HOPE GAP: O Triste e Melancólico Final de um Casamento

O cineasta inglês William Nicholson (que ficou conhecido como editor de filmes como GLADIADOR, OS MISERÁVEIS e INVENCÍVEL) focou seu olhar sobre o final de um casamento de 29 anos entre um professor de história e uma estudiosa de literatura, quando o marido anuncia, durante um final de semana em que o filho vem visitar os pais, que vai deixar a esposa por uma mulher mais jovem.

Há vários méritos indiscutíveis no filme de Nicholson. O duo central de atores é o primeiro e maior deles. Anette Bening, aos 62 anos, é uma atriz na maturidade. Sua Grace é contundente, emotiva e amargurada. Vê seu casamento como sólido e interminável. A religião e a poesia a amparam nesta crença. Quando chega o anúncio do término do casamento, ela primeiro desaba e chega às portas do suicídio, tamanho o sofrimento que cai sobre ela. O processo de reerguimento, se possível, vai ser longo e doloroso. Anette já foi indicada ao Oscar 4 vezes e ainda não ganhou. Foi indicada ao Globo de Ouro 8 vezes, tendo ganho em duas oportunidades (BEING JULIA e THE KIDS ARE ALL RIGHT).

Bill Nighy, excelente ator inglês de 71 anos é um fenômeno na arte de representar. Já ganhou 1 Globo de Ouro (GIDEON’S DAUGHTER), 1 BAFTA (um extraordinário papel cômico em LOVE ACTUALLY) e 2 Satellite Awards. Sua variada carreira inclui trabalhos na franquia PIRATAS DO CARIBE, UNDERWORLD e HARRY POTTER. Pontificou também em notáveis séries inglesas como STATE OF PLAY e PAGE EIGHT. Ultimamente tem se dedicado a papeis mais exigentes em filmes autorais como HOTEL MARIGOLD, A LIVRARIA e OS CRIMES DE LIMEHOUSE. Suas interpretações são sempre marcantes. Sua sisudez e a grande expressividade de sua linguagem corporal (a mão semi paralisada) e dos silêncios e olhares são exemplares na arte de representar. Aqui, seu Edward é sofrido, triste e melancólico. Quando anuncia a separação, parece ter se libertado. Mas o fim de um casamento de 29 anos (“Você pode amar alguém e ainda assim querer se separar”) deposita uma tonelada de culpa em seus ombros.

Outro achado do filme é a utilização, em off, de trechos de livros de história (notadamente da sangrenta e desastrada campanha de Napoleão na gelada Rússia) lidos por Bill Nighy e poesias de autores maravilhosos lidos por Anette Bening, para sublinhar o curso da narrativa, o estado de espírito dos personagens e cenas emotivas. Foi um recurso nada menos que brilhante.

O ator que faz o filhe do casal, Josh O’Connor (de THE CROWN e EMMA) luta muito mas não tem como chegar no nível de interpretação de seus pais cinematográficos. Seu Jamie fica entre confuso, perdido, triste e ansioso por uma solução em que todos sofram o menos possível.

HOPE GAP é um filme muito profundo, sofrido e melancólico. Extremamente realista e bem feito. Seu final dói como o final de um casamento.

English filmmaker William Nicholson (who became known as a film editor like GLADIATOR, LES MISERABLES and INVINCIBLE) focused his eyes on the end of a 29-year marriage between a history teacher and a literature scholar, when her husband announces, during a weekend when the son comes to visit his parents, that he will leave his wife for a younger woman.

There are several indisputable merits in Nicholson’s film. The central duo of actors is the first and largest of them. Anette Bening, at 62, is an actress in maturity. His Grace is blunt, emotional and bitter. She sees the marriage as solid and endless. Religion and poetry support her in this belief. When the announcement of the end of the marriage arrives, she first collapses and arrives at the doors of suicide, such is the suffering that falls on her. The rebuilding process, if possible, will be long and painful. Anette has been nominated for an Oscar 4 times and has yet to win. She was nominated for a Golden Globe 8 times, having won on two occasions (BEING JULIA and THE KIDS ARE ALL RIGHT).

Bill Nighy, an excellent 71-year-old English actor, is a phenomenon in the art of acting. He has already won 1 Golden Globe (GIDEON’S DAUGHTER), 1 BAFTA (an extraordinary comic role in LOVE ACTUALLY) and 2 Satellite Awards. His varied career includes work in the PIRATES OF THE CARIBBEAN, UNDERWORLD and HARRY POTTER franchise. He also scored in notable English series like STATE OF PLAY and PAGE EIGHT. Lately he has dedicated himself to more demanding roles in authorial films such as HOTEL MARIGOLD, THE BOOKSHOP and THE LIMEHOUSE GOLEM. His interpretations are always striking. His seriousness and the great expressiveness of his body language (the semi-paralyzed hand) and the silences and looks are exemplary in the art of acting. Here, his Edward is suffering, sad and melancholy. When he announces the separation, he seems to have freed himself. But the end of a 29-year marriage (“You can love someone and still want to be apart”) places a ton of guilt on your shoulders.

Another finding of the film is the use, off-line, of excerpts from history books (notably from Napoleon’s bloody and disastrous campaign in icy Russia) read by Bill Nighy and poetry by wonderful authors read by Anette Bening, to underline the course of the narrative , the mood of the characters and emotional scenes. It was a brilliant resource.

The actor who plays the couple’s son, Josh O’Connor (from THE CROWN and EMMA) struggles a lot but has no way of reaching the level of interpretation of his cinematic parents. Seu Jamie is confused, lost, sad and anxious for a solution in which everyone suffers as little as possible.

HOPE GAP – available on Apple TV + and Amazon Prime Video – is a very deep, painful and melancholic film. Extremely realistic and well done. Its ending hurts like the end of a marriage.

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