TERREMOTO: O Pior do Filme Desastre

Ainda me lembro de quando fui ver TERREMOTO, uma superprodução com dezenas de atores e atrizes famosos vivendo personagens que enfrentam um gigantesco abalo sísmico em Los Angeles. O ano era 1974 e um enorme painel pintado na frente do Cine Cacique anunciava a estreia do sistema de som SENSURROUND.

Ao entrar na sala de cinema, a gente se deparava com caixas de som monumentais, muito maiores que quaisquer outras já usadas pelos cinemas. Dava um certo medo. O sistema foi um retumbante fracasso. Pagar mais para tremer no realismo do filme não pegou. Acho que apenas o filme de guerra MIDWAY reutilizou o sistema anos depois.

O elenco de TERREMOTO tinha Charlton Heston (BEN-HUR e OS DEZ MANDAMENTOS), Ava Gardner, Genevieve Bujold, George Kennedy, Lorne Greene, Richard Roundtree, Barry Sullivan, Lloyd Nolan, Victoria Principal, Walter Mathau e Pedro Armendariz Jr., um cast rico e diversificado.

O roteiro era assinado por Mario Puzo, o escritor de O PODEROSO CHEFÃO. A direção era do Canadense Mark Robson.

O filme era incrivelmente ruim.

Heston fazia um engenheiro, executivo principal da firma do sogro (Greene com cara de Ben Catwright, de BONANZA) que vê seu casamento com a apoderada Remy (Ava Gardner longe de seus melhores dias) desabar e vai cair nos braços da lindíssima jovem viúva Denise (Bujold luminosa).

Para complicar a vida deles, Los Angeles sofre um terremoto gigante que destrói quase tudo, colocando as vidas em constante perigo.

Ontem, 47 anos depois de ver o filme no Cine Cacique, me arrisquei a revê-lo num TELECINE da vida.

O filme é muito pior do que eu lembrava. É incrível que o escritor que criou O PODEROSO CHEFÃO tenha escrito um história tão simplória e sem qualidade como esta. Os diálogos são primários e os personagens uma caricatura. Há por exemplo, a cena em que todos os feridos em busca de socorro são colocados no terceiro subsolo de um shopping center. Claro que poucas cenas depois há um segundo terremoto e os soterra todos, impondo que o mocinho se arrisque para resgatá-los. Curiosamente, numa cidade do tamanho de Los Angeles, a namorada e o filho e a esposa e o sogro vão todos para o mesmo centro de atendimento. É de doer.

Para piorar, os efeitos especiais são ridículos, quase amadores, com utilização massiva de miniaturas muito fáceis de serem detectadas, em cenas ridículas.

Fui grande fã do gênero denominado (não sem certa ironia) filmes desastre. São aqueles filmes que reunem um grupo grande de personagens em um local mais ou menos isolado e os coloca em grave risco por uma catástrofe natural ou não. Sempre dois ou três astros da moda e uma dúzia de veteranos ganhando a vida, com sua fotinhos alinhadas na parte de baixo do cartaz do filme.

Acho AEROPORTO e INFERNO NA TORRE dois excelentes filmes desastre.

TERREMOTO é o oposto. Tudo o que podia sair mal, saiu pior. Foi realmente um desastre.

I still remember when I went to see EARTHQUAKE, a super production with dozens of famous actors and actresses playing characters who face a huge earthquake in Los Angeles. The year was 1974 and a gigantic painted panel in front of the Cine Cacique announced the debut of the SENSURROUND, a new sound system.

On entering the movie theater, you were faced with monumental speakers, much bigger than any others used by movie theaters. It was a bit scary. The system was a resounding failure. Paying more to shake in the movie’s realism didn’t catch on. I think only the MIDWAY, a war movie reused the system years later.

EARTHQUAKE cast included Charlton Heston (BEN-HUR and THE TEN COMMANDMENTS), Ava Gardner, Genevieve Bujold, George Kennedy, Lorne Greene, Richard Roundtree, Barry Sullivan, Lloyd Nolan, Victoria Principal, Walter Mathau, and Pedro Armendariz Jr., a rich and diversified cast.

The script was signed by Mario Puzo, the prodigious writer of GODFATHER. The filmmaker was Canadian Mark Robson.

The movie was incredibly bad.

Heston was an engineer, chief executive of his father-in-law’s firm (Greene looking like Ben Catwright, from BONANZA) who sees his marriage to the empowered Remy (Ava Gardner far from her best days) collapse and will fall into the arms of the beautiful young widow Denise (Luminous Bujold).

To complicate their lives, Los Angeles suffers a giant earthquake that destroys almost everything, putting their lives in constant danger.

Yesterday, 47 years after seeing the film at the Cine Cacique, I dared to see it again in a TELECINE of life.

The movie is much worse than I remembered. It’s amazing that the writer who created GODFATHER wrote such a simplistic and lackluster story as this one. The dialogues are primal and the characters a caricature. There is, for example, the scene where all the wounded looking for help are placed in the third basement of a shopping mall. Of course, a few scenes later there is a second earthquake and bury them all, forcing Heston to take a risk to rescue them. Interestingly, in a city the size of Los Angeles, girlfriend and son and wife and father-in-law all go to the same medic center. It hurts.

To make matters worse, the special effects are ridiculous, almost amateur, with massive use of very easy-to-detect miniatures in ridiculous scenes.

I was a big fan of the genre called (not without some irony) disaster movies. They are those movies that bring together a large group of characters in a more or less isolated location and put them at serious risk by a natural  (or not) disaster. Always two or three fashion stars and a dozen veterans, with their little pictures lined up at the bottom of the movie poster.

I think AIRPORT and THE TOWERING INFERNO are two excellent disaster movies.

EARTHQUAKE is the opposite. Everything that could go wrong turned out worse. It really was a disaster.

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