O JOGADOR: Hollywood Vista Por Dentro em (Mais) uma Obra Prima de Robert Altman

Entre tantos filmes maravilhosos com que nos brindou em sua carreira luminosa como diretor, Robert Altman fez em 1992, uma obra de amor ao cinema simplesmente extraordinária: O JOGADOR. Para se ter uma ideia da excelência do filme, basta dizer que tive extrema dificuldade em escolher uma foto para ilustrar este “post”, tantas são as cenas memoráveis e inesquecíveis deste filme incrível.

Olha que um filme se destacar em uma obra que tem M.A.S.H, UM PERIGOSO ADEUS, NASHVILLE, SHORT CUTS, ASSASSINATO EM GOSFORD PARK, CERIMÔNIA DE CASAMENTO e TRÊS MULHERES é algo muito difícil.

O JOGADOR conta a história do Produtor de Cinema Grifin Mill (Tim Robbins, extraordinário) que passa a receber ameaças de morte de parte de um escritor de roteiros que ele rejeitou. Enquanto isto, vai se defrontando com as mudanças de Hollywood nos anos 90, simbolizadas por um jovem Produtor recém contratado pelo estúdio (Peter Gallagher, ótimo) que ameaça tomar o lugar de Mill.

O filme, brilhantemente denominado pelo crítico de cinema do VARIETY, Owen Gleiberman como “virtuoso inside-Hollywood satire-that’s-not-really-a-satire”(virtuosa dentro de Hollywood sátira-que-não-é-realmente-uma-sátira)”, passa por todos os símbolos da Meca do Cinema: o poder dos produtores, a busca desesperada de espaço dos roteiristas, as traições (afetivas, pessoais e profissionais) constantes do “pessoal de cinema”, o poder das estrelas nas bilheterias e, consequentemente, na realização de filmes, as festas mirabolantes nas mansões, os almoços de trabalho entediantes, as discussões trabalhistas com os sindicatos, a chegada da tecnologia (o telefone celular old style de Grifin e a máquina de fax marcam presença no filme).

A incrível quantidade de atores e atrizes famosos que trabalham no filme (“all star cast”) é uma linda homenagem de Altman ao star system no qual ele desenvolveu seu amor ao cinema: Greta Scacchi, Fred Ward, Whoopi Goldberg, Brian James, Cinthia Stevenson, Vincent D’Onofrio, Dean Stockwell, Richard E. Grant (incrível como o roteirista de um filme “autoral”), Sidney Pollack, Lyle Lovett (maravilhoso como o suspeito), Dina Merril, Angela Hall, Jeremy Piven, Gina Gershon, René Auberjonois, Harry Belafonte, Karen Black, Gary Busey, Robert Carradine, Cher, James Coburn, John Cusak, Brad Davis, Paul Dooley, Peter Falk (com a gabardine de Columbo na mão), Susan Sarandon, Louise Fletcher, Denis Franz, Teri Gaar, Jeff Goldblum, Elliot Gould (ator icônico de Altman), Scott Glenn, Buck Henry, Angelica Houston, Sally Kellerman (a eterna “lábios quentes”de MASH), Jack Lemmon, Marlee Matlin, Andie McDowell, Nick Nolte, Burt Reynolds, Mimi Rogers, Jill St. John, Rod Steiger, Lily Tomlyn, Robert Wagner e, em participação mais do que especial, Julia Roberts e Bruce Willis.

O roteiro, escrito pelo novaiorquino Michael Tolkin (baseado em seu próprio livro) é um primor de humor (muitas vezes ácido), suspense (há cenas de tirar o espectador da cadeira), lirismo ( principalmente na paixão pelo cinema representada nas inúmeras citações de filmes e cenas famosas), cinismo ( o “vilão” se dá bem em Hollywood), sendo um dos melhores roteiros da história do cinema.

Altman sempre foi um diretor diferenciado e brilhante. Seu senso cinematográfico é algo de encher os olhos (e o coração) de quem ama o cinema com imagens tão poderosas como belas. O JOGADOR honra esta sua tradição como mais um exemplar de filme sensacional.

O lendário crítico de cinema do THE NEW YORK TIMES, Vincent Canby escreveu sobre O JOGADOR: “Como sátira, “The Player” faz cócegas. Não tira sangue. Não diz nada sobre Hollywood que os especialistas em Hollywood não dizem com muito mais veneno em seus corações. A mensagem mais subversiva de Altman aqui não é que é possível se safar de um assassinato em Hollywood, mas que o pecado mais grave, em termos de Hollywood, é fazer um filme que fracassa.”

