ALLEN VS. FARROW: Vi Tudo e Acho que o Filme Falhou Miseravelmente

Ao contrário de alguns amigos, apesar de concordar que o primeiro dos quatro episódios do documentário ALLEN VS. FARROW, da HBO deixara uma péssima impressão por sua evidente parcialidade no tratamento do assunto, ontem fui ver os últimos três episódios para fazer meu juízo definitivo de posse de todas as informações.

Reitero que sendo um grande fã de Woody Allen – que considero um cineasta genial – claramente me manifesto no sentido de que fico ao lado dele frente às acusações sem prova da ex-mulher Mia Farrow e a filha do casal Dylan sobre alegados abusos sexuais quando ela tinha 7 anos de idade no sótão da casa dela, em Connecticut.

Acho que a série somente piorou até seu deprimente final.

Não estou mais avaliando o caso em si, mas exclusivamente o filme em quatro episódios. A negativa de Woody Allen, Soon-Yi e o filho adotivo de Allen e Farrow, Moses Farrow (que veio a público em favor de Allen) em dar depoimentos para o documentário, a meu ver, não somente feriu de morte o eixo de imparcialidade dos cineastas como definiu que o filme seria “de um lado só”.

Na minha opinião há vários erros grosseiros no documentário.

O primeiro e principal: apesar de se gabar de ter tido acesso a todos os documentos (inclusive os selados) do caso, a superficialidade da abordagem da investigação é evidente. Por que não são mencionados os resultados da perícia policial feita no sótão da casa onde supostamente teria sido cometido o abuso? Por que não se aprofunda a tese da defesa de que a menção permanente de Dylan que foi atraída ao sótão para brincar com um trenzinho do irmão esbarra no fato de jamais ter havido um trenzinho no sótão? Uma coisa que era muito fácil de verificar por testemunhas e fotos aparece apenas em um croquis policial bastante duvidoso.  

Um segundo problema mortal do documentário: temas muito interessantes e próprios a debates como se existe a possibilidade de separar um artista de má índole de sua obra artística relevante (são citados Allen, Polanski, Cosby, Michael Jackson) merece menos de cinco minutos em um documentário de mais de quatro horas de duração.

Os depoimentos de artistas a favor de Dylan (Natalie Portman, Mira Sorvino, Greta Gerwig, Timothee Chalamet e mais alguns) ganha muito mais peso – como se definissem o culpado – em oposição a muitos mais artistas que apoiam Allen, como Diane Keaton, Scarlett Johansson e praticamente toda Academia de Hollywood.

Por que a fala de Mia Farrow de que Ronan não seria filho de Woody Allen e sim de Frank Sinatra sequer é mencionado no documentário?

Minha síntese: apesar de ter acesso a um material até então inédito, a parcialidade evidente dos cineastas Kirby Dick e Amy Ziering os fez falhar miseravelmente.

Para mim o documentário – que inclusive macula a HBO Documentaries– não ajudou em nada a desvendar o caso ALLEN VS. FARROW. Ao contrário, tornou a polêmica ainda mais radicalizada e longe de um final.   

Unlike some friends, although I agree that the first of the four episodes of the HBO’s documentary ALLEN VS. FARROW had left a bad impression due to his evident bias in dealing with the matter, yesterday I went to see the last three episodes to make my final judgment in possession of all the information.

I reiterate that being a big fan of Woody Allen – who I consider a genius filmmaker – I clearly manifest myself in the sense that I stand by him in the face of the unproven accusations of ex-wife Mia Farrow and the daughter of the Dylan couple about alleged abuse when she was 7 years old in her attic in Connecticut.

I think the series only got worse until its depressing ending.

I am no longer evaluating the case itself, but exclusively the film in four episodes. The refusal of Woody Allen, Soon-Yi and the adopted son of Allen and Farrow, Moses Farrow (who went public in favor of Allen) in giving testimonies for the documentary, in my view, not only hurt the axis of impartiality to death of the filmmakers as he defined the film to be “one-sided”.

In my opinion there are several gross errors in the documentary.

The first and main: although it boasts that it had access to all documents (including sealed ones) in the case, the superficiality of the investigation approach is evident. Why are the results of the police investigation carried out in the attic of the house where the abuse was supposed to have been mentioned not mentioned? Why doesn’t the defense thesis that the permanent mention of Dylan who was attracted to the attic to play with his brother’s train come up against the fact that there never was a train in the attic go deeper? One thing that was very easy to verify by witnesses and photos appears only in a rather dubious police sketch. & nbsp;

A second deadly problem in the documentary: very interesting and debatable topics such as whether there is a possibility of separating a bad artist from his relevant artistic work (Allen, Polanski, Cosby, Michael Jackson are cited) deserves less than five minutes in a documentary of more than four hours in length.

The testimonies of artists in favor of Dylan (Natalie Portman, Mira Sorvino, Greta Gerwig, Timothée Chalamet and a few others) gain much more weight – as if they defined the culprit – as opposed to many more artists who support Allen, such as Diane Keaton, Scarlett Johansson and just about every Hollywood Academy.

Why is Mia Farrow’s speech that Ronan is not the son of Woody Allen but Frank Sinatra’s even mentioned in the documentary?

My summary: despite having access to previously unpublished material, the evident bias of filmmakers Kirby Dick and Amy Ziering made them fail miserably.

For me, the documentary – which even stains the HBO Documentaries – did nothing to unravel the ALLEN VS case. FARROW. On the contrary, it made the controversy even more radical and far from ending.

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