Uma Calça Nova, Por Favor

Certa vez, no distante ano de 1975, fui com um amigo ao Cine Center ver o filmaço de Robert Altman, NASHVILLE. O Cine Center foi o primeiro cinema de Shopping de Porto Alegre. No Shopping Center João Pessoa, a empresa Fama Filmes inaugurou uma sala luxuosa para a época, com assentos mais confortáveis, espaldares altos e um serviço de bombonière diferenciado.

Meu colega era meio robusto e estava um tanto fora de forma.

Recém o filme tinha iniciado (tem 2h40min) e uma cruzada de pernas rasgou a costura da calça do meu amigo de cima a baixo.

Quando paramos de rir, ele nervoso me disse que não teria possibilidade de sair assim pelo shopping, virtualmente sem calça.

Como eu morava perto do cinema e era o único vestido da dupla, fui o escolhido para ir até minha casa conseguir uma outra calça para ele vestir.

Sai, peguei um táxi, fui até em casa e escolhi a calça, coloquei numa sacola de supermercado e voltei o mais rápido possível para o cinema.

Ainda tinha a dificuldade de retornar à sala escura, porque na época o famigerado ingresso padronizado (uma bobina impressa pela EMBRAFILME a um preço extorsivo e obrigatória para todos os cinemas) não deixava o ticket com o espectador e na correria eu nada tinha em mãos para comprovar aos funcionários do cinema que já tinha pago ingresso.

No fim entrei, a calça serviu e pude seguir vendo o trabalho do mestre Altman.

Somente anos depois revi e pude captar toda qualidade do filme, imortal por muitas coisas, inclusive a belíssima canção de Keith Carradine, “I’m Easy”, ganhadora do Oscar.

Once, in the distant year of 1975, I went with a friend to the Cine Center to see Robert Altman’s filming, NASHVILLE. The Cine Center was the first shopping cinema in Porto Alegre. At the Shopping Center João Pessoa, the company Fama Filmes inaugurated a luxurious room for the time, with more comfortable seats, high backs and a differentiated bombonière service.

My colleague was a bit robust and was a little out of shape.

The film had just started (it has 2h40min) and a cross of legs tore the stitching of my friend’s pants from top to bottom.

When we stopped laughing, he nervously told me that he wouldn’t have the chance to go out like this through the mall, virtually without pants.

As I lived close to the cinema and it was the duo’s only dress, I was chosen to go to my house to get another pair of pants for him to wear.

I left, took a taxi, went home and chose my pants, put them in a supermarket bag and went back to the cinema as soon as possible.

I still had the difficulty of returning to the dark room, because at the time the infamous standardized ticket (a reel printed by EMBRAFILME at an extortionate price and mandatory for all cinemas) did not leave the ticket with the viewer and in the rush I had nothing in hands to prove to the cinema employees that they had already paid admission.

In the end I went in, the pants fit and I could continue to see Master Altman’s work.

Only years later I reviewed and was able to capture all the quality of the film, immortal for many things, including Keith Carradine’s beautiful song, “I’m Easy”, an Oscar winner.


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