SWALLOW: ENGULA ESSA

A CONVIDADA DE HOJE DO CINEMARCO É A ADVOGADA E PROFESSORA DE DIREITO CAROLINA MORAES MIGLIAVACCA

O filme Swallow, do Diretor Carlo Mirabella-Davis, foi lançado neste ano para mostrar que nem tudo que foi criado em 2019 e deflagrado em 2020 é virulento.

O filme conta com elenco enxuto e de atores já conhecidos, como Haley Bennett, Austin Stowell, Elizabeth Marvel, David Rasche e Denis O’Hare.

Descrito por alguns canais de crítica de cinema como um “filme de terror feminista”, a própria sinopse já informa o mote: Hunter, uma jovem dona de casa e esposa de um executivo de família rica, se descobre grávida do marido e concomitantemente desenvolve uma compulsão por engolir objetos não comestíveis.

A partir deste norte, diversos fatos e revelações sobre a personagem principal vão se desdobrando até que o espectador consiga enxergar uma pessoa de carne, osso e vontades em quem antes parecia ser uma boneca delicada e inanimada.

O paralelo do início da gestação com o começo da obsessão por engolir objetos faz saltar aos olhos duas interpretações: a primeira, como se a personagem tornasse literal a figura de linguagem “engolir” (como em “engolir sapos” mesmo) para os tantos papéis, obrigações e lugares que, por ser a mulher dentro daquele casamento e daquela família, ela se sente compelida a aceitar.

A segunda, porque um desses papéis é justamente o de gerar o filho que foi (im)posto em seu ventre por alguém. Escolher, então, quais objetos ela decide colocar dentro dela mesma e depois (em uma analogia fisiológica a um parto) ver serem expelidos satisfaz Hunter com alguma sensação de controle sobre o próprio corpo e o que é inserido dentro dele.

Impossível não ser remetido a outro thriller estupendo que também trata do lado insano e perturbador que é, para a mulher, gerar um filho em um ambiente de controle patriarcal e familiar: o Bebê de Rosemary, de Roman Polanski (que, em nota pessoal, é meu diretor favorito).

Swallow, ajustado aos tempos atuais, toca de maneira simbólica e sutil em pautas feministas como o domínio sobre o próprio corpo e o forte convite à mulher para se manter em lugares seguros e submissos, sublimando as suas vontades em detrimento dos desejos do homem.

Além de um gosto na boca e um soco no estômago, Swallow deixa suspenso um questionamento: o que há em comum entre um filho gerado de um estupro físico e um filho gerado de uma opressão emocional, psicológica e comportamental?

Para começar a pensar em responder, engula este filme!

TODAY’S CINEMARCO GUEST IS THE LAWYER AND TEACHER OF LAW CAROLINA MORAES MIGLIAVACCA

Director Carlo Mirabella-Davis‘s SWALLOW was released this year to show that not everything created in 2019 and set off in 2020 is virulent.

The film features a lean cast and well-known actors such as Haley Bennett, Austin Stowell, Elizabeth Marvel, David Rasche and Denis O’Hare.

Described by some cinema critic channels as a “feminist horror movie”, the synopsis itself already informs the motto: Hunter, a young housewife and spouse of a wealthy family executive, finds herself pregnant with her husband and concurrently develops a compulsion to swallow inedible objects.

From this north, several facts and revelations about the main character will unfold until the viewer can see a person of flesh, bone and wills in what before seemed to be a delicate and inanimate doll.
We are a family owned and operated business.

The parallel between the beginning of pregnancy and the beginning of the obsession with swallowing objects makes two interpretations stand out: the first, as if the character made the figure of speech “swallow” (as in “swallowing frogs” literally) for so many roles , obligations and places that, being the woman within that marriage and that family, she feels compelled to accept.

The second, because one of these roles is precisely that of generating the child that was (im) placed in your womb by someone. Choosing, then, which objects she decides to place inside herself and then (in a physiological analogy to childbirth) seeing them expel satisfies Hunter with some sense of control over his own body and what is inserted inside it.

It is impossible not to be referred to another stupendous thriller that also deals with the insane and disturbing side that is, for the woman, to generate a child in an environment of patriarchal and family control: Roman Polanski‘s Rosemary’s Baby (which, on a personal note, is my favorite director).

Swallow, adjusted to the current times, touches in a symbolic and subtle way on feminist agendas such as dominance over her own body and the strong invitation to women to stay in safe and submissive places, sublimating their wills to the detriment of man’s desires.

In addition to a taste in the mouth and a punch to the stomach, Swallow suspends a question: what is in common between a child generated from physical rape and a child generated from emotional, psychological and behavioral oppression?

To start thinking about responding, swallow this movie!

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