SERGIO: NETFLIX Coloca no Ar o Filme com Wagner Moura e o Documentário da HBO Sobre Sergio Vieira de Mello ao Mesmo Tempo

Em uma sentada, vi os dois filmes SERGIO, cinebiografias do Diplomata Brasileiro Sérgio Vieira de Mello, Alto Comissário de Direitos Humanos da ONU, morto em um atentado a bomba em Baghdad no Iraque, em 19 de agosto de 2003. Curiosamente, tanto o filme com atores, como o documentário da HBO foram dirigidos pelo mesmo cineasta, o californiano Greg Baker, vencedor do EMMY por seu MANHUNT, um documentário sobre a caçado a Bin Laden.

A NETFLIX está disponibilizando os dois filmes, fazendo com que seja muito interessante comparar o cinema documental e o ficcional, em duas obras contemporâneas sobre o mesmo personagem histórico.

SERGIO(2009), da HBO é um documentário rico, profundo, muito bem editado, com imagens incríveis, participação de figuras exponenciais do cenário político mundial como a Ex-Secretária de Defesa dos EUA, Condoleezza Rice, do Ex-Primeiro Ministro Inglês Tony Blair, do Ex-Chanceler da ONU Kofi Anan e uma extensa entrevista de Carolina Larriera (economista Argentina da ONU, esposa de Sergio na data da morte) e vários outros personagens reais da história de Sérgio. Curiosamente, muitas vezes o documentário transcende em emoção ao filme de ficção, comprovando ser uma obra cinematográfica mais perfeita.

SERGIO (2020), o filme igualmente foi feito com muito esmero e com cuidados de produção impressionantes. Seu primeiro trunfo é a história do diplomata, por si só extremamente atraente e cheia de elementos de interesse, como a descrição do cenário político mundial na época da invasão do Iraque, os meandros da diplomacia internacional em seu mais alto nível, os bastidores da política e do jogo de poder entre grandes atores dos governos mais poderosos e a situação aflitiva dos países menos desenvolvidos e seus povos em situações que exigem a intervenção da ONU.

Wagner Moura (o eterno Capitão Nascimento de TROPA DE ELITE, de José Padilha) e a ascendente atriz cubana Ana de Armas (nova Bondgirl em SEM TEMPO PARA MORRER, próximo filme de James Bond) estão muito bem como Sérgio Vieira de Mello e Carolina Larriera, dois protagonistas do episódio que tirou a vida do brasileiro.

O filme tem locações (belíssimas) no Rio de Janeiro, na Jordânia e na Tailândia, recriando os países onde Sergio fez seus mais famosos trabalhos, como o Timor Leste, onde foi figura proeminente para sua libertação.

Na minha opinião, o filme tem alguns pecados. O principal deles foi a forma de narrativa escolhida. Como é moda hoje, o filme inicia pelo atentado, deixa o protagonista entre ruínas aguardando a morte e vai rememorando sua vida através de flashbacks entremeados com novas cenas dos momentos finais de Sergio. Achei um grave erro: a cena que deveria ser o clímax emocional do filme (o atentado a bomba), fica diluída e atenuada, ao ser “dividida” em muitas cenas. Acho que a história perdeu muito em emoção pela escolha.

Há, sem dúvida, o que as críticas chamaram de “idealização” (alguns chegaram a denominar “jamesbondização”) do personagem. Curiosamente, o filme documental parece ter tido mais sucesso em mostrar as hesitações, as ambições e o personalismo do diplomata que a obra de ficção. Novamente acho que isto retirou emoção do filme que, em raros momentos, consegue fugir de uma certa frieza de olhar sobre fatos e personagens.

De qualquer sorte, acho que ambos os filmes valem muito a pena para o espectador interessado em conhecer com maiores detalhes a vida de um personagem importante da história recente da diplomacia mundial, o brasileiro Sergio Vieira de Mello que galgou os mais altos degraus da ONU até ser morto por uma bomba. Retrato cruel dos nossos tempos.

In one sitting, I saw the two SERGIO films, biographies of the Brazilian Diplomat Sérgio Vieira de Mello, UN High Commissioner for Human Rights, killed in a bomb attack in Baghdad, Iraq, on August 19, 2003. Interestingly, both the film with actors such as the HBO documentary were directed by the same filmmaker, Californian Greg Baker, winner of EMMY for his MANHUNT, a documentary on the hunt for Bin Laden.

NETFLIX is making the two films available, making it very interesting to compare documentary and fictional cinema in two contemporary works on the same historical character.

HBO’s SERGIO (2009) is a rich, deep, very well-edited documentary, with incredible images, the participation of exponential figures from the world political scene such as the Former US Secretary of Defense, Condoleezza Rice, of the Former English Prime Minister Tony Blair, from Former UN Chancellor Kofi Annan and an extensive interview by Carolina Larriera (UN Argentinian economist, Sergio’s wife at the time of his death) and several other real characters in Sérgio’s story. Interestingly, the documentary often transcends the fiction film in emotion, proving to be a more perfect cinematographic work.

SERGIO (2020), the film, is also made with great care and with impressive production. Its first asset is the diplomat’s history, which is extremely attractive and full of elements of interest, such as the description of the world political scene at the time of the invasion of Iraq, the intricacies of international diplomacy at its highest level, the backstage of politics and the power game between major actors from the most powerful governments and the fight of the least developed countries and their peoples in situations that require UN intervention.

Wagner Moura (the eternal Captain Nascimento of ELITE SQUAD, by José Padilha) and the rising Cuban actress Ana de Armas (new Bondgirl in NO TIME TO DIE, next James Bond film) are very well like Sérgio Vieira de Mello and Carolina Larriera, two protagonists of the episode that took the Brazilian’s diplomat life.

The film has locations (beautiful) in Rio de Janeiro, Jordan and Thailand, recreating the countries where Sergio did his most famous works, such as East Timor, where he was a prominent figure for his release.

In my opinion, the film has some sins. The main one was the chosen narrative form. As is fashionable today, the film starts with the attack, leaves the protagonist among ruins awaiting death and reminisces about his life through flashbacks interspersed with new scenes from Sergio’s final moments. I found a serious mistake: the scene that should be the emotional climax of the film (the bombing), is diluted and attenuated, when it is “divided” into many scenes. I think the story lost a lot of emotion for the choice.

There is undoubtedly what the critics called the character’s “idealization” (some even called it “jamesbondization”). Interestingly, the documentary film seems to have been more successful in showing the diplomat’s hesitations, ambitions and personalism than the work of fiction. Again, I think this removed emotion from the film, which, in rare moments, manages to escape from a certain coldness of looking at facts and characters.

Anyway, I think that both films are very worthwhile for the viewer interested in knowing in more detail the life of an important character in the recent history of world diplomacy, the Brazilian Sergio Vieira de Mello who climbed the highest steps of the UN until be killed by a bomb. Cruel portrait of our times.

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