MÁRCIO PINHEIRO E BAR ESPERANÇA, O ÚLTIMO QUE FECHA

O CONVIDADO DE HOJE DO CINEMARCO É MÁRCIO PINHEIRO

Hugo Carvana era meu cineasta brasileiro favorito, autor de uma pequena obra-prima, Bar Esperança – O Último que Fecha, filme que melhor resume o Brasil dos estertores da ditadura.

Partindo do microcosmo que é um bar (e também da crise conjugal do casal protagonista), Carvana constrói uma crônica sobre encontros e desencontros, sobre alegrias e melancolias, sobre porres e ressacas.

O resultado é a esperança, não apenas a que é resumida no título, mas em especial aquela de uma geração que se reencontrava com a democracia e via nascer a Nova República.

Era o símbolo de um país que voltava a ficar otimista.

Hugo Carvana era ainda um dos meus três atores brasileiros favoritos.

Seu desempenho não se restringia aos seus próprios filmes mas também se espalhava por obras de outros cineastas, como Glauber Rocha, Zelito Vianna e Cacá Diegues.

Mas Hugo Carvana era, principalmente, a encarnação de um simpático personagem carioca.

E, certa vez, quando o entrevistei há mais de 20 anos, ele me passou um ensinamento tão genial quanto surpreendente, vindo de quem vinha: a melhor boemia era a diurna.

O homem que viveu tantas madrugadas e bebeu com tanta gente – de Vinicius de Moraes a Tarso de Castro, de Tom Jobim a Pereio – me ensinou que cada vez mais sentia prazer em acordar cedo, beber com os amigos a partir do final da manhã, participar de longos almoços que varavam a tarde e depois, quando o sol começava a se pôr, se recolher para ver um filme e dormir cedo.

O boêmio era também um sábio.

TODAY’S CINEMARK GUEST IS MÁRCIO PINHEIRO

Hugo Carvana was my favorite Brazilian filmmaker, author of a small masterpiece, Bar Esperança – The Last That Closes, a film that best summarizes Brazil from the final of the dictatorship.

Starting from the microcosm that is a bar (and also from the marital crisis of the protagonist couple), Carvana builds a chronicle about encounters and mismatches, about joys and melancholy, about drunkenness and hangovers.

The result is hope, not only that which is summed up in the title, but in particular that of a generation that was reunited with democracy and saw the birth of the New Republic.

It was the symbol of a country that was once again optimistic.

Hugo Carvana was still one of my three favorite Brazilian actors.

His performances were not restricted to his own films but also spread to the works of other filmmakers, such as Glauber Rocha, Zelito Vianna and Cacá Diegues.

But Hugo Carvana was, mainly, the incarnation of a friendly character from Rio.

And, once, when I interviewed him more than 20 years ago, he taught me a genius as surprising as it came from those who came: the best bohemian was the daytime.

The man who lived so many nights and drank with so many people – from Vinicius de Moraes to Tarso de Castro, from Tom Jobim to Pereio – taught me that he increasingly found pleasure in waking up early, drinking with friends from the end of the morning, participate in long lunches that went through the afternoon and then, when the sun started to set, retire to watch a movie and sleep early.

The bohemian was also a wise man.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.