A MORTE NÃO MANDA AVISO: Guerra Fria Foi Pano de Fundo Para Filme de Espionagem Modelo

Meu amigo Ernani Back me sugeriu, a partir do post sobre a Senta Berger, ver um filme de 1966, intitulado A MORTE NÃO MANDA AVISO (THE QUILLER MEMORANDUM), que Michael Anderson, a partir de um roteiro do célebre Harold Pinter, baseado no livro de Trevor Dudley Smith. Feito no auge da Guerra Fria, o filme narra a história de um espião inglês (George Segal) que chega à Berlim no pós-guerra para investigar o assassinato de dois agentes britânicos. Tem o filme integral (em boa cópia) disponível de graça no Youtube.

Como era típico dos filmes desta época (especialmente ps que tinham como pano de fundo a Guerra Fria), THE QUILLER MEMORANDUM tem muito pouca ação, muitos diálogos, incontáveis cenas de perseguições a pé e todo campo para a paranóia ocidental sobre os “do lado de lá”. No caso deste filme, os vilões integram uma célula nazista chefiada pelo sinistro “Oktober”, vivido magistralmente pelo ator sueco Max von Sydow, recentemente falecido.

Do lado dos “mocinhos”, atores não menos famosos pontificam: o chefe dos espiões britânicos em West Berlim é nada mais nada menos que Alec Guiness, vivendo o charmoso (mas dúbio) Pol, capaz de mandar matar qualquer pessoas, mas não dispensando o “robe de chambre” de seda mesmo no serviço e um lauto café da manhã como primeira refeição do dia.

O elenco ainda traz outras figurinhas carimbadas como a austríaca Senta Berger (absolutamente linda), como a fria Inge Lindt, George Sanders (como Gibbs) e Edith Schneider. Não acho que George Segal tivesse o “physique du rôle” para viver um imponente espião, tipo James Bond. Mas o personagem Quiller está mais para cerebral e estrategista que para um matador frio e calculista.

O diretor Michael Anderson tem vários filmes famosos em seu currículo: A VOLTA AO MUNDO EM 80 DIAS, AS SANDÁLIAS DO PESCADOR, FUGA NO SÉCULO 23 e ORCA A BALEIA ASSASSINA.

São clássicos da Guerra Fria, filmes como DOUTOR FANTÁSTICO, de Stanley Kubric, O ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO, de Martin Ritt, SETE DIAS DE MAIO, de John Frankenheimer, TOPÁZIO e CORTINA RASGADA, ambos de Alfred Hitchcock, O TERCEIRO HOMEM, de Carol Reed e THE ICPRESS FILE, de Sidnei J. Furie.

A MORTE NÃO MANDA AVISO bebe desta fonte. É uma história detalhada, com mocinhos e vilões bem caracterizados, espaço para um certo romance, muito medo sobre movimentos para conquistar o mundo e paranóia total sobre o pessoal do “lado de lá”, assassinos e torturadores gelados. Feito com muita competência é um belo retrato de uma época que para muitos já passou. Felizmente.

My friend Ernani Back suggested to me, after the post about Senta Berger, to see a 1966 film, THE QUILLER MEMORANDUM, that English Michael Anderson made, from a script by the famous Harold Pinter, based on the book by Trevor Dudley Smith. Produced at the height of the Cold War, the film tells the story of an English spy (George Segal) who arrives in Berlin in the postwar period to investigate the murder of two British agents. The full film (in good copy) is available for free on Youtube.

As was typical of the films of this time (especially the ones that had the Cold War as a backdrop), THE QUILLER MEMORANDUM has very little action, many dialogues, countless scenes of persecution on foot and the whole field for ocidental paranoia about the people “on the other side”. In the case of this film, the villains are part of a Nazi cell headed by the sinister “Oktober”, lived masterfully by the Swedish actor Max von Sydow, recently deceased.

On the side of the “good guys”, no less famous actors pontificate: the chief of British spies in West Berlin is none other than Alec Guinness, living the charming (but dubious) Pol, capable of having anyone killed, but not dismissing the silk robe de chambre even in service and a hearty breakfast as the first meal of the day.

The cast also brings other stamped figurines like the Austrian Senta Berger (absolutely beautiful), like the cold Inge Lindt, George Sanders (as Gibbs) and Edith Schneider. I don’t think George Segal had the “physique du rôle” to live an imposing spy, like James Bond. But the Quiller character is more cerebral and strategist than a cold, calculating killer.

The filmmaker Michael Anderson has several well known movies in his resumée: AROUND THE WORLD IN 80 DAYS, THE SHOES OF THE FISHERMAN, LOGAN’S RUN and ORCA THE KILLER WHALE.

Cold War classics include films such as DOCTOR STRANGELOVE, by Stanley Kubric, THE SPY THAT CAME IN FROM THE COLD, by Martin Ritt, SEVEN DAYS IN MAY, by John Frankenheimer, TOPÁZIO and TORN CURTAIN, both by Alfred Hitchcock, THE THIRD MAN, by Carol Reed and THE ICPRESS FILE, by Sidney J. Furie.

THE QUILLER MEMORANDUM drinks from this source. It is a detailed story, with well-characterized good guys and villains, space for a certain romance, a lot of fear about movements to conquer the world and total paranoia about the people “on the other side”, murderers and cold torturers. Done with great competence it is a beautiful portrait of an era that for many has passed. Fortunately.

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