O FRANCO ATIRADOR: Em 1978, Michael Cimino Fez um Filme Anti-Guerra Violento, Triste e Poderoso

O cinema fez muitos filmes anti-guerra espetaculares: GLÓRIA FEITA DE SANGUE, de Stanley Kubric, JOHNNY VAI A GUERRA, de Dalton Trumbo, NASCIDO EM 4 DE JULHO, de Oliver Stone, GALIPOLI, de Peter Weir, M.A.S.H., de Robert Altman, APOCALIPSE NOW, de Francis Coppola, A GRANDE ILUSÃO, de Jean Renoir, HAIR, de Milos Forman, SEM NOVIDADE NO FRONT, de Lewis Milestone e AMARGO REGRESSO, de Hal Ashby, apenas para citar alguns.

O FRANCO-ATIRADOR, de Michael Cimino (1978) é um dos meus filmes favoritos neste cenário de obras cinematográficas contra a insanidade da guerra. O cineasta novaiorquino de carreira curta (fez apenas 8 filmes em face do massacre injusto que seu PORTAL DO PARAÍSO sofreu) fez um filme de 183 minutos contando os efeitos da Guerra do Vietnam sobre um grupo de três amigos do interior da Pennsylvania (Michael, Steve e NIck), operários em uma fábrica local e caçadores de final de semana. Os três vão para a guerra e lá vêem e sofrem todo tipo de violência. Steve volta em uma cadeira de rodas, Nick fica por lá em jogos clandestinos e Michael nunca mais será o mesmo.

Há inúmeras qualidades extraordinárias em O FRANCO ATIRADOR. Tem um roteiro poderosos e magistralmente bem escrito pelo próprio Cimino e Dereck Washburn. Cenas como as de roleta russa no Vietnam (tão criticadas à época) são cinematograficamente brilhantes e quase insuportáveis de se ver.

O elenco é magnífico: Robert de Niro (ainda jovem) faz um Michael rico, expressivo, traumatizado e profundo, um dos melhores trabalhos de sua longa e profícua carreira como ator; Christopher Walken tem aqui o papel de sua vida. Nick passa de alegre e expansivo a catatônico e insensível, um verdadeiro robô humano; e John Savage, como o vitimado Steve tem um desempenho triste e deprimente como mais uma vítima da loucura da guerra. Ainda tem Meryl Streep (como sempre ótima), John Cazale, George Dzundza, Amy Wright e Rutanya Alda.

A fotografia deslumbrante do mega premiado húngaro Vilmos Zsigmond alterna grandes espaços abertos das montanhas da Pennsylvania (onde os amigos caçam) com lugares claustrofóbicos, escuros, úmidos e insuportáveis no Vietnam. A trilha sonora de Stanley Myers e a montagem de Peter Zinner (um inesquecível e abrupto corte na chegada à guerra) são outros trabalhos de mestre no filme de Cimino.

O FRANCO ATIRADOR foi indicado a 9 Oscars. Ganhou cinco: Melhor filme, Diretor, Ator Coadjuvante (Walken), Som e Montagem. Venceu o Globo de Ouro de Melhor Diretor. Ganhou os BAFTAS de Fotografia e Montagem.

Se alguém quiser saber como se faz uma antológica cena anti guerra, basta ver a sequencia em que os amigos sobreviventes, emocionalmente destroçados, entoam GOD BLESS AMERICA, com uma dor impressionante. Trata-se de um dos grandes momentos do cinema. Absurdamente alguns críticos a taxaram de ufanista. Se existe algo que o filme O FRANCO ATIRADOR não tem, em um segundo de suas mais de três horas, é ufanismo. É um filme maravilhoso.

Cinema made many spectacular anti-war films: PATHS OF GLORY, by Stanley Kubric, JOHNNY GOT HIS GUN, by Dalton Trumbo, BORN ON 4TH OF JULY, by Oliver Stone, GALIPOLI, by Peter Weir, MASH, by Robert Altman, APOCALYPSE NOW, by Francis Coppola, THE GREAT ILLUSION, by Jean Renoir, HAIR, by Milos Forman, ALL QUIET ON THE WESTERN FRONT, by Lewis Milestone and COMING HOME, by Hal Ashby, just to name a few.

THE DEER HUNTER, by Michael Cimino (1978) is one of my favorite films in this scenario of cinematographic works against the insanity of war. The short-lived New York filmmaker (made only 8 films in the face of the unjust massacre his HEAVEN’S GATE suffered) made an 183-minute film telling the effects of the Vietnam War on a group of three friends from the countryside of Pennsylvania (Michael, Steve and NIck), factory workers and weekend hunters. The three go to war and see and suffer all kinds of violence there. Steve comes back in a wheelchair, Nick stays there in clandestine games and Michael will never be the same.

There are countless extraordinary qualities in THE DEER HUNTER. It has a powerful and masterfully well-written script by Cimino and Dereck Washburn himself. Scenes like Russian roulette in Vietnam (so criticized at the time) are cinematically brilliant and almost unbearable to see.

The cast is magnificent: Robert de Niro (still young) makes Michael rich, expressive, traumatized and profound, one of the best works of his long and fruitful career as an actor; Christopher Walken has the role of his life here. Nick goes from cheerful and expansive to catatonic and insensitive, a true human robot; and John Savage, as the victim Steve has a sad and depressing performance as yet another victim of the madness of war. It still has Meryl Streep (as always great), John Cazale, George Dzundza, Amy Wright and Rutanya Alda.

The stunning photograph of the Hungarian mega-winner Vilmos Zsigmond alternates large open spaces in the mountains of Pennsylvania (where friends hunt) with claustrophobic, dark, humid and unbearable places in Vietnam. The soundtrack by Stanley Myers and the editing by Peter Zinner (an unforgettable and abrupt cut at the time of the war) are other masterpieces in Cimino’s film.

THE DEER HUNTER was nominated for 9 Oscars. He won five: Best film, Director, Supporting Actor (Walken), Sound and Editing. He won the Golden Globe for Best Director. He won the Photography and Editing BAFTAS.

If anyone wants to know how to make an anthological anti-war scene, just look at the sequence in which the surviving friends, emotionally shattered, sing GOD BLESS AMERICA, with impressive pain and melancholy. It is one of the great moments of cinema. Absurdly, some critics called her a boastful. If there is anything that the film THE DEER HUNTER does not have, in a second of its more than three hours, it is pride. It is a wonderful film.

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