PROVIDENCE: Associado do Clube de Cinema Vê Obra Prima Apenas Parcialmente

As sessões tradicionais do Clube de Cinema sempre foram aos domingos pela manhã, às 10h. Apesar de muitos associados reclamarem do horário tão cedo no domingo, sempre foi o melhor (e mais viável) horário pela inatividade das salas de cinema naquele horário.

No final da década de 70, o Clube de Cinema programou para um domingo a pré-estréia do aguardado filme do cineasta Alain Resnais, PROVIDENCE, em sessão a ser realizada no cine Baltimore, na Avenida Osvaldo Aranha.

PROVIDENCE é um filme espetacular, um drama muito denso, ao melhor estilo de Resnais, habitualmente um amante das narrativas herméticas, cheias de alegorias e metáforas, como nos clássicos HIROSHIMA MEU AMOR e O ANO PASSADO EM MARIENBAD.

John Gielgud (extraordinário ator inglês) vive um escritor com uma doença terminal que se isola em uma propriedade deslumbrantemente linda com seus familiares, quando anuncia que seu último livro vai desvendar segredos familiares e dar uma visão muito crítica das relações familiares deles.

No elenco espetacular, estão Dirk Bogarde, Ellen Busrtyn, David Warner e Elaine Stricht.

Ao final da projeção (1h50min) muito emocionados estávamos reunidos na porta do cinema comentando mais este filmaço de Resnais quando um amigo nosso chega no grupo e comenta que achou o filme muito curto. Achamos um pouco estranho, mas seguimos elogiando cenas memoráveis da trama.

Na terceira ou quarta cena comentada, este amigo, estranhou que não estava localizando a cena mencionada. Então, perguntei a ele como o filme começou. Ele, um pouco constrangido, confessou que chegara um pouco atrasado e que a primeira imagem que viu foi determinada cena. Era além da metade do filme.

Então nos demos conta que ele chegara ao cine Baltimore às 11h e assistira apenas o terço final do maravilhoso filme de Resnais.

Se a obra já era complexa para quem viu todo filme, imagina para quem viu apenas um terço…

The traditional Porto Alegre Film Club sessions have always been on Sunday mornings at 10am. Although many members complain about the time so early on Sunday, it has always been the best (and most viable) time due to the inactivity of movie theaters at that time.

At the end of the 70s, Clube de Cinema scheduled the premiere of the long-awaited film by filmmaker Alain Resnais, PROVIDENCE, for a Sunday, in a session to be held at the Baltimore, on Avenida Osvaldo Aranha.

PROVIDENCE is a spectacular film, a very dense drama, in the best style of Resnais, usually a lover of hermetic narratives, full of allegories and metaphors, as in the classics HIROSHIMA MON AMOUR and LAST YEAR IN MARIENBAD.

John Gielgud (outstanding English actor) plays a terminally ill writer who isolates himself on a stunningly beautiful property with his family, when he announces that his latest book will unlock family secrets and give a very critical view of their family relationships.

The spectacular cast is Dirk Bogarde, Ellen Burstyn, David Warner and Elaine Stricht.

At the end of the screening (1h50min) we were very excited and gathered at the door of the cinema, commenting on this footage of Resnais, when a friend of ours arrives in the group and comments that he thought the film was too short. We found it a little strange, but we continued to praise memorable scenes from the plot.

In the third or fourth commented scene, this friend was surprised that he wasn’t locating the mentioned scene. So I asked him how the movie started. He, a little embarrassed, confessed that he had arrived a little late and that the first image he saw was a certain scene. It was past halfway through the movie.

Then we realized that he had arrived at the Baltimore cinema at 11 am and had seen only the final third of Resnais’ wonderful film.

If the movie was already complex for those who saw the entire film, imagine for those who saw only a third…

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