A CONVERSAÇÃO: Privacidade e Paranoia se Juntam em Filme Memorável

Francis Ford Coppola, em 1974, fez um de seus melhores filmes: A CONVERSAÇÃO. O filme foi premiadíssimo, ganhando a Palma de Ouro em Cannes, dois BAFTAs e conseguindo 3 indicações ao Oscar e 4 ao Globo de Ouro. A Amazon Prime Video brasileira está disponibilizando uma cópia restaurada magnífica do filme.

Gene Hackman vive o especialista em vigilância Harry Caul, uma pessoa solitária e introspectiva, que mora sozinho em São Francisco e constrói os equipamentos que utiliza (por não confiar em nenhum outro fabricante), somente entrando em contato com as pessoas em telefones públicos. Depois de certo trabalho, ele conclui que um casal que gravou sob encomenda pode ser assassinado. Seu mundo – metódico e organizado – entre em parafuso com ele próprio se sentido vigiado.

O roteiro do próprio Coppola é uma peça brilhante de construção cinematográfica. A paranoia que se instala no protagonista vai crescendo cena a cena, onde cada pergunta que algum personagem lhe faz é mais uma peça do quebra cabeça de que está sendo observado.

Além de Gene Hackman (brilhante com em muitos outros trabalhos dele), o elenco tem Harrison Ford, John Cazale, Allen Garfield, Frederic Forrest, Cindy Williams e Teri Gar. A trilha sonora de David Shire é magnífica. Cada acorde se encaixa no contexto do filme e da loucura do personagem central. Neste conjunto, a fotografia de bill Butler é outro trabalho maravilhoso.

O lendário crítico de cinema do THE NEW YORK TIMES, Vincent Canby escreveu sobre o filme: “Entre suas virtudes está um desempenho soberbo de Gene Hackman em um papel que chega muito perto de ser o equivalente da era de Watergate tenso aos médicos loucos dos filmes antiquados de Vincent Price. Harry Caul (Hackman) é proeminente em seu campo. Sua revista de negócios se chama “Security World” e o som é seu universo. Harry Caul é um bisbilhoteiro profissional especialista. Certa vez, ele colocou um bug de espionagem em um periquito. Quando não está planejando e executando grampos minuciosamente elaborados, a maioria sem fios, ele retorna ao seu apartamento desolado e mobiliado em San Francisco, que é protegido por quatro fechaduras na porta da frente e também por um sistema de alarme contra roubo, para relaxar tocando no seu saxofone ao acompanhamento de discos. Harry é realmente um peixe estranho. Ele desconfia de tudo e de todos. Chova ou faça sol, ele sempre usa uma daquelas capas de chuva de plástico transparente, como se para proteção profilática contra a sociedade. Harry é solteiro e provavelmente incapaz de se casar, embora não de sexo anônimo desesperado. Ele mantém uma mulher doce e nada brilhante em um pequeno apartamento que ele visita quando pode, girando a chave na fechadura lentamente e depois abrindo a porta de repente, para esmagar qualquer um que possa estar se escondendo atrás dela. Um presente de aniversário de sua senhoria, que de alguma forma ela conseguiu colocar em seu apartamento sem que ele soubesse, causa um ataque de quase paranóia. Se você está no negócio de espionar outras pessoas, é difícil acreditar que outras pessoas não estão espionando você.”

Brilhantemente produzido e dirigido por Coppola no auge dos impactos do Caso Watergate, A CONVERSAÇÃO é uma obra prima do cinema.

Francis Ford Coppola, in 1974, made one of his best films: THE CONVERSATION. The film was highly awarded, winning the Palme d’Or at Cannes, two BAFTAs and getting 3 Oscar nominations and 4 Golden Globe nominations. The Brazilian Amazon Prime Video is making available a magnificent restored copy of the film.

Gene Hackman plays surveillance expert Harry Caul, a lonely and introspective person, who lives alone in San Francisco and builds the equipment he uses (for not trusting any other manufacturer), just by contacting people on phones public. After some work, he concludes that a couple who recorded to order can be murdered. His world – methodical and organized – screw with himself if he feels watched.

Coppola’s own script is a brilliant piece of cinematographic construction. The paranoia that installs itself in the protagonist grows from scene to scene, where each question that a character asks him is another piece of the puzzle that is being observed.

In addition to Gene Hackman (brilliant with many other works of his), the cast has Harrison Ford, John Cazale, Allen Garfield, Frederic Forrest, Cindy Williams and Teri Gar. David Shire‘s soundtrack is magnificent. Each chord fits the context of the film and the central character’s madness. In this set, Bill Butler‘s photography is another wonderful job.

The legendary film critic from THE NEW YORK TIMES, Vincent Canby wrote of the film: “Among its virtues is a superb performance by Gene Hackman in a role that comes very close to being the uptight Watergate era’s equivalent of the mad doctors in old-fashioned Vincent Price films.Harry Caul (Hackman) is pre-eminent in his field. His trade magazine is called “Security World” and sound is his universe. Harry Caul is an expert professional eavesdropper. He once placed a bug in a parakeet. When he is not planning and executing elaborate taps, mostly without wires, he returns to his bleak, furnished San Francisco apartment, which is protected by four locks on the front door as well as by a burglar alarm system, to relax by playing riffs on his saxophone to the accompaniment of records. Harry is a queer fish indeed. He is suspicious of everybody and everything. Rain or shine he always wears one of those transparent plastic raincoats, as if for prophylactic protection against society.Harry is unmarried and probably incapable of marriage, though not of desperate, anonymous sex. He keeps a sweet, none-too-bright girl in a small apartment that he visits when he can, turning the key in the lock slowly then pushing the door suddenly open, to mash anyone who might possibly be hiding behind it. A birthday present from his landlady, which she has somehow managed to put into his apartment without his knowledge, prompts a near-paranoid fit. If you’re in the business of spying on other people, it’s difficult to believe that other people are not spying on you.”

Brilliantly produced and directed by Coppola at the height of the impacts of the Watergate Case, THE CONVERSATION is a masterpiece of cinema.

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