Um Ronco Atrapalhando o Filme

Certa vez o Clube de Cinema de Porto Alegre estava fazendo uma sessão na Casa de Cultura Mário Quintana, se não me engano de filmes dinamarqueses premiados em festivais internacionais.

Como era comum naquelas mostras, eu não tinha como ver o filme (ou pelo menos todo ele) porque tarefas administrativas nos obrigavam a permanecer trabalhando fora da sala de projeção, fazendo a venda de ingressos, preparando a sessão seguinte, organizando a chegada e saída das latas de filmes, e muitas outras tarefas.

Naquela noite, a sessão já tinha uns trinta minutos, quando um sócio do Clube de Cinema sai da sala e vem em minha direção, com um pedido inusitado: “Marco, tem um sujeito roncando muito alto na sala e está atrapalhando muito o filme. Já fizemos vários “psius”e nada do homem acordar.”

Imediatamente entrei na sala escura e ouvi. O ronco do dorminhoco era realmente prodigioso. Daqueles que tinha um volume absurdo e alguns ruídos adicionais tipo assobio no final.

Sentei-me imediatamente atrás dele e cuidadosamente, cutuquei o assento da cadeira dele para ver se ele acordava e parava de roncar. Que nada. Ele se reacomodou e seguiu seu sono acompanhado do ronco.

Não tive outra alternativa que cutucar o ombro dele e sussurrar ao seu ouvido: “Amigo, por favor não leve a mal, mas seu ronco está atrapalhando a sessão.”

O dorminhoco ruidoso, pediu desculpas, se levantou e foi embora.

Os demais espectadores puderam, então, voltar a se concentrar apenas nas imagens e sons da tela.

Once the Porto Alegre Film Club was doing a screening at the Casa de Cultura Mário Quintana, if I’m not mistaken about Danish films awarded at international festivals.

As was common at those shows, I couldn’t see the film (or at least the whole of it) because administrative tasks forced us to remain working outside the screening room, doing ticket sales, preparing the next session, organizing the arrival and departure of film cans, and many other tasks.

That night, the session was already about thirty minutes old, when a member of the Cinema Club leaves the room and comes towards me, with an unusual request: “Marco, there’s a guy snoring very loudly in the room and he’s troubling a lot the movie. We’ve done a lot of noises for him asking silence and nothing of the man waking up.”

I immediately entered the dark room and listened. The sleeper’s snoring was truly prodigious. The ones that had an absurd volume and some additional whistling noises at the end.

I sat down immediately behind him and carefully poked the seat of his chair to see if he would wake up and stop snoring. Nothing. He resettled and followed his sleep accompanied by snoring.

I had no choice but to nudge his shoulder and whisper in his ear, “Friend, please don’t take this the wrong way, but your snoring is disrupting the session.”

The noisy sleeper, apologized, got up and left.

The rest of the viewers were then able to refocus only on the images and sounds on the screen.

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