OS MELHORES DE 2020 POR PAULO DE TARSO CADEMARTORI

O CINEMARCO TEM CONVIDADO CINÉFILOS PARA APRESENTAREM SUA LISTA DE MELHORES DE 2020. HOJE MEU AMIGO PAULO DE TARSO CADEMARTORI DIVIDE SUAS IMPRESSÕES E SEUS MELHORES DO ANO.

Já que passamos por 2020 ilesos até aqui, resta agradecer. De início, já sentimos o baque do coronavírus que, no mínimo, nos tirou várias referências, e inclusive no cinema, com restrições às salas de exibição, como diz o Marco: “O streaming bem que tentou suprir esta carência. Conseguiu em parte. Acabo de me dar conta de que esta nova realidade dos serviços de streaming bagunça com a lista de melhores”.

E como recuperar o tempo perdido? Quem melhor respondeu a essa pergunta, na minha opinião, foi meu amigo de infância, Dr. Fernando Fervenza que, lá da clínica Mayo, nos EUA, onde trabalha e pesquisa, me saiu com esta: “Este ano não valeu, ano perdido, vou deixar de crédito!” Também quero ser credor deste ano de 2020.

Mas surpresas houve. Relutei muito, desdenhei inicialmente o serviço de streaming, mas fui rendido e hoje pelo fácil acesso e praticidade acho que, na carência própria da vida em pandemia, o streaming é, por assim dizer, um vício incontrolável, porém companheiro nas horas mais difíceis em que precisamos de uma certa evasão da nossa triste realidade presente, com um efeito de catarse.

                        O que dizer depois da lista de melhores do Marco Antonio? Recordo do entusiasmo juvenil que tínhamos em relação a tudo que dizia respeito ao cinema, e não medíamos esforços para realizar qualquer empreitada para acompanhar os lançamentos da época, Marco Antonio, Zé Victor Castiel e André Difini Leite, que anteviam o sucesso de bilheteria de qualquer lançamento que lhes chamasse a atenção, amiúde não viam problema de enfrentarem 500 quilômetros para se deslocar de Porto Alegre a Rivera, no Uruguai, cada vez que passava um filme proibido pela censura no Brasil ou que estreavam no Uruguai com uma antecedência de até seis meses, filmes como Laranja Mecânica, Último Tango em Paris, O Poderoso Chefão, Emanuelle, entre outros incontáveis.

                        Assim dos vários títulos encontrados na lista de melhores do Marco, procurei alguns peculiares que pudesse acrescentar. Uma série que me tocou muito foi “A Amiga Genial”, em sua 2ª temporada, sobre a qual já escrevi para este blog. Outra que achei fantástica foi a 4ª temporada de “The Crown”, com a criação dramática escrita por Peter Morgan. O roteiro ficou espetacular, superando as balizas que o limitam por tratar de acontecimentos históricos recentes e de pessoas públicas, muitas ainda vivas. Onde o roteiro poderia criar constrangimentos, o autor consegue superar com maestria, por desafiar a mera narrativa de fatos históricos, ao se afastar desses acontecimentos sem desprezá-los e o fazendo com toda a liberdade artística da ficção com uma descrição da realidade crua e documentária, resultando numa apaixonante e brilhante obra ficcional com nuances românticas ao estilo de Tolstói.

                        Outra série que destaco é ”Dirty John – O Golpe do Amor”, com Eric Bana, no papel do vilão, que assombra na pele de um personagem exatamente oposto ao herói e valente príncipe guerreiro Heitor, a virtude de Tróia. Aqui no papel do psicopata possuidor dos mais abjetos vícios, que desafio! Há que se ter estômago para acompanhar a sequência de crimes do pusilânime biltre, com suas manipulações asquerosas, estelionato, chegando ao horripilante crime de atentar contra a vida. Mas o que choca é que estes patifes são mais comuns do que se pensa, estão muitas vezes próximos de nós, como se observa no aumento significativo nesta pandemia dos crimes de violência contra a mulher bem, como os feminicídios.

Na noite de Natal, enquanto escrevia este texto, me deparo com a manchete sobre o assassinato de uma Juíza de Direito na cidade do Rio de Janeiro, morta a facadas na frente das duas filhas pelo ex-companheiro. Até quando? Isto tem de ter um basta! A propósito, se tornou público um caso recente de violência contra a mulher, ocorrido na cidade de Santana do Livramento, em que o grau de crueldade e ignomínia surpreende pela sordidez e semelhança ao roteiro da série em comento, num caso clássico em que a vida imita a arte.

                        Que arte fabulosa é o cinema e suas variantes nas artes visuais. Peço licença para compartilhar um sentimento nostálgico que me acomete na clausura da pandemia: Que privilégio foi ter vivido em uma época que a arte do cinema existe e viceja, acho que foi uma bênção dos Deuses do Cinema!

Meus Melhores:

Séries

A Amiga Genial

The Crown

Dirty John – O Golpe do Amor

Nada Ortodoxa

O Gambito da Rainha

Filmes

Rosa e Momo (Sophia Loren com 86 anos) – Edoardo Ponti

Mank – David Fincher

O Céu da Meia Noite – George Clooney

Adú – Salvador Calvo

Undine – Christian Petzold

O Roubo do Século – Ariel Winograd

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