ROCKY, UM LUTADOR: 45 Anos Depois Segue Tirando a Gente da Cadeira

Anos atrás eu fiz um post sobre minhas memórias do filme ROCKY, UM LUTADOR, de John G. Avildsen. Acho que foi quando o filme fez 40 anos. Como ele é de 1976, este ano está fazendo 45 anos. Ontem revi o filme de ponta a ponta do Festival 125 Anos de Cinema do TELECINE.

O filme é muito bom.

O então jovem e desconhecido Sylvester Stallone (tinha feito até mesmo um pornô para sobreviver como se descobriu depois) passava fome em Hollywood, andando de produtor em produtor com um roteiro debaixo do braço que ele escreveu e queria produzir, com a condição de que fosse o personagem principal.

À semelhança do próprio Stallone, ROCKY contava a história de um pugilista cuja carreira não decolou por falta de oportunidade. Muito pobre, ele ganha a vida lutando em clubes pulgueiro, lutas que lhe dão 40 dólares (quando ganha) e mais algum dinheiro fazendo cobranças para um agiota chique do bairro.

É encantado pela moça da petshop (Adrian, ótimo trabalho da irmã de Francis Coppola, Talia Shire), que todos no bairro – inclusive o irmão dela (Burt Young) – chamam de retardada. Mas sua abordagem – contando a ela piadas sem graça e comprando pequenos pets de que não precisa – promete nunca evoluir.

Rocky tem bom coração. Tenta tirar uma menina de 12 anos das ruas, onde ela anda bebendo e fumando com um grupo de rapazes e se recusa a cumprir as ordens do chefe de “quebrar os dedos” de quem não pagar.

Um dia a sorte de Rocky muda 180 graus.

O falastrão campeão mundial de box, Apollo Creed (Carl Weathers, num personagem baseado em Mohamed Ali que rende até hoje no cinema) resolver promover uma luta espetáculo para comemorar a Independência Americana e escolha ao acaso Rocky para adversário, pelo seu apelido de “Garanhão Italiano”.

O que ninguém esperava é que Rocky era um lutador mesmo. Na vida. Ajudado pelo veterano treinador Micky (Burgess Meredith, excelente) Rocky vai se preparar muito para a luta e quando soa o gongo, a festa de Apollo vira um pesadelo.

Avildsen mudou o jeito do cinema filmar lutas de boxe. Embora haja vários clássicos anteriores a ROCKY, com PUNHOS DE CAMPEÃO e FAT CITY, basta olhar os filmes que vieram depois, para ver ângulos e técnicas de filmagem que Avildsen e sua equipe criaram. TOURO INDOMÁVEL, A LUTA PELA ESPERANÇA, O CAMPEÃO São apenas alguns exemplares ilustres.

ROCKY foi indicado a 10 Oscars. Ganhou três (Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Montagem), todos muito merecidos.

Há 5 anos atrás, escrevi no meu post: “No final do filme, não apenas eu, mas toda a plateia estava de pé, enlouquecida, como em uma luta ao vivo, ao som da magnífica trilha sonora de Bill Conti, dando socos no ar e torcendo furiosamente para Rocky Balboa, a zebra, resistir aos socos poderosos de Apollo Creed, o clone de Cassius Clay.”

Revivi isto ontem, na sala da minha casa, sozinho vendo ROCKY pela enésima vez, em êxtase e muito emocionado.

Os grande filme têm este dom.

Years ago I posted about my memoirs from John G. Avildsen‘s film ROCKY. I think it was when the movie turned 40 years old. As it is from 1976, this year it is 45 years old. Yesterday I reviewed the film from beggining to end of TELECINE’s 125 Years of Cinema Festival.

The movie is very good.

The then-young and unknown Sylvester Stallone (he had even made a porn to survive as the press find out later) was starving in Hollywood, walking from producer to producer with a script under his arm that he wrote and wanted to produce, on condition that he should be the main character.

Like Stallone himself, ROCKY told the story of a boxer whose career did not take off for lack of opportunity. Very poor, he earns a living fighting at flea clubs, fights that earn him $40 (when he wins) and collecting some more money for a posh loan shark in the neighborhood.

He is enchanted by the pet shop lady (Adrian, great work by Francis Coppola’s sister Talia Shire), who everyone in the neighborhood – including her brother (Burt Young) – calls a retard. But his approach to her—telling her bad jokes and buying little pets he doesn’t need—promises never to evolve.

Rocky has a good heart. He tries to get a 12-year-old girl off the streets, where she has been drinking and smoking with a group of young men, and refuses to comply with the boss’ orders to “break the fingers” of anyone who doesn’t pay.

One day Rocky’s luck changes 180 degrees.

The loudmouthed world boxing champion, Apollo Creed (Carl Weathers, in a character based on Mohamed Ali who still works in the movies) decides to stage a spectacle fight to celebrate American Independence and randomly choose Rocky as his opponent, by his nickname of “Italian Stallion”.

What no one expected is that Rocky was a fighter anyway. In life. Helped by veteran trainer Micky (Burgess Meredith, excellent) Rocky will be preparing a lot for the fight and when the gong rings, Apollo’s party becomes a nightmare.

Avildsen changed the way cinema filmed boxing matches. While there are a number of pre-ROCKY classics with THE SET-UP and FAT CITY, just look at the films that came later to see the angles and shooting techniques that Avildsen and his team created. RAGING BULL, CINDERELLA MAN, THE CHAMP are just a few illustrious examples.

ROCKY was nominated for 10 Oscars. It won three (Best Film, Best Direction and Best Editing), all very well deserved.

Five years ago, I wrote in my post: “At the end of the film, not just me, but the whole audience was on their feet, maddened, like in a live fight, to the sound of the magnificent Bill Conti soundtrack, punching the air and rooting furiously for Rocky Balboa, the underdog, to resist the powerful punches of strong Apollo Creed, the clone of Cassius Clay.”

I relived this yesterday, in my living room, alone watching ROCKY for the umpteenth time, ecstatic and very emotional.

The big movies have this gift.

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