Dois Filmes Sobre um Crime Brutal : Faltaram Informações e Cinema

O cineasta brasileiro Mauricio Eça lançou esta semana no Amazon Prime Vídeo os dois longa metragens sobre o rumoroso caso Suzane von Richthofen: A MENINA QUE MATOU OS PAIS e O MENINO QUE MATOU MEUS PAIS.

Além de ter um material muito vasto e interessante para filmar (o caso realmente chocou o País pela brutalidade dos crimes), o projeto do cineasta teve um ponto de partida bem criativo. Fazer dois filmes sobre o mesmo tema. Um pelo ponto de vista da acusada principal, a filha Suzane e outro pelo ponto de vista do seu cúmplice e namorado o jovem Daniel Cravinhos.

Manfred e Marisia Richthofen foram assassinados com pauladas de barras de ferro pelos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, em uma mansão de um bairro nobre de São Paulo, no ano de 2002. Os dois irmãos Cravinhos e a filha Suzane confessaram o crime, mas deram versões diametralmente diferentes sobre o caso. Foram todos condenados a mais de 30 anos de prisão.

Reconhecendo a extrema dificuldade de levar um caso como este às telas, é forçoso mencionar que a opção por deixar de fora praticamente todo o julgamento dos réus e as investigações policiais (com as provas que levaram à condenação) foi equivocada. Além de perder um elemento dramático essencial do caso (o julgamento em si), deixou uma lacuna para o espectador sobre porque as duas versões dos criminosos foram rejeitadas pelo júri.

Segundo Suzane, ela era uma menina muito jovem, mimada e protegida de uma família rica que conheceu o menino Daniel, um ambicioso e violento jovem em busca de ascensão social. Usando seu charme para seduzi-la, ele a levou a uma vida de drogas e sexo e orquestrou com o irmão a morte dos pais dela.

Segundo Daniel, Suzane era uma menina desequilibrada, vinda de uma família rica comandada por um pai abusivo e violento, e, a partir do romance deles, foi manipulado por ela para se livrar dos pais opressores.

A produção é bem feita, há muitas cenas que ganham interesse por serem filmadas dos dois pontos de vista, com enfoques opostos, a história em si guarda muitos mistérios, todos elementos que prendem a atenção do espectador.

Carla Diaz (como Suzane) faz um ótimo trabalho. Leonardo Bittencourt (como Daniel Cravinhos) tem lá seus altos e baixos. Os pais assassinados são Leonardo Medeiros e Vera Zimmerman. O restante do elenco tem Alan Souza Lima (Christian Cravinhos), Kauan Ceglio (Andreas Richthofen), Débora Duboc (Nadja Cravinhos) e Augusto Madeira (Astrogildo Cravinhos).

Imagino o que roteiristas mais talentosos e um cineasta mais experiente em dramas de tribunal teriam feito com um material como este. Os dois filmes, depois de quase quatro horas, ficaram como um Globo Repórter incompleto sobre um caso escabroso.

Brazilian filmmaker Mauricio Eça released this week on Amazon Prime Video the two feature films about the rumored Suzane von Richthofen affair: THE GIRL WHO MURDERED HER PARENTS and THE BOY WHO MURDERED MY PARENTS.

In addition to having a very vast and interesting material to film (the case really shocked the country by the brutality of the crimes), the filmmaker’s project had a very creative starting point. Make two movies on the same theme. One from the point of view of the main defendant, the daughter Suzane, and the other from the point of view of her accomplice and boyfriend, young Daniel Cravinhos.

Manfred and Marisia Richthofen were murdered with iron bars by the brothers Daniel and Christian Cravinhos, in a mansion in an upscale neighborhood of São Paulo, in 2002. The two Cravinhos brothers and their daughter Suzane confessed to the crime, but they gave diametrically different versions of the case. They were all sentenced to more than 30 years in prison.

Recognizing the extreme difficulty of bringing a case like this to the screen, it must be mentioned that the option to leave out practically the entire trial of the defendants and the police investigations (with the evidence that led to the conviction) was wrong. In addition to missing an essential dramatic element of the case (the trial itself), it left a gap for the viewer as to why both versions of the criminals were rejected by the jury.

According to Suzane, she was a very young girl, spoiled and protected from a wealthy family who met the boy Daniel, an ambitious and violent young man in search of social advancement. Using his charm to seduce her, he led her into a life of drugs and sex and orchestrated with his brother the death of her parents.

According to Daniel, Suzane was an unbalanced girl, coming from a wealthy family ruled by an abusive and violent father, and, from their romance, was manipulated by her to get rid of her oppressive parents.

The production is well done, there are many scenes that gain interest from being filmed from both points of view, with opposing approaches, the story itself holds many mysteries, all elements that hold the viewer’s attention.

Carla Diaz (as Suzane) does a great job. Leonardo Bittencourt (as Daniel Cravinhos) has its ups and downs there. The murdered parents are Leonardo Medeiros and Vera Zimmerman. The rest of the cast has Alan Souza Lima (Christian Cravinhos), Kauan Ceglio (Andreas Richthofen), Débora Duboc (Nadja Cravinhos) and Augusto Madeira (Astrogildo Cravinhos).

I wonder what more talented screenwriters and a more experienced filmmaker in courtroom dramas would have done with material like this. The two films, after almost four hours, became like an incomplete Globo Reporter about a lurid case.

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