É TÃO RUIM QUE É BOM

A CONVIDADA DE HOJE DO CINEMARCO É LAURA MEDEIROS.

Um filme ruim pode ser uma coisa boa..

Muitas vezes, o próprio fato de ser ruim, pode justamente ser o motivo que torna o filme bom.

Embora estas frases possam soar contraditórias, tenho certeza que, de alguma maneira, muitos reconhecem a sensação. 

Filmes ruins existem desde a origem do cinema. Normalmente são aqueles que detêm carência de uma atuação, um roteiro ou uma direção de qualidade. Entretanto existem certos filmes que foram capazes de transcender este rótulo e alcançar uma nova categoria no mundo audiovisual – sendo tão absurdamente ruins que aprendemos a ver eles com outros olhos, e assim nos garantindo uma maior diversão.

Existem dois tipos de filmes ruins: 

1º aqueles que sabem que são ruins e abraçam esta identidade;

2º aqueles que não sabem que são, mas acreditam fielmente que são obras primas e que acabam por falhar miseravelmente neste quesito.

É comum vermos o 1º tipo em filmes de extrema ação. Pegamos, por exemplo, filmes como “Sharknado” (2013) ou até mesmo a maioria dos filmes da franquia Transformers (2007) – ambos tem roteiros medíocres e com uma atuação pouco engajante. No entanto, providenciam ao público exatamente o que prometem: monstros gigantes atacando a cidade na qual o herói salva o dia. O mesmo também pode ser visto em comédias de gênero besteirol que, por meio de piadas altamente escrachadas procuram criticar vários elementos da vida cotidiana. “As Branquelas” (2004) e “American Pie”(1999) são dois exemplos que, por mais absurdo que sejam suas histórias, ainda persistem na atual cultura popular.

Estes filmes são exagerados e over the top?  Sim. Podem ter uma estória preguiçosa e às vezes chula? Sim. Mas cumprem a função primordial de qualquer filme: entreter o espectador. Podem até ser um entretenimento barato ( ou “mastigado” como eu gosto de chamar), que no fim do dia não acrescentam em nada na formação de ninguém. Contudo, se estes filmes te fizeram rir ou se divertir com suas cenas cômicas ou cheias de ação… então já está ótimo. Eis os famosos guilty pleasures da vida.

Antes de qualquer coisa, filmes tem o dever de nos entreter – seja por meio de ação, comédia, romance, terror ou drama. Se os cineastas querem alcançar este objetivo por meio de artifícios mais baratos, não há motivos para não gostarmos de seus filmes. Apreciamos suas obras por aquilo que elas são.

Entretanto, existe o 2º tipo de filmes ruins: aqueles que juram que são verdadeiras obras de arte, mas falham miseravelmente em alcançar este objetivo.

Em casos mais recentes temos o filme Cats (2019), que já comentei em uma crítica anterior sobre seu desastre como adaptação. Desde o  seu lançamento, a Universal Studios faz uma agressiva campanha para lançar o filme como candidato à nomeação de diversos prêmios célebres (incluindo os Oscars). O estúdio acreditava cegamente que tendo em mãos o mesmo diretor de Os Miseráveis (2012), Tom Hooper, os resultados nas premiações seriam semelhantes.

Deu no que deu.

Perderam mais de  100 milhões de dólares e deram uma manchada no currículo de muita gente.

Mas como já comentei na análise anterior, o filme pode ser uma experiência cômica sem igual. Basta não ter altas expectativas de que seja bom e assim verás um filme com outros olhos.

Admito que não é pra todo mundo. Mas a chave do exercício esta em simplesmente ABAIXAR SUAS EXPECTATIVAS. No momento em que perceberes que o filme não é aquilo que promete ser, mude suas perspectivas. Abrace as cenas ridículas e ria do absurdo.

Pior do que ver um filme ruim é ver um filme ruim e não se divertir.

Ademais, filmes ruins detém um poder de aprendizado como nenhum outro. Para aqueles interessados em produções audiovisuais, posso lhes garantir que, ao ver filmes ruins, há mais oportunidades de identificar erros e aprender com eles. Diálogos não muito orgânicos, ângulos de direção estranhos e enredos sem sentido são muito mais evidentes nestas produções do que naquelas de boa qualidade. Afinal, não existe a maneira certa para se fazer um filme, mas não há dúvidas que existem as maneiras erradas. E é com elas que aprendemos e assim desenvolvemos os filmes de maior excelência.

