no livro best-seller do escritor Frank Herbert. O elenco desta nova versão é estelar: Rebeca Ferguson, Thymothée Chalamet, Jason Momoa, Stellan Skarsgard, Zendaya, Oscar Isaacson, Dave Bautista, Josh Brolin, Javier Barden e Charlotte Rampling.

Em 1984, o diretor americano David Lynch levou às telas a história de um príncipe que se vê obrigado a lutar contra o Imperador tirânico que assassinou seu pai na luta pelo poder na Galáxia. O objetivo do herói é libertar o Planeta deserto Duna.

O cast do filme de Lynch também era pleno de figurinhas carimbadas: Sting, Kyle MacLachan, Virginia Madsen, Silvana Mangano, Linda Hunt, Jurgen Prochnow, Richard Jordan, Freddie Jones, Jose Ferrer, Dean Stockwell, Max von Sydow, Patrick Stewart, Sean Young e Humberto Elizondo.

Lembro que vi DUNA a primeira vez no antigo Cine Victoria, uma enorme sala de cinema de mais de 1000 poltronas (contando o mezanino), localizado na esquina da Avenida Borges com a Rua Andrade Neves, bem no centro de Porto Alegre. O filme iniciava com uma narração em off na quel uma das personagens resumia – na medida do possível – a história que se iria ver. Eram tantos nomes de personagens, planetas, batalhas e galáxias que eu logo me perdi.

Sai do cinema muito impressionado pelo deslumbramento visual que DUNA trazia. Eram cenas e mais cenas visualmente deslumbrantes, me apresentando um cineasta irreverente, criativo e iconoclasta que marcaria minha memória cinematográfica nas décadas seguintes. Lynch fez VELUDO AZUL (um dos filmes mais impressionantes que já vi) e TWIN PEAKS (minha série de TV mais marcante até hoje).

Rever DUNA bem mais maduro, me mostrou que a história em si era meio irrelevante. Quem o jovem Paul Astreides vai enfrentar para libertar DUNA e permitir o livre trânsito da “especiaria” era apenas a história do filme. Na realidade – como sempre – Lynch fez seu filme de ficção científica para produzir um delírio visual e sensorial. Há evidentes alegorias e metáforas sobre drogas, incesto, homossexualidade, órgãos sexuais, liberdade, sado masoquismo, tortura, símbolos fálicos, robôs, possessões, anões e livre arbítrio. O universo delirante Lynchiano.

Acho DUNA um filme subvalorizado e pouco entendido pelos críticos e pelo público. O mundo de David Lynch já era complexo (e maravilhoso) muitos anos antes dele perguntar “Quem matou Laura Palmer?”

Canadian filmmaker Denis Villeneuve (BLADE RUNNER 2049, SICARIO and ARRIVAL) is making a new version of DUNE, the interplanetary sci-fi epic based on writer Frank Herbert‘s bestselling book. The cast of this new version is stellar: Rebeca Ferguson, Thymothée Chalamet, Jason Momoa, Stellan Skarsgard, Zendaya, Oscar Isaacson, Dave Bautista, Josh Brolin, Javier Barden and Charlotte Rampling.

In 1984, American director David Lynch took to the screen the story of a prince forced to fight the tyrannical emperor who murdered his father in the power struggle in the Galaxy. The hero’s goal is to free the desert planet Dune.

Lynch’s movie cast was also full of stamped stickers: Sting, Kyle MacLachan, Virginia Madsen, Silvana Mangano, Linda Hunt, Jurgen Prochnow, Richard Jordan, Freddie Jones, Jose Ferrer, Dean Stockwell, Max von Sydow, Patrick Stewart, Sean Young and Humberto Elizondo.

I remember seeing DUNE for the first time in the old Cine Victoria, a huge cinema of over 1000 seats (counting the mezzanine), located at the corner of Avenida Borges and Rua Andrade Neves, right in the center of Porto Alegre. The film began with a narration in which one of the characters summarized – as far as possible – the story to be seen. There were so many character names, planets, battles, and galaxies that I soon got lost.

I left the theater very impressed by the visual wonder that DUNE brought. These were images and more visually stunning scenes, introducing me to an irreverent, creative and iconoclastic filmmaker who would mark my cinematic memory for decades to come. Lynch has made BLUE VELVET (one of the most impressive movies I have ever seen) and TWIN PEAKS (my most outstanding TV series to date).

Reviewing DUNA much more mature showed me that the story itself was kind of irrelevant. Who the young Paul Astreides will face to free DUNE and allow the free passage of the “spice” was just the story of the movie. In fact – as always – Lynch made his science fiction movie to produce visual and sensory delirium. There are evident allegories and metaphors about drugs, incest, homosexuality, sex organs, freedom, sado masochism, torture, phallic symbols, robots, possessions, dwarfs, and free will. The delirious Lynchian universe.

I think DUNA is an undervalued film and little understood by critics and the public. David Lynch’s world was complex (and wonderful) many years before he asked “Who killed Laura Palmer?”

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