A GUERRA DOS BOTÕES: O Primeiro Filme Francês a Gente Não Esquece

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É FLÁVIO BALESTRERI.

O cinema sempre me traz lembranças das gloriosas tardes dos domingos da minha infância em Santana do Livramento. Era o dia de reunir a turma e partir para a tão aguardada matinê de três filmes. E ainda podíamos optar por atravessar a linha divisória e ver os filmes da matinê no cinemas de Rivera. Escolhíamos conforme a programação que mais nos interessasse. E não precisávamos da companhia de adultos que viam nisso uma maneira de se verem livres de nós por uma boa parte do dia.

Lá pelos meus 10 anos de idade, em uma dessas matinês, assisti no Cinema Colombo aquele que lembro ter sido o meu primeiro filme francês. Foi A GUERRA DOS BOTÕES, de 1962, dirigido por Yves Robert e baseado no romance homônimo de Louis Pergaud que, além de suas atividades como escritor, foi professor em uma escola francesa.

Ambientado na zona rural da França, essa pequena obra-prima trata da rivalidade entre duas gangues infantis que se enfrentam todos os anos, no início do ano letivo. O que no começo parecia ser um divertimento acaba se acirrando quando um dos lados tem a ideia de arrancar os botões e suspensórios e os cadarços dos sapatos dos inimigos. Eles próprios lutam inteiramente nus e guardem botões arrancados das roupas dos rivais como troféus de combate. Assim, ao voltar para casa humilhados, com as roupas rasgadas, não escapam do castigo dos pais.

Me identifiquei muito com algumas situações vividas por aqueles garotos com a  mesma idade que eu tinha na época.

Anos depois, fiquei sabendo que o tom conciliador que Robert escolheu para encerrar o seu filme era diferente do da obra de Pergaud, em que os dois líderes prometem continuar a guerra. Uma pena! Apesar disso, A GUERRA DOS BOTÕES foi para mim um filme inesquecível.

Em 1994, foi realizada uma versão ambientada na Irlanda e, em 2011, novamente na França.

Em 1990, Yves Robert voltaria a nos brindar com dois outros filmes fantásticos sobre a vida observada pelo olhar da infância, dessa vez tirados da obra autobiográfica do escritor e cineasta Marcel Pagnol: A GLÓRIA DE MEU PAI e O CASTELO DE MINHA MÃE.


Cinema always brings back memories of the glorious Sunday afternoons of my childhood in Santana do Livramento. It was the day to gather the group and leave for the long-awaited matinee with three movies. And we could still choose to cross the dividing line and see the matinee films in the cinemas in Rivera. We chose according to the program that most interested us. And we didn’t need the company of adults who saw it as a way to get rid of us for a good part of the day.

Around 10 years old, in one of these matinees, I saw at Cinema Colombo what I remember was my first French film. It was LA GUERRE DES BUTONS (THE WAR OF BUTTONS), 1962, directed by Yves Robert and based on the novel of the same name by Louis Pergaud who, in addition to his activities as a writer, was a teacher at a French school.


Set in rural France, this small masterpiece is about the rivalry between two children’s gangs that face each other at the beginning of the school year. What at first appeared to be fun ends up becoming more intense when one side has the idea of ​​pulling off buttons and suspenders and shoelaces from enemies. They themselves fight entirely naked and keep buttons torn from rivals’ clothes as combat trophies. Thus, when they return home humiliated, with their clothes torn, they do not escape their parents’ punishment.


I identified myself a lot with some situations experienced by those boys the same age as I had at the time.


Years later, I learned that the conciliatory tone that Robert chose to end his film was different from that of Pergaud’s work, in which the two leaders promise to continue the war. What a pitty! Despite that, THE WAR OF BUTTONS was an unforgettable film for me.


In 1994, a new version was set in Ireland and, in 2011, again in France.


In 1990, Yves Robert would return to toast us with two other fantastic films about the life observed by the gaze of childhood, this time taken from the autobiographical work of the writer and filmmaker Marcel Pagnol: THE GLORY OF MY FATHER and THE CASTLE OF MY MOTHER.

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