Um exemplo disso seria o diretor Peter Jackson. Muitas de suas inspirações cinematográficas para a trilogia do Senhor dos Anéis (2001-2003) vieram de um filme animado de 1978 sobre a mesma estória. Esta animação, embora fosse um projeto ambicioso, possuía uma produção um tanto pobre, até mesmo para os padrões da época, e não foi capaz de fazer jus ao célebre mundo de fantasia criado por Tolkien.  Entretanto, apesar de suas falhas, Jackson analisou o filme e aprendeu com ele. Viu onde tinha que ser melhorado e adaptado e onde haviam oportunidades que poderiam ser melhor reproduzidas em sua versão cinematográfica dos livros. Suscitando em uma das maiores (quiçá a maior) trilogias da história do cinema.

Em suma, o segredo para apreciar os filmes ruins é simplesmente transformar esse limão em uma excelente limonada.

TODAY’S CINEMARCO GUEST IS LAURA MEDEIROS.

A bad movie can be a good thing.

Often, the very fact of being bad, may just be the reason that makes the film good.

Although these phrases may sound contradictory, I am sure that, somehow, many recognize the sensation.

Bad films have existed since the origin of cinema. They are usually those who lack a performance, a script or a quality direction. However, there are certain films that were able to transcend this label and reach a new category in the audiovisual world – being so absurdly bad that we learned to see them with different eyes, and thus guaranteeing us greater fun.

There are two types of bad films:

1st those who know they are bad and embrace this identity;

2nd those who do not know that they are, but faithfully believe that they are masterpieces and that end up failing miserably in this regard.

It is common to see the 1st type in films of extreme action. We take, for example, films like “Sharknado” (2013) or even most of the films of the Transformers franchise (2007) – both have mediocre scripts and a little engaging performance. However, they provide the public with exactly what they promise: giant monsters attacking the city in which the hero saves the day. The same can also be seen in comedies of the besteirol genre that, through highly joking jokes, seek to criticize various elements of everyday life. “As Branquelas” (2004) and “American Pie” (1999) are two examples that, as absurd as their stories may be, still persist in the current popular culture.

Are these films exaggerated and over the top? Yes. Can they have a lazy and sometimes foul story? Yes. But they fulfill the primary function of any film: entertaining the viewer. They can even be cheap entertainment (or “chewed” as I like to call it), which at the end of the day doesn’t add anything to anyone’s training. However, if these films made you laugh or have fun with their comedic or action-packed scenes … then that’s great. Here are the famous guilty pleasures of life.

First of all, films have a duty to entertain us – whether through action, comedy, romance, horror or drama. If filmmakers want to achieve this goal through cheaper gimmicks, there is no reason why we don’t like their films. We appreciate his works for what they are.

However, there are the 2nd type of bad films: those that swear that they are true works of art, but fail miserably to achieve this goal.

In more recent cases we have the film Cats (2019), which I already commented on in a previous review about its disaster as an adaptation. Since its launch, Universal Studios has been aggressively campaigning to launch the film as a candidate for nominations for several celebrated awards (including the Oscars). The studio blindly believed that having the same director of Os Miseráveis ​​(2012) in hand, Tom Hooper, the results in the awards would be similar.

The rest is history.

They lost more than $ 100 million and stained many people’s CVs.

But as I already mentioned in the previous analysis, the film can be a unique comic experience. Just do not have high expectations that it is good and you will see a film with different eyes.

I admit it is not for everyone. But the key to the exercise is simply to LOWER YOUR EXPECTATIONS. The moment you realize that the film is not what it promises to be, change your perspectives. Embrace the ridiculous scenes and laugh at the absurd.

Worse than watching a bad movie is watching a bad movie and not having fun.

Furthermore, bad films have a learning power like no other. For those interested in audiovisual productions, I can assure you that, when watching bad films, there are more opportunities to spot mistakes and learn from them. Not very organic dialogues, strange angles of direction and meaningless plots are much more evident in these productions than in those of good quality. After all, there is no right way to make a film, but there is no doubt that there are the wrong ways. And it is with them that we learn and thus develop the films of greatest excellence.

An example of this would be director Peter Jackson. Many of his cinematic inspirations for the Lord of the Rings trilogy (2001-2003) came from a 1978 animated film about the same story. This animation, although it was an ambitious project, had a somewhat poor production, even by the standards of the time, and was not able to live up to the famous fantasy world created by Tolkien. However, despite his shortcomings, Jackson analyzed the film and learned from it. He saw where it had to be improved and adapted and where there were opportunities that could be better reproduced in his film version of the books. Raising in one of the biggest (perhaps the biggest) trilogies in the history of cinema.

In short, the secret to enjoying bad movies is to simply turn this lemon into excellent lemonade.

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