O ÚLTIMO METRÔ: Mais um Truffaut Perfeito

Quem acompanha o CINEMARCO sabe que um dos meus cineasta favoritos é o francês François Truffaut. Na minha opinião, Truffaut fez várias obras primas, a iniciar por A NOITE AMERICANA, JULES ET JIM, A MULHER DO LADO e pro aí vai.

Um dos filmes de Truffaut mais fascinantes foi O ÚLTIMO METRÔ, feito em 1980, com uma luminosa Catherine Deneuve e um jovem Gerard Depardieu. Um casal proprietário de um teatro na Paris ocupada pelos nazistas, ele um judeu (Depardieu) e ela uma atriz (Deneuve) é obrigado a mudar sua rotina para evitar a morte do dono do teatro, que se esconde no porão, enquanto as peças seguem sendo produzidas.

O roteiro, escrito por Truffaut e sua colaboradora habitual Suzanne Schiffman, a fotografia espetacular do mago Nestor Almendros, uma trilha sonora memorável de Georges de Le Rue e o figurino de Liselle Roos, compõem uma parte formal do filme, mais do que perfeita, um exemplar memorável de beleza e encantamento.

Já foi dito que este filme é o único (ou um dos únicos) de Truffaut em que há um vilão. A ameaça nazista presente diariamente em Paris (e no teatro) é um vilão assustador, que Truffaut sabe mostrar como poucas vezes se viu.

O lendário crítico de cinema Vincent Canby, do THE NEW YORK TIMES escreveu sobre o filme: ” The Last Metro ”, de François Truffaut, é uma obra incrivelmente subversiva. O filme tem a forma de um melodrama mais ou menos convencional, sobre uma pequena companhia de teatro parisiense durante a ocupação nazista de 1942-44, embora os métodos do filme sejam tão sistematicamente não convencionais que se torna uma meditação suavemente cômica e romântica sobre amor, lealdade, heroísmo e história. Desde “Ser ou Não Ser” de Lubitsch, nunca houve um uso tão triunfalmente heterodoxo de material sombrio que geralmente induz a filmes de respostas piedosas e pré-fabricadas. …

Demora um pouco para pegar o ritmo do filme, mas preste atenção. ” The Last Metro ” é sobre vidas cercadas por melodrama, sendo vividas com o mínimo de alarido externo possível. A coragem é desnecessária ou é reconhecida apenas indiretamente. Quando o alegre e rotundo diretor de palco do Theatre Montmartre diz com fúria repentina: “Não sou um homem gordo e simpático!”

François Truffaut realmente era um cineasta diferenciado.

Whoever follows CINEMARCO knows that one of my favorite filmmakers is the Frenchman François Truffaut. In my opinion, Truffaut did several masterpieces, starting with DAY FOR NIGHT, JULES ET JIM, LA FEMME À CÔTE and so on.

One of Truffaut’s most fascinating films was THE LAST METRO, made in 1980, with a luminous Catherine Deneuve and a young Gerard Depardieu. A couple who owns a theater in Paris occupied by the Nazis, he is a Jew (Depardieu) and she is an actress (Deneuve) is forced to change his routine to avoid the death of the theater owner, who hides in the basement, while the plays follow being produced.

The script, written by Truffaut and his usual collaborator Suzanne Schiffman, the spectacular photograph of the wizard Nestor Almendros, a memorable soundtrack by Georges de Le Rue and the costumes by Liselle Roos, make up a formal part of the film, more than perfect, a memorable example of beauty and enchantment.

It has been said that this film is the only (or one of the only) of Truffaut in which there is a villain. The Nazi threat present daily in Paris (and in the theater) is a frightening villain, which Truffaut can show how he has rarely seen himself.

Legendary film critic Vincent Canby of THE NEW YORK TIMES wrote about the film: ” The Last Metro ” by François Truffaut is an incredibly subversive work. The film takes the form of a more or less conventional melodrama, about a small Parisian theater company during the Nazi occupation of 1942-44, although the methods of the film are so systematically unconventional that it becomes a mildly comic and romantic meditation on love , loyalty, heroism and history. Since Lubitsch’s “To Be or Not to Be”, there has never been such a triumphantly unorthodox use of dark material that it usually induces films of pious and prefabricated responses. …

It takes a while to catch up with the film, but pay attention. “The Last Metro” is about lives surrounded by melodrama, being lived with as little external noise as possible. Courage is unnecessary or is recognized only indirectly. When the cheerful and rotund stage director of the Theater Montmartre says with sudden fury: “I am not a nice, fat man!”

François Truffaut really was a distinguished filmmaker.


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