Roger Ebert, outra lenda da crítica de cinema, escreveu: “The Player” começa com uma tomada contínua muito longa, que é um primor técnico, sim, mas também funciona de outra maneira, para resumir o estado de espírito de Hollywood no início dos anos 90. Muitos nomes e períodos são evocados: filmes mudos, filmes estrangeiros, os grandes diretores do passado. Mas esses nomes são como os nomes dos santos que não parecem mais ter o poder de realizar milagres. Os novos deuses são como Griffin Mill – elegantes, caros, sem compromisso, protegendo suas costas. Suas carreiras são um estudo sobre controle de crises. Se eles não fazem nada errado, dificilmente podem ser demitidos apenas porque nunca fazem nada certo.”

O JOGADOR é um filme maravilhoso e definitivo sobre Hollywood. Pode (e deve) ser visto e revisto muitas vezes.

Among so many wonderful films that he gave us in his luminous career as a director, Robert Altman made in 1992, a simply extraordinary work of love for cinema: THE PLAYER. To get an idea of ​​the excellence of the film, suffice it to say that I had extreme difficulty in choosing a photo to illustrate this “post”, there are so many memorable and unforgettable scenes in this incredible film.

Look, a film that stands out in a work that has M.A.S.H, THE LONG GOODBYE, NASHVILLE, SHORT CUTS, MURDER IN GOSFORD PARK, THE WEDDING and THREE WOMEN is something very difficult.

THE PLAYER tells the story of Film Producer Grifin Mill (Tim Robbins, extraordinary) who receives death threats from a screenwriter he rejected. Meanwhile, he is facing the Hollywood changes in the 90s, symbolized by a young Producer recently hired by the studio (Peter Gallagher, great) who threatens to take Mill’s place.

The film, brilliantly named by VARIETY film critic Owen Gleiberman as “virtuous in-Hollywood satire-that’s-not-really-a-satire”, goes through all the symbols of the Mecca of Cinema: the power of producers, the desperate search for space by the screenwriters, the betrayals (affective, personal and professional) among the “movie people “, the power of the stars at the box office and consequently, in the making of films, fancy parties in the mansions, boring work lunches, labor discussions with unions, the arrival of technology (Grifin’s old style cell phone and fax machine are present in the film).

The incredible number of famous actors and actresses working in the film (“all star cast”) is a beautiful tribute by Altman to the star system in which he developed his love of cinema: Greta Scacchi, Fred Ward, Whoopi Goldberg, Brian James, Cinthia Stevenson, Vincent D’Onofrio, Dean Stockwell, Richard E. Grant (incredible as the writer of an “authorial” film), Sidney Pollack, Lyle Lovett (wonderful as the suspect), Dina Merril, Angela Hall, Jeremy Piven, Gina Gershon , René Auberjonois, Harry Belafonte, Karen Black, Gary Busey, Robert Carradine, Cher, James Coburn, John Cusak, Brad Davis, Paul Dooley, Peter Falk (with Columbos’s raincoat in hand), Susan Sarandon, Louise Fletcher, Denis Franz , Teri Gaar, Jeff Goldblum, Elliot Gould (iconic Altman actor), Scott Glenn, Buck Henry, Angelica Houston, Sally Kellerman (MASH’s eternal “hot lips”), Jack Lemmon, Marlee Matlin, Andie McDowell, Nick Nolte, Burt Reynolds, Mimi Rogers, Jill St. John, Rod Steiger, Lily Tomlyn, Robert Wagner and, in a more than special participation, Julia Roberts and Bruce Willis.

The script, written by New Yorker Michael Tolkin (based on his own book) is exquisite in humor (often acidic), suspense (there are scenes to get the viewer out of the chair), lyricism (mainly in the passion for cinema represented in the countless quotes from famous films and scenes), cynicism (the “villain” gets along in Hollywood), being one of the best scripts in the history of cinema.

Altman has always been a distinguished and brilliant director. His cinematic sense is something to fill the eyes (and the heart) of those who love cinema with images as powerful as they are beautiful. THE PLAYER honors this tradition as another example of a sensational film.

THE NEW YORK TIMES legendary film critic Vincent Canby wrote about THE PLAYER: “As a satire, “The Player” tickles. It doesn’t draw blood. It says nothing about Hollywood that Hollywood insiders don’t say with far more venom in their hearts. Mr. Altman’s most subversive message here is not that it’s possible to get away with murder in Hollywood, but that the most grievous sin, in Hollywood terms anyway, is to make a film that flops. “

Roger Ebert, another legend of film criticism, wrote: “The Player” opens with a very long continuous shot that is quite a technical achievement, yes, but also works in another way, to summarize Hollywood’s state of mind in the early 1990s. Many names and periods are evoked: Silent pictures, foreign films, the great directors of the past. But these names are like the names of saints who no longer seem to have the power to perform miracles. The new gods are like Griffin Mill — sleek, expensively dressed, noncommittal, protecting their backsides. Their careers are a study in crisis control. If they do nothing wrong, they can hardly be fired just because they never do anything right.”

THE PLAYER is a wonderful and definitive film about Hollywood. It can (and should) be seen and reviewed many times.

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