MUNDO CÃO

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É ISAAC MENDA.

No final dos anos 50 e início dos anos 60, os cinemas exibiram uma série de documentários de longa metragem, estilo não muito usual nas telas dos cinemas brasileiros.

Em 1959, eu com doze anos, assisti um documentário chamado Europa de Noite. Era uma viagem entre várias cidades europeias, entre elas Roma, Paris, Londres, Madri, Viena, Bruxelas e outras, com apresentações de famosos artistas e cantores. Ocorre que esse documentário tinha duas versões. Uma para adultos, no qual exibia uma boate francesa com dançarinas de seios de fora. Na versão infantil, exibida somente no horário da tarde, essas cenas foram cortadas. Mas com jeitinho consegui assistir a versão adulta. Hoje, qualquer novela na TV, em qualquer horário, são exibidas cenas mais explícitas.

Mas o que quero comentar é a respeito de um documentário de 1962 que me marcou. Trata-se de Mundo Cão, (Mondo Cane, no original), dirigido por Paolo Cavara, Gualtiero Jacopetti e Franco Prosperi, que deu origem ao gênero conhecido hoje como shockumentary.

.O documentário narra uma série de viagens por distintas culturas exóticas ao redor do mundo, sendo objeto de numerosas imitações, incluindo o filme Schocking Asia e Faces of Death. Houve depois uma continuação chamada Mundo Cão 2, que não fez tanto sucesso quanto o primeiro.

A canção More de Mundo Cão, composta por Riz Ortolani e Nino Oliviero, foi indicada, em 1963, ao Oscar de melhor canção original. Existe a trilha no Spotify. No Brasil, a música fez muito sucesso no início de carreira do cantor Moacyr Franco.

O documentário foi indicado à Palma de Ouro, em Cannes em 1962, perdendo para o filme brasileiro O Pagador de Promessas, dirigida por Anselmo Duarte.

Tem uma cena no Mundo Cão que achei impressionante e me choca cada vez que assisto ao filme. Numa ilha deserta na África, centenas de tartarugas gigantes caminham na areia em direção ao mar. Ocorre que para chegar ao mar existe uma espécie de degrau de quase um metro de altura. As tartarugas ao caírem por esse degrau ficam de cabeça para baixo e sem conseguirem retornar à posição normal. Por consequência, morrem. São milhares de cascos virados de tartarugas mortas naquela orla. A música executada nessa cena é triste e tocante, chamada The Damned Island (Spotify).

Mundo Cão está disponível no Youtube.

In the late 1950s and early 1960s, cinemas showed a series of feature-length documentaries, an unusual style on Brazilian cinema screens.


In 1959, when I was twelve, I watched a documentary called Europa by Night. It was a trip between several European cities, including Rome, Paris, London, Madrid, Vienna, Brussels and others, with presentations by famous artists and singers. It turns out that this documentary had two versions. One for adults, in which it exhibited a French nightclub with topless dancers. In the children’s version, shown only in the afternoon, these scenes were cut. But I managed to watch the adult version nicely. Today, any soap opera on TV, at any time, more explicit scenes are shown.

But what I want to comment on is a 1962 documentary that marked me. This is MONDO CANE, directed by Paolo Cavara, Gualtiero Jacopetti and Franco Prosperi, which gave rise to the genre known today as shockumentary.


The documentary chronicles a series of trips through different exotic cultures around the world, being the subject of numerous imitations, including the film Schocking Asia and Faces of Death. Then there was a sequel called MONDO CANE 2, which was not as successful as the first one.

The song More by MONDO CANE, composed by Riz Ortolani and Nino Oliviero, was nominated, in 1963, for the Oscar for best original song. There is the track on Spotify. In Brazil, the song was very successful in the early career of singer Moacyr Franco.


The documentary was nominated for the Palme d’Or in Cannes in 1962, losing to the Brazilian film O Pagador de Promessas, directed by Anselmo Duarte.


There is a scene in MONDO CANE that I found impressive and it shocks me every time I watch the movie. On a desert island in Africa, hundreds of giant tortoises walk on the sand towards the sea. It so happens that to reach the sea there is a kind of step almost three meters high. When turtles fall down this step, they are upside down and unable to return to their normal position. Consequently, they die. There are thousands of shells turned over from dead turtles on that shore. The music performed in this scene is sad and touching, called The Damned Island (Spotify).


Mundo Cão is available on Youtube.
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