Qual Foi Mesmo o Final do Filme?

Ao contrário de boa parte das pessoas, eu gosto de filmes que deixam o final da trama em aberto, possibilitando aos espectadores horas (ou dias) de discussões sobre o final do filme.

O filme que mais provocou este tipo de discussão em minha opinião foi o cult clássico INSTINTO SELVAGEM, de Paul Verhoeven. Afinal, a assassina era a escritora Catherine Trammel (Sharon Stone luminosa) ou a psiquiatra forense Beth Gardner (Jeanne Tripplehorn), a louquinha apaixonada por Catherine e pelo policial Nick (Michael Douglas)? Já vi o filme dezenas de vezes e há pistas num e noutro sentido. A cena do picador de gelo debaixo da cama pode ter várias interpretações além da mais óbvia. Sigo achando que não foi a escritora e, na minha opinião, a fraquíssima sequencia não resolve a questão.

Outro filme que gerou muita discussão foi DUBLÊ DE CORPO, thriller erótico de Brian de Palma, de 1994. Afinal aquela história mirabolante da vizinha stripper brutalmente assassinada sob o olhar voyerístico do protagonista, o ator Jake (Craig Wasson) realmente ocorreu ou foi tudo um delírio dele dentro do caixão cenográfico do filme de vampiro em que atuava? De Palma, magistralmente deixa tudo aberto para a escolha do espectador.

Um terceiro caso destes é o premiado A VIDA É BELA, de Roberto Begnini. Quando estive em Los Angeles para cobrir o Oscar pela Rádio Gaúcha (com a Jornalista Fernanda Zaffari), tivemos a oportunidade de presenciar ao vivo um painel com os cinco diretores dos filmes indicados na categoria de filme estrangeiro. Ali um jornalista perguntou a Roberto Begnini se procedia a tese de que o menino Giosué (Giorgio Cantarini) sempre soube que estavam em um campo de concentração, nunca acreditou da história de um jogo proposta pelo Pai e ele é que fingia acreditar naquilo para poupar o sofrimento do Pai. Begnini sorriu e nada respondeu. Seria uma bela versão para a história, não?

Os exemplos são inúmeros. Como gosto muito de falar sobre cinema, as discussões sobre finais de filmes são, para mim, deliciosas.

Unlike most people, I like movies that leave the end of the plot open, allowing viewers hours (or days) of discussions about the end of the film.

The movie that most provoked this type of discussion in my opinion was the cult classic BASIC INSTINCT, by Paul Verhoeven. After all, was the assassin the writer Catherine Trammel (Sharon Stone luminous) or the forensic psychiatrist Beth Gardner (Jeanne Tripplehorn), the nutcase in love with Catherine and police officer Nick (Michael Douglas)? I’ve seen the movie dozens of times and there are clues in both directions. The ice pick under the bed can have several interpretations besides the most obvious one. I still think it wasn’t the writer and, in my opinion, the very weak sequel doesn’t solve the issue.

Another film that generated a lot of discussion was BODY DOUBLE, an erotic thriller by Brian de Palma, 1994. After all that crazy story of the neighbor stripper brutally murdered under the voyeuristic gaze of the protagonist, actor Jake (Craig Wasson) really occurred or was it all a delusion of him inside the scenic coffin of the  vampire movie in which he was acting? De Palma, masterfully leaves everything open for the spectator’s choice.

A third such case is the award-winning LIFE IS BEAUTIFUL, by Roberto Begnini. When I was in Los Angeles to cover the Oscar on Rádio Gaúcha (with journalist Fernanda Zaffari), we had the opportunity to witness live a panel with the five directors of the films nominated in the foreign film category. There, a journalist asked Roberto Begnini if ​​the thesis that the boy Giosué (Giorgio Cantarini) always knew they were in a concentration camp, he never believed the story of a game proposed by his father and he was the one who pretended to believe in it to save the Father’s suffering. Begnini smiled and said nothing. It would be a nice version of the story, wouldn’t it?

The examples are numerous. As I love to talk about cinema, discussions about film endings are, for me, delicious.

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