APOCALIPSE NOW: Quarenta e Dois Anos do Horror da Guerra Visto Por um Cineasta Genial

Meu amigo Felipe Vieira ontem me lembrou que o filme APOCALIPSE NOW, de Francis Ford Coppola está fazendo 42 anos desde que foi lançado nos cinemas.

Lembro que a primeira vez que vi APOCALIPSE NOW, foi no Cine Astor, um enorme cinema de rua em Porto Alegre, localizado na Avenida Benjamin Constant, que tinha uma tela gigante e um sistema de som muito bom.

Foi em um domingo à noite que fui extasiado naquelas duas horas e vinte e sete minutos que me transportaram de Porto Alegre aos campos inundados do Vietnam.

Fiquei mais de duas horas hipnotizado por Marlon Brando (incrível como o Coronel Kurtz), Martin Sheen, Dennis Hooper, Harrison Ford, Robert Duvall, Frederic Forrest, Sam Bottoms, Laurence Fishburne e Scott Glenn.

Papel essencial nesta obra prima tinha a trilha sonora de Carmine Coppola, que ia de música clássica a rock pesado, para contar a loucura da Guerra do Vietnam.

APOCALIPSE NOW tem um sem número de cenas antológicas. A mais comentada de todas, sem dúvida é dos helicópteros americanos bombardeando aldeias vietnamitas com napalm ao som de A Cavalgada das Valquírias, de Richard Wagner, um momento antológico do cinema.

Mas ainda hoje, parece que estou vendo o rosto redondo do grande Marlon Brando, visto apenas pela metade (a iluminação do mago da fotografia Vitorio Storaro deixava metade do rosto do ator no escuro) contando ao personagem de Martin Sheen que o momento em que viu que a guerra era perdia foi quando seu pelotão fez uma operação de vacinação de crianças em uma aldeia e minutos depois ao ouvir da floresta tiros e explosões retornaram à aldeia e viram com horror uma pilha de bracinhos das crianças vacinadas decepados por vietnamitas em reação contra o invasor. Terror puro.

Há alguns anos vi o documentário O APOCALIPSE DE UM CINEASTA narrando a loucura que foram as filmagens de APOCALIPSE NOW. Houve um furacão que destruiu todos os cenários, um infarto que quase matou o diretor, seguidos estouros de orçamento e substituição de atores em meio ao filme. Foi uma das produções mais tumultuadas de todos os tempos. Imagina o filme que seria não fosse isto tudo. Ou não.

Quarenta anos depois, cada vez mais acho APOCALIPSE NOW um dos melhores filmes de guerra que o cinema já fez, ao lado de obras como GLÓRIA FEITA DE SANGUE, O FRANCO ATIRADOR e outras deste calibre.

O filme só não é o melhor que Francis Coppola fez na vida, porque existe um tal O PODEROSO CHEFÃO que está no paraíso dos filmes perfeitos.

Com certeza, saí do Cine Astor uma pessoa diferente da que entrei (comprando balas azedinhas). Saí consciente do horror da guerra, da maldade humana e dos malefícios da violência e dos perigos de um imperialismo que não respeita diferenças políticas, culturais e religiosas.

Sempre me impressiono quando vejo estes aniversários de lançamentos, porque os filmes mais marcantes nos parecem ter estreado ontem, tamanha a impressão que deixaram em nossa mente, olhos e corações.

My friend Felipe Vieira yesterday reminded me that the film APOCALIPSE NOW, by Francis Ford Coppola is 42 years old since it was released in theaters.

I remember that the first time I saw APOCALIPSE NOW, it was at Cine Astor, a huge street theatre in Porto Alegre, located on Avenida Benjamin Constant, which had a giant screen and a very good sound system.

It was on a Sunday night that I was ecstatic in those two hours and twenty-seven minutes that transported me from Porto Alegre to the flooded fields of Vietnam.

I was more than two hours mesmerized by Marlon Brando (incredible as Colonel Kurtz), Martin Sheen, Dennis Hooper, Harrison Ford, Robert Duvall, Frederic Forrest, Sam Bottoms, Laurence Fishburne and Scott Glenn.

An essential role in this masterpiece was the soundtrack by Carmine Coppola, ranging from classical music to heavy rock, to tell the madness of the Vietnam War.

APOCALYPSE NOW has a huge number of anthological scenes. The most talked about of all, is undoubtedly the American helicopters bombing Vietnamese villages with napalm to the sound of Richard Wagner’s Cavalcade of the Valkyries, an anthological moment in cinema.

But even today, it seems that I am seeing the round face of the great Marlon Brando, seen only in half (the lighting of the magician Vitorio Storaro left half of the actor’s face in the dark) telling the character of Martin Sheen that the moment he saw that the war was lost was when his platoon carried out a children’s vaccination operation in a village and minutes later, after hearing shots and explosions from the forest, they returned to the village and saw in horror a pile of vaccinated children’s arms cut off by Vietnamese in reaction against the invader. Pure terror.

A few years ago I saw the documentary THE APOCALYPSE OF A FILMMAKER narrating the madness that was the filming of APOCALYPSE NOW. There was a hurricane that destroyed all the scenarios, a heart attack that almost killed the director, followed by budget overruns and replacement of actors in the middle of the film. It was one of the most tumultuous productions of all time. Imagine the film that would be if it weren’t for all this. Or not.

Forty years later, I increasingly find APOCALYPSE NOW one of the best war films that cinema has ever made, alongside works such as PATHS OF GLORY or THE DEER HUNTER and others of this caliber.

The film is just not the best that Francis Coppola has done in his life, because there is such a thing like THE GODFATHER who is in the paradise of perfect films.

Certainly, I left Cine Astor a different person from the one I entered (buying sour candies). I came out aware of the horror of war, of human evil and the evils of violence and the dangers of an imperialism that does not respect political, cultural and religious differences.

I am always impressed when I see these release anniversaries, because the most striking films seem to us to have opened yesterday, such an impression that they left in our minds, eyes and hearts.

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