LARANJA MECÂNICA: EM 1971 TÃO ATUAL COMO HOJE

Em 1971, o cineasta genial Stanley Kubrick lançou o filme LARANJA MECÂNICA, baseado em um livro do escritor inglês Anthony Burgess. O livro tinha sido um best seller mundial pela inovação de sua narrativa (havia um pequeno dicionário no final do livro com os neologismos que Burgess criou).

O filme conta a história de Alex, um jovem marginal que anda pela cidade e pela noite, acompanhado de seus amigos a se drogar e cometer crimes, roubos, assaltos, estupros e outros crimes. Mais ou menos pela metade do filme (que tem 2h16min), há uma forte quebra da narrativa quando Alex é agredido e a tela escurece completamente. A segunda parte mostra Alex fazendo parte de um programa do governo totalitário que o expõe à “ultra violência” visando sua “cura”.

Kubrick acertou na mosca. LARANJA MECÂNICA é, por tudo, uma obra prima. O elenco é maravilhoso. Malcolm McDowell faz o Alex de uma forma daquelas que ocorre no cinema uma vez apenas em décadas. Algo do nível do Vito Corleone de Marlon Brando em GODFATHER ou Anthony Hopkins em SILENCE OF THE LAMBS.

A fotografia de John Alcott, a montagem primorosa de Bill Butler (que é elemento essencial da narrativa), a trilha sonora de Wendy Carlos (onde o uso da 9a. Sinfonia de Ludwig van Beethoven e da clássica canção romântica SINGIN’IN THE RAIN, cantada por Gene Kelly como instrumento de violência são antológicos), o figurino da premiada Milena Canonero eterno, mostram a excelência da equipe reunida por Kubrick.

LARANJA MECÂNICA foi um marco do cinema. Por sua crítica contundente, comparando a violência extrema de Alex e seus pares na primeira metade do filme, com a dos governantes na segunda parte (a supressão da liberdade das pessoas como a maior das arbitrariedades), o filme investiu diretamente contra vários governos totalitários ao redor do mundo. No Brasil, o filme foi imediatamente proibido. Apenas em 26 de abril de 1976, o filme foi lançado nos cinemas brasileiros, assim mesmo com várias cenas tendo os órgãos sexuais de atores e atrizes cobertos por ridículas “bolinhas pretas” impostas pelo Serviço de Censura do Governo.

Incrivelmente, LARANJA MECÂNICA ganhou apenas um prêmio: o HUGO AWARD, uma prestigiada distinção daquela época dada a obras de ficção científica.

Ver LARANJA MECÂNICA, quase 50 anos depois de seu lançamento, mostra uma obra notavelmente atual. Tudo que Kubrick abordou em LARANJA MECÂNICA segue sendo moderno, como a violência (anti social e governamental), tema que nunca foi tão momentoso como nos dias atuais.

Gênios são perenes e suas obras sempre atuais.

In 1971, genius filmmaker Stanley Kubric released the film A CLOCKWORK ORANGE, based on a book by English writer Anthony Burgess. The book had been a world best seller for the innovation of its narrative (there was a small dictionary at the end of the book with the neologisms that Burgess created).

The film tells the story of Alex, a marginal young man who walks around town and at night, accompanied by his friends to get high and commit crimes, robberies, assaults, rapes and other crimes. About halfway through the film (which takes 2h16min), there is a strong break in the narrative when Alex is attacked and the screen goes black. The second part shows Alex as part of a totalitarian government program that exposes him to “ultra violence” for his “cure”.

Kubric hit the bull’s-eye. A CLOCKWORK ORANGE is, for everything, a masterpiece. The cast is wonderful. Malcolm McDowell plays Alex in a way that occurs in cinema once only in decades. Something like Vito Corleone by Marlon Brando in GODFATHER or Anthony Hopkins in SILENCE OF THE LAMBS.

John Alcott‘s photograph, Bill Butler‘s exquisite montage (which is an essential element of the narrative), Wendy Carlos‘ soundtrack (where the use of Ludwig van Beethoven’s 9th symphony and the classic romantic song SINGIN’IN THE RAIN, sung by Gene Kelly as an instrument of violence are anthological), the costumes of the award winning Milena Canonero eternal, show the excellence of the team assembled by Kubric.

A CLOCKWORK ORANGE was a milestone in cinema. Due to its forceful criticism, comparing the extreme violence of Alex and his peers in the first half of the film, with that of the rulers in the second part (the suppression of people’s freedom as the greatest arbitrariness), the film directly invested against several totalitarian governments in around the world. In Brazil, the film was immediately banned. Only on April 26, 1976, the film was released in Brazilian cinemas, even with several scenes having the sexual organs of actors and actresses covered by ridiculous “little black balls” imposed by the Government’s Censorship Service.

Incredibly, A CLOCKWORK ORANGE won just one award: the HUGO AWARD, a prestigious distinction of that time given to science fiction works.

See A CLOCKWORK ORANGE, almost 50 years after its release, shows a remarkably current work. Everything Kubric addressed in A CLOCKWORK ORANGE remains modern, like violence (anti-social and governmental), a theme that has never been as momentous as it is today.

Geniuses are perennial and their works are always up to date.

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