A ÁRVORE DOS TAMANCOS: Obra Prima de Ermanno Olmi

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É MEU AMIGO FLÁVIO BALESTRERI.

Em 1978, o cineasta Ermanno Olmi realizou aquele que foi o que considero o seu filme mais marcante: A ÁRVORE DOS TAMANCOS, consagrado por unanimidade com a Palma de Ouro no Festival de Cannes/1978.

Numa época em que determinados filmes demoravam para chegar às telas brasileiras, assisti o longa somente em 1981, numa tarde de domingo, no Cinema 1 – Sala Vogue que, durante certo tempo, foi a sala dos filmes de arte em Porto Alegre. O filme pode ser encontrado no YouTube.

Falecido em maio de 2018, aos 86 anos, Olmi, italiano da Lombardia, iniciou no cinema documental, com mais de trinta curtas-metragens sobre temáticas sociais diversas. Realizou poucos longas-metragens para uma carreira de mais de 60 anos. Outro trabalho seu mais conhecido é A LENDA DO SANTO BEBERRÃO, de 1988, também vencedor de prêmios em alguns festivai. Um dos mais importantes foi o Leão de Ouro no Festival de Veneza/1988.

Em A ÁRVORE DOS TAMANCOS, Olmi – além de dirigir, ele também foi responsável por roteiro, fotografia e edição -, recria a vida de quatro famílias de camponeses no final do século 19, habitantes de uma fazenda do interior da Itália. Elas ocupam aquele espaço devido a um acordo com o senhorio: tudo que ali é produzido deve ser dividido com ele.

Interpretada por “camponeses e gente do campo de Bérgamo” que nunca haviam atuado diante de uma câmera, Olmi consegue nos fazer esquecer que estamos diante da recriação de pessoas, lugar e época já passados para nos mergulhar em uma autêntica experiência vital com o relato do cotidiano de sua dura existência.  

Cada uma das famílias de uma forma especial vai servir de fio condutor das respectivas tramas que irão se alternar durante os meses em que transcorre o filme, do outono até a primavera.  A pequena comunidade, submetida às estações e à vontade do patrão, vive, ama, trabalha e morre. Por insistência do pároco local, uma das famílias decide colocar o filho de seis anos de idade na escola em vez de utilizá-lo na lavoura. É o início de uma série de problemas, pois a escola pública fica muito longe e eles mal têm condições de comprar roupas para o menino.

 Fazendo uso de uma linguagem semidocumental, Olmi procura imprimir o mínimo possível de estilização na imagem do filme. É um filme de planos longos, que se preocupa em retratar todo um processo de plantar tomates ou uma ida até a cidade, por exemplo, em que é possível se sentir o tempo passando.

Difícil não se emocionar com essa obra-prima, com seus momentos de rara beleza, como na sequência em que os camponeses escutam extasiados a música que sai do gramofone do patrão, e outros de dolorosa tristeza, como quando a família do menino é expulsa injustamente. O pai da família cometera um horrendo crime, um belo crime: cortar uma árvore do patrão para confeccionar um novo tamanco para o filho, já que o que ele usava havia rachado nas constantes idas e vindas da escola.

TODAY’S CINEMARCO GUEST IS MY FRIEND FLÁVIO BALESTRERI.

In 1978, filmmaker Ermanno Olmi made what I consider to be his most remarkable film: L’ ALBERO DEGLI ZOCCOLLI (THE TREE OF WOODEN CLOGS) , unanimously consecrated with the Palme d’Or at the Cannes Festival / 1978.

At a time when certain films took a long time to reach Brazilian screens, I only watched the feature in 1981, on a Sunday afternoon, at Cinema 1 – Sala Vogue which, for a while, was the room for art films in Porto Alegre . The film can be found on YouTube.

Deceased in May 2018, at the age of 86, Olmi, Italian from Lombardy, started in documentary cinema, with more than thirty short films on different social themes. He has made few feature films for a career spanning over 60 years. Another of his best known works is La leggenda del Santo Bevitore (THE LEGEND OF THE HOLY DRINKER) , from 1988, also winner of awards in some festivals. One of the most important was the Golden Lion at the Venice Film Festival / 1988.

In THE TREE OF WOODEN CLOGS , Olmi – in addition to directing, he was also responsible for script, photography and editing -, recreates the lives of four peasant families in the late 19th century, inhabitants of a farm in the interior of Italy. They occupy that space due to an agreement with the landlord: everything that is produced there must be shared with him.

Played by “peasants and people from the Bergamo countryside” who had never acted before a camera, & nbsp; Olmi manages to make us forget that we are facing the recreation of people, place and time already past to immerse ourselves in an authentic experience vital with the daily account of his hard existence. & nbsp;

Each family in a special way will serve as the guiding thread of the respective plots that will alternate during the months during which the film runs, from autumn to spring. The small community, submitted to the seasons and to the boss’s will, lives, loves, works and dies. At the insistence of the local parish priest, one of the families decides to put his six-year-old son in school instead of using it in the fields. It is the beginning of a series of problems, as the public school is too far away and they are barely able to buy clothes for the boy.

Using semidocumental language, Olmi seeks to print as little stylization as possible on the film image; It is a long-plan film, which is concerned with portraying a whole process of planting tomatoes or a trip to city, for example, where you can feel the time passing.

It is hard not to be touched by this masterpiece, with its moments of rare beauty, as in the sequence in which the peasants listen in rapture to the music that comes out of the boss’s gramophone, and others of painful sadness, as when the boy’s family is expelled unfairly. The father of the family had committed a horrendous crime, a beautiful crime: cutting a tree from the boss to make a new clog for his son, since what he used had cracked in the constant comings and goings of the school.

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