HOLLYWOOD: Ambiciosa Série da NETFLIX Cai na Armadilha da Ingenuidade ao Reescrever a História do Cinema

A NETFLIX lançou a ambiciosa série do Mega Produtor Ryan Murphy (VERSACE, GLEE, NIP TUCK) sobre a HOLLYWOOD do pós-guerra, Mesclando fatos e ficção, pessoas reais e personagens criados pelos roteirista, pretende reescrever a história atacando os preconceitos sexuais, raciais, étnicos e todas as formas de discriminação com que a terra do cinema (e o mundo ) convivem até hoje.

A busca de personagens – a maioria integrante de minorias discriminadas – por um lugar ao sol conta a história de cinco ou seis atores, atrizes, diretores e roteiristas cujo caminho em Hollywood teve que enfrentar preconceitos, sexismo, racismo e falta de dinheiro até chegar ao sucesso.

Os personagens ficcionais são um ator aspirante (David Corenswet) que se emprega em um posto de gasolina onde o principal negócio do proprietário (Dylan McDermott) é a prostituição masculina; um roteirista negro e homossexual que fez um roteiro “difícil”mas brilhante (Jeremy Pope); um diretor de cinema iniciante meio filipino cujo sonho é mudar os filmes que HOLLYWOOD faz (Darren Criss); uma atriz negra que sonha com o estrelato enquanto é restringida a papeis de empregadas e escravas (Laura Harrier); um produtora idealista que enfrenta todos para fazer filmes mais inclusivos (Patti Lupone, maravilhosa); uma jovem atriz loira cheia de privilégios por ser branca, rica e filha da dona do estúdio (Samara Weaving); uma atriz oriental em busca de reconhecimento (Michelle Krusiec); e um jornalista que vira agente de talentos para jovens atores dispostos a trocar favores sexuais (Jim Parsons).

Na lista das pessoas reais enfocadas estão Jack Picking (Rock Hudson, disposto a sair do armário apesar das consequências), Queen Latifah (Hattie McDonald, de E O VENTO LEVOU), Page Brewster (Tallullah Bankhead), Daniel London (George Cukor), Katie McGuiness (Vivian Leigh)Timothy Dvorak (Irving Thalbergh), Rachel Emerson (Rosalind Russell) e Holly Kaplan (Hedda Hopper).

Como se vê, um elenco de centenas de atores e atrizes para contar a história ficcional do filme MEG, contando a história de uma atriz discriminada que se suicidou no letreiro de HOLLYWOOD, o filme para mudar a tudo e a todos.

HOLLLYWOOD escorrega em sua proposta. Deixa de ser ácido e crítico e vira uma fábula utópica sobre o cinema e sobre o mundo. E, de quebra, reduz tudo de bom que os estúdios tinham e faziam, as centenas de pessoas (produtores, diretores, roteiristas, atores e atrizes) talentosas do cinema, numa visão reducionista difícil de se aceitar. Aí a série se afasta totalmente do ótimo ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD, de Quentin Tarantino que também se propôs a reescrever a história, enfocando um pequeno capítulo, o assassinato de Sharon Tate. Mas o filme de Tarantino escapa totalmente da utopia e lança um olhar crítico (embora terno e apaixonado) sobre HOLLYWOOD.

A Folha de São Paulo fez uma interessante matéria sobre o que é real e o que é ficcional em Hollywood. Este é o link para ler a matéria: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/05/descubra-o-que-e-fato-e-o-que-e-invencao-na-serie-hollywood-da-netflix.shtml

Lucy Mangan, no THE GUARDIAN, escreveu: “Entramos em uma história contrafactual, e a série se desfaz. Era a configuração perfeita para um olhar escandaloso sobre preconceito, corrupção, troca de moeda sexual, coerção, bem-estar e bem-estar”. maquinações lubrificadas que subjazem a uma indústria e como tudo molda a história – tudo através de uma lente #MeToo. Mas torna-se uma mera fantasia de realização de desejos que, com ou sem intenção, sugere que se algumas pessoas tivessem sido um pouco mais corajosas , então o cinema – e, portanto, o mundo! – seria um Éden glorioso e igualitário. É um programa presunçoso e obtuso o suficiente para acreditar na idéia auto-estima da terra de que a arte celulóide molda diretamente nossas vidas “.

O crítico de TV do NEW YORK TIMES, James Poniewozic, escreveu sobre HOLLYWOOD: “É um pensamento nobre e uma premissa audaciosa. Não funciona aqui, não por causa da fantasia – você pode ter liberdade na Terra dos Sonhos – mas por causa da história e as tensões de personagem que “Hollywood” visivelmente passa para chegar à sua conclusão. As linhas da história que começam cínicas de repente se tornam xaropes. Os personagens desenvolvem consciências e talentos dos quais haviam demonstrado pouca evidência. A produção assume um tom de sol forçado, como se toda a série tivesse chegado a Oz e a tela mudasse de preto e branco para cores. É para ser inspirador, mas só torna o espectador mais consciente das contorções pelas quais a série passa para se amarrar em um arco limpo. (O último episódio é intitulado “Um final de Hollywood”.) Um personagem que mantém um pouco de complexidade é o cansado e faminto Henry de Parsons, que faz uma meta crítica depois de exibir uma parte do filme em um show: “Há algo sobre o final que eu simplesmente não compro”. É uma linha consciente e autoconsciente, mas no final “Hollywood” não dá ouvidos a essa voz. Está determinado a transportá-lo para a Terra dos Sonhos, não importa o quão instável seja o passeio. “

HOLLYWOOD é um série bem produzida, ousada em sua proposta de reescrever a história mesclando fatos e ficção, mas cai muito na ingenuidade de sua DREAMLAND.

