A SEGUNDA CAMPAINHA

O Clube de Cinema de Porto Alegre fez muitas e muitas sessões no Auditório Dante Barone, da Assembléia Legislativa de Porto Alegre. Tratava-se de um local amplo (557 lugares), muito confortável, com ótimo sistema de projeção e som (para a época), tinha um custo baixo e sua localização era privilegiada. O nome homenageia um antigo funcionário e administrador do espaço, o gentil e educado Sr. Dante Barone que tive a felicidade de conhecer.

Foram inúmeras as vezes que deixei latas e latas de filmes na entrada lateral do Auditório para serem levadas à cabine de projeção (acessível pela escada mais estranha que já vi, com degraus quadrados em níveis alternados) e serem preparados para as sessões da noite ou dos dias seguintes.

O operador de cinema ou projecionista contratado da Assembléia era o Sr. Carraveta, um homem septuagenário que contava histórias da época em que os filmes eram de nitrato e pegavam fogo em qualquer circunstância. Foi a pessoa mais próxima de Alfredo (o imortal personagem do projecionista vivido por Philipe Noiret em CINEMA PARADISO) que eu conheci na vida.

O salão do público era atendido por três funcionários da Assembléia – cujos nomes não recordo (acho que Adão, Pedro e Marcos) – que eram muito dedicados à limpeza, atendimento ao público, fiscalização (por favor tire os pés do assento da frente) e cuidados com o horário programado das sessões.

Eu me dava muito bem com eles. Eram funcionários exemplares.

Um dos trabalhos deles era chamar o público para sentar através de três toque de campainha que anunciavam o início próximo da sessão. Cada toque era um pouco mais longo, propositadamente para acelerar o processo das pessoas entrarem na sala e se acomodarem antes da sessão iniciar.

Lembro que uma vez cheguei no Auditório Dante Barone, antes de uma sessão e um dos três funcionários pomposamente me fez um anúncio: ” Sr, Marco, hoje como o filme é muito longo, vou iniciar pelo segundo sinal.”

Eu olhei para ele e disse: “Estou de acordo, mas vamos combinar que na realidade estás me dizendo que hoje somente vais dar dois sinais. É impossível começar pelo segundo sinal.” E me fui bem feliz para dentro da sala, antes mesmo do “segundo sinal”.

Memórias de um cineclubista.

The Porto Alegre Film Club held many, many sessions at the Dante Barone Auditorium, of the Legislative Assembly of Porto Alegre. It was a large location (557 seats), very comfortable, with a great projection and sound system (at that time), had a low cost and its location was privileged. The name honors a former employee and manager of the space, the kind and polite Mr. Dante Barone that I was fortunate enough to meet.

There were countless times that I left cans and cans of films at the side entrance of the Auditorium to be taken to the projection booth (accessible by the strangest staircase I have ever seen, with alternating square steps) and to be prepared for the sessions of the night or the following days.

The cinema operator or projectionist hired by the Assembly is Mr. Carraveta, a man in his seventies who told stories of the time when the films were made of nitrate and caught fire under any circumstances. He was the closest person to Alfredo (the immortal character of the projectionist lived by Philipe Noiret in CINEMA PARADISO) that I met in my life.

The public hall was attended by three Assembly officials – whose names I do not remember – who were very dedicated to cleaning, attending to the public, inspection (“please take your feet off the front seat”) and taking care of the programmed sessions time.

I got along very well with them. They were exemplary employees.

One of their jobs was to invite the audience to sit through three buzzers that announced the start of the session. Each touch was a little longer, purposely to speed up the process of people entering the room and settling in before the session started.

I remember that I once arrived at the Dante Barone Auditorium, before a session and one of the three employees pompously made an announcement to me: ” Mr, Marco, today as the film is very long, I will start with the second signal. “

I looked at him and said: “I agree, but let’s agree that in reality you are telling me that today you are only going to give two signals. It is impossible to start with the second signal.” And I went very happy inside the room, even before the “second signal”.

Memoirs of a film club member.

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