PATERSON: Jim Jarmusch Cria Outro Filme Minimalista, Poético e Diferenciado

Jim Jarmusch é um cineasta fora do sistema. Na década de 80, seus filmes explodiram com prêmios em Festivais ao redor do mundo,mas longe do mainstream do cinema. STRANGER THAN PARADISE, DAUNBAILÓ e UMA NOITE SOBRE A TERRA são, na minha opinião, seus melhores trabalhos. Como ele fez apenas 29 filmes, fazia tempo que eu não via um trabalho dele. Desde FLORES PARTIDAS, de 2005, com Bill Murray.

Por isto, me surpreendi ao deparar com PATERSON, no Amazon Prime Video. Trata-se de um pequeno grande filme. Ao mostrar a vida cotidiana de um motorista de ônibus chamado Paterson, na cidade de Paterson, New Jersey, Jarmusch dirige sua câmera inquieta e questionadora para uma existência quase cem por cento ordinária. Paterson é casado com uma artista plástica, acorda todo dia as seis horas da manhã, vai a pé para o trabalho, ouve as mesmas queixas de seu supervisor, dirige por oito horas (com um intervalo onde come o almoço da marmita que leva ao trabalho, volta a pé para casa, janta, sai para passear com o cachorro (um maravilhoso e expressivo Bulldog Alemão chamado Marvin), toma uma cerveja e vai dormir.

O elemento distintivo da vida de Paterson é que, nas horas vagas, ele escreve poesias. Versos comuns sobre o cotidiano, sobre as coisas que ele vê no dia a dia, sobre sua vida pacata e monótona. Mas, em cada texto, revela uma sensibilidade diferenciada para enxergar coisas e lhes descrever de uma forma poética e lírica. Uma simples caixa de fósforos vira tema de poesia.

PATERSON é mais um ótimo trabalho de Adam Driver (o Kylo Ren de STAR WARS e o marido de HISTÓRIA DE UM CASAMENTO), um ótimo ator que vem crescendo visivelmente de filme para filme. Sua atuação minimalista (como Jarmusch adora), demonstrando muito pouco as emoções é maravilhosa. Sua esposa é vivida pela atriz iraniana Golshifteh Farahani, uma verdadeira descoberta (apesar de já ter trabalhado em um dos filmes da franquia PIRATAS DO CARIBE e em REDE DE MENTIRAS, com Leonardo di Caprio e Russell Crowe).

Há vários momentos belíssimos em PATERSON. Como a ida ao cinema do casal, em uma sessão da meia noite para ver A ILHA DAS ALMAS SELVAGENS, de Erie C. Kenton, um cult movie de terror estrelado por Charles Laughton e Bela Lugosi. Ou a piada do cachorro que todos os dias deixa uma “armadilha” para Paterson na porta de casa, em uma cena com o típico humor Jamurschiano.

PATERSON é um filme bem acima da média. Pena que fique restrito a poucos espectadores. O olhar de Jim Jarmusch sobre o cotidiano e seu lirismo oculto merecia muito mais.

Jim Jarmusch is a filmmaker outside the system. In the 1980s, his films exploded with awards at Festivals around the world, but far from the mainstream of cinema. STRANGER THAN PARADISE, DAUNBAILÓ and NIGHT ON EARTH are, in my opinion, his best works. . Since he only made 29 films, I haven’t seen his work in a while. Since BROKEN FLOWERS, in 2005, with Bill Murray.

Therefore, I was surprised to find PATERSON, on Amazon Prime Video. It is a great little film. In showing the everyday life of a bus driver named Paterson in the city of Paterson, New Jersey, Jarmusch directs his restless, questioning camera into an almost 100 percent ordinary existence. Paterson is married to a visual artist, wakes up every day at six in the morning, walks to work, hears the same complaints from his supervisor, drives for eight hours (with an interval where he eats lunch from the box that he brings to work), walk home, have dinner, go for a walk with the dog (a wonderful and expressive German Bulldog called Marvin), have a beer and go to sleep.

The distinctive element of Paterson’s life is that, in his spare time, he writes poetry. Common verses about everyday life, about the things he sees on a daily basis, about his quiet and monotonous life. But, in each text, it reveals a differentiated sensitivity to see things and describe them in a poetic and lyrical way. A simple matchbox becomes the subject of poetry.

PATERSON is another great work by Adam Driver (Kylo Ren from STAR WARS and the husband of MARRIAGE STORY), a great actor who has been growing visibly from film to film. His minimalist performance (as Jarmusch loves), showing very little emotion is wonderful. His wife is lived by the Iranian actress Golshifteh Farahani, a real discovery (despite having already worked in one of the films of the PIRATES OF THE CARIBBEAN franchise and in BODY OF LIES, with Leonardo di Caprio and Russell Crowe).

There are many beautiful moments in PATERSON. Like the couple going to a movie theater, in a midnight session to see ISLAND OF LOST SOULS, by Erie C. Kenton, a horror cult movie starring Charles Laughton and Bela Lugosi. Or the joke about the dog Marvin that every day leaves Paterson a “trap” at the door, in a scene with the typical Jamurschian humor.

PATERSON is a film well above average. Too bad it is restricted to a few viewers. Jim Jarmusch‘s look at the everyday and its hidden lyricism deserved much more.

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