NETFLIX released the ambitious series by Mega Producer Ryan Murphy (VERSACE, GLEE, NIP TUCK) about postwar HOLLYWOOD. Merging facts and fiction, real people and characters created by the screenwriters, intends to rewrite history by attacking prejudices sexual, racial, ethnic and all forms of discrimination that the land of cinema (and the world) live with till today.

The search for characters – the majority of discriminated minorities – for a place in the sun tells the story of five or six actors, actresses, directors and screenwriters whose path in Hollywood had to face prejudice, sexism, racism and lack of money until you reach success.

The fictional characters are an aspiring actor (David Corenswet) who works at a gas station where the owner’s main business (Dylan McDermott) is male prostitution; a black, homosexual screenwriter who did a “difficult” but brilliant script (Jeremy Pope); a beginning Filipino film director whose dream is to change the films that HOLLYWOOD makes (Darren Criss); a black actress who dreams of stardom while being restricted to the roles of maids and slaves (Laura Harrier); an idealistic producer who faces everyone to make films more inclusive (Patti Lupone); a young blonde actress full of privileges for being white, wealthy and the daughter of the studio’s owner (Samara Weaving); an oriental actress seeking recognition (Michelle Krusiec); and a journalist who becomes a talent agent for young actors willing to exchange sexual favors (Jim Parsons).

On the list of focused real people are Jack Picking (Rock Hudson, willing to come out of the closet despite the consequences), Queen Latifah (Hattie McDonald, from GONE WITH THE WIND), Page Brewster (Tallullah Bankhead), Daniel London (George Cukor), Katie McGuiness (Vivian Leigh) Timothy Dvorak (Irving Thalbergh), Rachel Emerson (Rosalind Russell) and Holly Kaplan (Hedda Hopper).

As it turns out, a cast of hundreds of actors and actresses to tell the fictional story of the film MEG, telling about an discriminated actress who committed suicide in the sign of HOLLYWOOD, the film to change everything and everyone.

HOLLLYWOOD slips in its proposal. It stops being acid and critical and becomes a utopian fable about cinema and the world. And, in addition, it reduces everything good that the studios had and did, the hundreds of talented people (producers, directors, screenwriters, actors and actresses) in a reductionist vision that is difficult to accept. There, the series deviates totally from the great movie ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD, by Quentin Tarantino, who also set out to rewrite history, focusing on a short chapter, the murder of Sharon Tate. But Tarantino’s film totally escapes utopia and takes a critical (albeit tender and passionate) look at HOLLYWOOD.

Folha de São Paulo did an interesting article about what is real and what is fictional in Hollywood. This is the link to read the article: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/05/descubra-o-que-e-fato-eo-que-e-invencao-na-serie -hollywood-da-netflix.shtml

Lucy Mangan, at THE GUARDIAN, wrote: “We head into a counterfactual history, and the show falls apart. This should be the perfect set-up for a scabrous look at prejudice, corruption, the trading of sexual currency, coercion, the well-oiled machinations that underlie an industry and how it all shapes history – all through a #MeToo lens. But it becomes a mere wish-fulfilment fantasy that, whether it intends to or not, suggests that if a few people had just been that bit braver, then movies – and therefore the world! – would be a glorious, egalitarian Eden. It is a show that is smug and obtuse enough to believe la la land’s self-regarding idea that celluloid art directly shapes our lives.”.

NEW YORK TIMES TV critic James Poniewozic wrote about HOLLYWOOD: “It’s a noble thought and an audacious premise. It doesn’t work here, not because of the fancifulness — you are allowed to take liberties in Dreamland — but because of the story and character strains that “Hollywood” visibly goes through to steer to its conclusion. Story lines that start out cynical suddenly turn syrupy. Characters develop consciences and talents they had shown little evidence of. The production takes on a forced sunny tone, as if the whole series had landed in Oz and the screen turned from black and white to color. It’s meant to be inspiring, but it only makes the viewer more conscious of the contortions the series goes through to tie itself up in a neat bow. (The last episode is titled “A Hollywood Ending.”) One character who maintains some measure of complexity is Parsons’s jaded, hungry Henry, who gives a meta critique after screening a cut of the movie-within-a-show: “There is something about the ending that I just don’t buy.” It’s a knowing, self-aware line, but in the end “Hollywood” doesn’t heed that voice. It is determined to haul you to Dreamland, no matter how bumpy the ride.”

HOLLYWOOD is a well produced series, ambicious in its purpose of rewritting the history mixing facts and fiction, but falls in naivity of its DREAMLAND.

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