O ÚLTIMO DUELO: Quando as Mulheres Assumiram o Protagonismo

O ÚLTIMO DUELO, mais recente filme do cineasta Ridley Scott é outra vez uma obra cinematográfica muito rica.

Baseado em personagens históricos da Inglaterra, THE LAST DUEL mostra o confronto, durante décadas (evocando o primoroso OS DUELISTAS, primeiro filme notável de Scott) de dois nobres britânicos, originado pelo fato de que um deles (Jacques Les Gris vivido intensamente por Adam Driver) ter ganho uma propriedade ambicionada pelo outro (o notavelmente grosseiro Sir Jean de Carrouges interpretado por Matt Damon, em um de seus melhores papeis).

O ódio entre os dois tem raízes muito claras: enquanto um é bonito e sedutor, ganhando as mulheres da corte com um olhar (ou uma mesura a ela dirigida), ou outro tem que lutar muito, arriscando a vida em inúmeras batalhas sangrentas, que lhe valem cicatrizes deformantes por todo corpo, inclusive no rosto.

Para agravar o conflito, é Carrouges que conquista a dama mais linda da Corte: Marguerite (Jodie Comer, a matadora atriz de KILLING EVE), uma linda e ousada lady, com sua agenda própria, algo inexistente naqueles tempos. Ela ousa desafiar as ordens do marido na administração da terra (para espanto dos empregados), decide comprar vestidos decotados e sedutores por conta própria, confronta a sogra (Harriet Walter ótima, como Nicole) uma sombra repressora que mora com o casal e vai defender sua honra até o fim, não importando as leis dos homens, da Igreja, a vontade do marido, e nem mesmo a verdade.

Marguerite é estuprada por Jacques. Ou não. O filme dá três versões do fato, mostradas de forma repetitiva por Scott, com variações sutis (ou nem tanto), numa mostra do talento do cineasta. A vida e a verdade são feitas de sutilezas. Um olhar, um gesto (terá tirado os sapatos ou eles lhe caíram do pé?). Mais um roteiro soberbo da dupla Ben Affleck (loiro no filme) e Matt Damon.

O momento mais importante do filme é quando Marguerite enuncia a verdade: estuprar uma mulher era crime não contra a vítima, mas contra a propriedade do marido. Este era o mundo da época. Iso tinha que mudar.

Os valores centrais dos filmes (os ótimos) de Scott estão todos em THE LAST DUEL. O duelo (lembram de Ripley contra o monstro babão de ALIEN?), as personagens femininas pontificando na trama (o que era a Lady Marian de Cate Blanchett em ROBIN HOOD?), a violência das guerras, batalhas e lutas, a busca pela identidade que cada um vive (BLADE RUNNER puro), personagens indo atrás de vingança (perdão não faz parte da agenda) sem medir consequências (GLADIADOR), uma ação poderosa (os 152 minutos passam voando) que nunca se sobrepõe ao drama social e pessoal dos personagens. Um cinema de alta competência.

Mais uma vez vendo um filme excelente de Ridley Scott (como OS DUELISTAS, ALIEN, BLADE RUNNER, O GLADIADOR, ROBIN HOOD) fico mais desconcertado com os filmes ruins (e bota ruins nisto) que ele fez (A LENDA, O CONSELHEIRO DO CRIME, PROMETHEUS) que ele também assinou.

THE LAST DUEL é, por todos estes motivos (e muitos mais) um filme que deve ser visto.

Retrata com primorosa exatidão, quando as mulheres assumiram o (justo) protagonismo. Os homens eram bárbaros demais ou ególatras demais para realmente admirar a maior de todas as criações divinas. Para o bem e para o mal.

THE LAST DUEL, filmmaker Ridley Scott‘s latest film is once again a very rich cinematographic work.

Based on historical characters from England, THE LAST DUEL shows the confrontation, for decades (evoking the exquisite THE DUELISTS, Scott’s first notable film) of two British nobles, originated by the fact that one of them (Jacques Les Gris lived intensely by Adam Driver) to have gained a coveted property by the other (the remarkably rude Sir Jean de Carrouges played by Matt Damon, in one of his best roles).

The hatred between the two has very clear roots: while one is handsome and seductive, winning the women of the court with a look (or a curtsy) or the other has to fight hard, risking his life in countless battles bloody, giving him deforming scars all over his body, including his face.

To aggravate the conflict, it is Carrouges who conquers the most beautiful lady at the Court: Marguerite (Jodie Comer a matadora atriz de KILLING EVE), a beautiful and daring lady, with her own agenda, something non-existent in those times. She dares to defy her husband’s orders in managing the land (to the dismay of the employees), decides to buy low-cut and seductive dresses on her own, confronts her mother-in-law (great Harriet Walter, as Nicole) a repressive shadow who lives with the couple and will defend his honor to the end, regardless of the laws of men, the Church, the will of the husband, and not even the truth.

Marguerite is raped by Jacques. Or not. The film gives three versions of the fact, shown repetitively by Scott, with subtle (or not so much) variations, in a display of the filmmaker’s talent. Life and truth are made up of subtleties. A look, a gesture (did you take your shoes off or did they fall off your foot?). Another superb screenplay by Aflleck (blonde in the movie) and Damon.

The most important moment in the film is when Marguerite enunciates the truth: raping a woman was a crime not against the victim, but against her husband’s property. This was the world at the time. That had to change.

The core values ​​of Scott’s films (the great ones) are all in THE LAST DUEL. The duel (remember Ripley against ALIEN‘s drooling monster?), the female characters pontificating in the plot (what was Cate Blanchett‘s Lady Marian in ROBIN HOOD?), the violence of wars, battles and fights, the quest for identity that each one lives (pure BLADE RUNNER), characters pursuing revenge (forgiveness is not part of the agenda) without measuring consequences (GLADIATOR), a powerful action (the 152 minutes fly by) that never overlaps with the social and personal drama of the characters. A highly competent cinema.

Once again watching a great Ridley Scott movie (like THE DUELISTS, ALIEN, BLADE RUNNER, THE GLADIATOR, ROBIN HOOD) I’m more disconcerted by the bad (really bad) movies he’s made (THE LEGEND, THE COUNSELOR, PROMETHEUS) which he also signed.

THE LAST DUEL is, for all these reasons (and many more) a must-see movie.

Depicts with exquisite accuracy, when women assumed their (fair) protagonism. Men were too barbarians or too egotistical to truly admire the greatest of all divine creations. For good and for bad.

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